Informática, Para Variar

A Google anunciou o lançamento de um novo sistema operativa que, pensa-se, poderá “trazer consequências sérias à Microsoft“. Pelo menos é o que nos informa o “Público”. Não sabemos muito bem em que se fundamenta o/ a jornalista do “Público” para fazer tal afirmação, mas sou tentado a discordar, por algumas razões.

A primeira chama-se “Ubuntu”. É a versão mais comercial do Linux, existe há anos e é suportada por uma comunidade. É um esforço admirável de “descentralização” do poderio da Microsoft, mas está longe de ter resultados estonteantes. É um facto. Por mais admiráveis que sejam os esforços da equipa que o mantém. Ou seja, mesmo implantado no mercado há anos e distribuído gratuitamente, nunca se conseguiu afirmar. Tentarei explicar o porquê mais à frente.

A segunda razão chama-se Mac OS X. Parece-me o melhor termo de comparação com o SO que aí vem. E porquê? Porque é distribuído por uma super-empresa que, como outras no mercado (vg. Coca-Cola) gasta quantidades significativas de dinheiro em marketing e publicidade. Que será possivelmente o que veremos neste novo SO da Google. Mas, mesmo assim, e dando uma rápida olhadela às quotas de mercado, verificamos que apesar de ser a única alternativa consistente ao Windows, ainda não se conseguiu afirmar de uma forma tão hegemónica como este. E porquê?

O mercado dos PCs pode parecer um mercado complexo, mas a sua lógica de funcionamento é até aparentemente simples. Os verdadeiros agentes de desenvolvimento não são as empresas que fabricam os sistemas operativos: são os terceiros que desenvolvem software para estes. É por esta razão que a Microsoft estará ainda, por muitos anos, na linha da frente, sem grandes razões para se preocupar: a Apple fornece apenas soluções de hardware + software que ainda não chegam às carteiras do utilizador comum  – nem lhe interessam, na maior parte dos casos. O Ubuntu é um SO estável e de utilização relativamente fácil, mas não consegue garantir ao utilizador comum compatibilidades em algumas áreas fundamentais: o seu Open Office, por exemplo, pode parecer uma solução tentadora, mas ninguém cuja utilização principal dependa destas ferramentas põe as mãos no fogo por ele. Ou seja, a primeira solução não consegue share porque não chega às massas (apesar de se notar uma convergência crescente em termos de preços com as alternativas de mercado);  a segunda porque apesar de chegar não oferece as mesmas garantias que um SO pago (basta ver o seu target: estudantes, normalmente de informática…). Ou seja, o vazio que existe no mercado acaba por ser preenchido (o que acontece há mais de 20 anos) pela única empresa que oferece uma solução que apele às massas.

Ou seja, temos hoje inúmeras empresas de dimensão considerável que vivem em satélite de um produto de uma outra empresa. Não é só à Microsoft que lhe interessa garantir a sua posição de quase-monopólio, é também a estas. Parece-me que a própria Microsoft tem consciência deste facto, não se esforçando muito para inovar, por uma razão bem simples: não necessitar. Isto leva-me a concluir que o Google Chrome pode muito bem ser uma revolução, mas não para o utilizador comum, que quer apenas uma solução barata, universal e eficaz. Não me espanta que consiga o seu espaço no mercado dos netbooks (dividido pelo anacrónico Windows XP e o… Linux) e nos chamados “telefones de entretenimento” (apesar de neste último nem empresas que se movimentam no mercado há anos, como a Nokia, conseguirem ainda fazer frente ao produto da Apple – escreverei qualquer coisa sobre isto futuramente). Em todo o caso, e mesmo não conseguindo trazer “consequências sérias à Microsoft”, trará certamente as vantagens da concorrência. Ainda mais porque o conceito do SO é bastante inovador: podem dar uma olhadela aqui.

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Uma resposta a Informática, Para Variar

  1. José Maria Pimentel diz:

    Essa notícia é mesmo à estagiário do Público. Também me passou o mesmo pela cabeça qd li. Um tipo de afirmação dessas só pode mesmo ser feito por alguém completamente alheado da realidade. N quer dizer q o SO do google n tenha potencial…mas n vai ser facil, obviamente.

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