É assim em todas as relações: amizade, amor, negócios, família… Quando não há confiança não funcionam. Esta é a razão pela qual não voto em José Sócrates, alguém que me fez desacreditar completamente no único partido que alguma vez apoiei: ao longo destes últimos anos tenho tido a oportunidade de conversar com pessoas colocadas em diversos ramos: jornalistas, funcionários do partido, autarcas, empresários, professores (…) que me relataram um conjunto de factos (historietas e campanhas negras – btw, como é a sensação de ficar sem emprego?) que a serem verdade me fazem acreditar piamente que somos governados por um gangster.

Ao contrário da maior parte dos meus colegas madeirenses (e são só um exemplo da mentalidade reinante) sou defensor acérrimo do interesse público e, acima de tudo, da transparência nos negócios do Estado e na maneira como se usa o dinheiro dos contribuintes. Sou incapaz, por essa mesma razão, de usar o meu voto para eleger o titular de um cargo público sobre o qual recaia a menor suspeita sobre a forma como serve a “coisa pública”. Muito menos para eleger o titular de um cargo público sobre o qual recaem inúmeras suspeitas denunciadas na comunicação social e outras tantas que a seu tempo deverão conhecer a luz do dia.

Por outro lado, acredito que não há qualquer interesse no actual aparelho do PS em servir o interesse público mas apenas um robusto e protegido equilíbrio entre agências de comunicação que ditam o timing das “questões fracturantes” e empresas que pagam campanhas e oferecem cargos que ditam o timing das obras públicas e dos negócios do Estado.

Era capaz de votar em Paulo Portas se este não fosse o mesmo Paulo Portas que de há 20 anos para cá não faz nada que não seja encantar-se com o prodígio que pensa ser. Que desaparece e reaparece no mapa quando lhe dá jeito e se deslumbra com os gritinhos histéricos do povo supé bem que o segue nas suas tournées pelas bancas de mármore cheias de robalos e hortaliças.

Não voto no PSD porque não gosto de claques de futebol e porque acho que Passos Coelho é um Sócrates com embalagem e marketing diferente que nos vai conduzir a um estado de pura emergência social em pouco mais de dois anos.

Não voto no Bloco porque é impossível deixar de assacar responsabilidades a Louçã e ao seu partido pelo actual estado do país e pela forma irresponsável como se têm comportado nestes últimos dois anos.

Não voto no PCP porque o considero um partido anacrónico e porque não tenho pachorra para a juventude que está nas suas “bases”, que se preocupa mais do que toda a gente, sabe mais do que toda a gente, luta mais do que toda a gente e detém o monopólio da contestação política e dos valores de Abril.

Resta-me assim, e uma vez mais, votar em branco e rezar para que os 2 milhões de indecisos que  aparentemente restam façam o mesmo.

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Uma resposta a

  1. Dinis Vieira diz:

    Antes de mais dou os parabéns pelo bom gosto com que este blog está feito.
    Aproveito, se me permitem, para dar a conhecer o espaço que acabei de inaugurar, para poder exercitar um pouco os meus desvarios: o “Gangster do Colarinho Multicor”. Aborda atualidade entre outros.
    Não sei ao certo como posso dar a conhecer o blog a terceiros, qual a melhor forma de o publicitar um pouco. Se puderem dar umas dicas, agradeço. E já agora, se pudessem incluir o link aqui no vosso blog, ainda seria melhor. Obrigado.

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