Assembleia da República = Circo

  

 

 

Hoje tive o “prazer” de ouvir, no debate quinzenal da assembleia com a presença do primeiro-ministro, o diálogo entre José Sócrates e Pedro Santana Lopes. O tema do diálogo foi a pobreza, a propósito dos números recentemente divulgados que indicavam o facto de haver quase 1 milhão de portugueses a viver com menos do que 10 euros por dia. Pensam vocês (quem não assistiu ao debate) que o diálogo revelou um consenso na preocupação pelos números e que houve uma discussão sobre as medidas concretas propostas por ambas as partes para inverter esta situação?? Enganam-se literalmente.

O que se passou foi um mútuo “sacudir a água do capote”, em que se discutiu essencialmente qual o ano a que diz respeito este estudo, com as responsabilidades a serem sucessivamente atribuídas de uns para os outros. Tudo isto com bocas, gozos, risos e tricas à mistura. Uma verdadeira palhaçada. É triste ver a “seriedade” com que os nossos representantes eleitos encaram temáticas desta importância.

Se não soubesse, diria que, em vez de estar a assistir a um debate no Parlamento sobre uma questão tão séria como a pobreza, estava a observar uma convera de café sobre o jogo de futebol de ontem à noite. E vai daí talvez não. Parece-me que qualquer um dos frequentadores deste blog é bem capaz de ter uma conversa sobre a bola com bastante mais nível e ética.

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6 respostas a Assembleia da República = Circo

  1. “Pensam vocês (quem não assistiu ao debate) que o diálogo revelou um consenso na preocupação pelos números e que houve uma discussão sobre as medidas concretas propostas por ambas as partes para inverter esta situação??”

    Bem, eu nivelo sempre a coisa por baixo (daí a minha respota ser um convicto não) de modo que o que quer que se tenha passado seja na pior das hipóteses igual ao que eu pensava.

    Daí, achar que codificar o canal parlamento para mim seja uma medida de interesse público. Para compensar podia até haver uma troca. Codificavam o canal da AR e abriam antena para o Disney Channel ou a Sportv…pronto, vá, o Playboy, quiçá o Sexy Hot. Com tanto canal bom que nos obrigam a pagar extras, as maiores poucas vergonhas acabam por passar nos canais incluídos no pacote base…

    Quanto à postura dos membros do blogue, isso já depende do que entenderes por nível…vá lá, por ética…

  2. Miguel Pessoa Vaz diz:

    João, quero desde já agradecer o elogio que fazes aos comentarios futebolisticos com nível e éticos dos membros deste blog, entre os quais me incluo, sempre mantendo a minha imparcialidade. 😉

    Depois, acho que uma figura que devia aparecer na imagem que acompanha o post, era o Francisco Louçã. Se há alguém naquela Assembleia que se está a tornar insuportável é esse senhor e a maneira superior como fala para todos os outros partidos, como se fosse dono da verdade absoluta. Pode não ser mal educado, mas irrita…

  3. José Maria Pimentel diz:

    “Depois, acho que uma figura que devia aparecer na imagem que acompanha o post, era o Francisco Louçã. Se há alguém naquela Assembleia que se está a tornar insuportável é esse senhor e a maneira superior como fala para todos os outros partidos, como se fosse dono da verdade absoluta. Pode não ser mal educado, mas irrita…”

    Miguel, não consigo expressar o meu júbilo por ouvir (ler) tal comentário provindo da tua pessoa!

    Ando a dizer isso há anos….! O homem é a imagem do moralismo. Já não há paciência!

    P.S. Aqueles “erres” tiram-me do sério!!

  4. João Torgal diz:

    Como devem saber, não partilho da vossa opinião sobre o Louçã. Não acho, de forma alguma, que ele seja um moralista, dado que, como sabem, ele está longe de ser políticamente correcto e alguém que pretenda reunir consenso em seu redor. Em todo o caso, ele próprio e a bancada do BE também estiveram mal ontem, ao envolver-se numa trica com o primeiro-ministro e com a bancada parlamentar do PS absolutamente desnecessária e lamentável (essencialmente da parte socialista, mas também do Bloco), em mais um número de circo habitual.

    Não percebo porque é que, às vezes, exigem tanto silêncio e respeito aos que assistem nas galerias às sessões parlamentares. Com o desrespeito e a vergonha que são muitas das atitudes e intervenções dos deputados, típicas de uma tasca mal frequentada (sem nenhum carácter pejorativo para as tascas em geral; no Zé Manel provavelmente também se discute política com mais nível que na assembleia), seria preciso muito para os espectadores fazerem pior figura. Até sugeria que poderia haver nas galerias, em simultâneo com as discussões políticas, espectáculos de música, dança ou teatro para introduzir um pouco de nível e decoro na Assembleia da República (também designada por circo)

  5. João Torgal diz:

    Ainda em relação ao bate boca entre o Louçã e o PS (governo e bancada parlamentar), concordo com o que disse o Daniel Oliveira. Se foi completamente fora de tempo a farpa que o Louçã mandou ao PSD sobre o caso Fernanda Câncio (dizendo que indigna foi a campanha de descredibilização dessa jornalista por puro oportunismo político, dado ela ser aparentemente namorada do Sócrates), mais estúpida ainda foi a reacção negativa em massa dos deputados socialistas, que, são tão tapados e têm tanta falta de capacidade de pensarem pelas suas cabeças, nem sequer perceberam que a boca não era para eles. Bastou o pastor, por lapso, se revoltar, para todos os carneiros lhe seguirem as pisadas.

  6. “A politica é como o chouriço: se as pessoas soubessem como são confecionados, não dormiam descansadas à noite.” – Autor cujo nome nao me lembro

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