And the winner is…

O Indomável é para mim o filme mais fraco dos 5 que vi dos irmãos Cohen. Sou suspeito, pois não sou fã de westerns, mas a história é bastante insossa e falta-lhe o humor negro e os fabulosos diálogos surreais tão habituais nos filmes anteriores.

O Discurso do Rei tem interpretações brilhantes (não só de Colin Firth – é elogio fácil valorizar muito este tipo de papéis extremos, mas no caso é bem merecido – mas também principalmente do notável Geoffrey Rush), mas pouco mais. É rebuscado dizer que há uma denúncia do predomínio da forma sobre o conteúdo, pelo que a marginalização da questão da Guerra é ridícula e o argumento é bem pobre.

A Rede Social é uma história bem contada, tem a seu favor a contemporaneidade da questão do Facebook, mas é vulgaríssimo.

A Origem é um blockbuster fraudulento, armado numa intelectualidade que não possui e numa pseudo-ideia inovadora. Pior que Matrix, só mais do mesmo.

Assim sendo, dos 5 filmes que vi, que o prémio vá para Aronofsky.

O Cisne Negro teria tudo para ser um filme recheado de clichés (a jovem frágil, obcecada pela perfeição  artística e oprimida pela mãe). Mas, fazendo jus ao seu passado, o realizador ultrapassou convenções e, com toques do denso mistério psicológico de Brian de Palma ou de uma certa complexidade claustrofóbica de David Lynch (sem os seus devaneios surrealisticamente extremos) e com o desempenho notável de Natalie Portman, O Cisne Negro é um óptimo filme.

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4 respostas a And the winner is…

  1. António P. Neto diz:

    Caro Torgal:

    Estive prestes a deixar este comentário no 5 Dias, mas depois lembrei-me que não tenho as vacinas em dia.

    Acho lamentável o que dizes d’ “A Origem”. Lamentável porque das duas uma: ou escreves o que escreves na condição de João Torgal e é aceitável que despejes toda a subjectividade que quiseres nas tuas crónicas; ou escreves na condição de “crítico”, e deixas de cumprir assim tão bem a tua função. “Fraudulento!?”; “Armado numa intelectualidade?”; “Pseudo-ideia inovadora?”; “Mais do mesmo”? Queres concretizar? É que no meu entender (e não querendo passar por “crítico de cinema”), não faço ideia o que possa significar um filme “fraudulento”; parece-me totalmente despretensioso, já que se assume como um blockbuster que apela às massas; inovador, no conceito e enredo; destacado, já que (como “Memento”) não é claramente “mais um” (goste-se ou não isso é claramente aquilo que não é). Acho que se queres desancar assim num filme tão bem aclamado pelo público e pela crítica terás que te esforçar mais (pelo menos concretizar).

    Já vai sendo tempo de deixarmos de qualificar o “bom” e o “mau” pelas “sensações”. É um bocado como na música, a velha história de não gostar de metal e por isso tudo o que se faz ser “horrível” e “mau”. Não faz sentido, pois não?

  2. António P. Neto diz:

    E welcome back, claro!

  3. João Torgal diz:

    1. É lógico que quem escreve é o João Torgal, quem é que haveria de ser. Não sou nenhum crítico, meu bravo.

    2. Despretensioso é que “A Origem” não é. Pretende ser um blockbuster intelectual, como tu próprio admitiste. Mas, ao contrário do óptimo “Memento”, é, para mim (só para mim, bravo), um autêntico flop. Eis a crítica mais fundamentada que escrevi na altura (enquanto vocês tiraram férias prolongadas do blog):

    https://amesadecafe.wordpress.com/2010/08/19/a-origem-um-flop/

    3. Se o blog está a voltar a ser uma cena colectiva, então volto a publicar as coisas aqui. Só deixei de o fazer porque apenas eu escrevia, enquanto andava toda a gente algures num gulag da Serra da Estrela.

  4. José Maria Pimentel diz:

    Fraudulento também me parece bem exagerado. É que concordo com o Neto, o filme não “pretende” ser nada. Quanto muito pretenderá quem o defende (talvez eu), mas o filme em si nada tem de pretensioso.

    E já agora também não percebo como podes achar o filme horrível. Há filmes que eu vejo e que não são o meu estilo de todo, mas que consigo dizer que são bons.

    Um bom exemplo é o “Despertar da Mente”. Não sei porquê, mas lembrei-me deste…😉

    P.S. Estava frio no Gulag!

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