Outro Texto Sobre as Presidenciais Não, Por Favor!

Como não tenho rigorosamente nada a acrescentar às 500h de comentário político feitas nestas últimas 24h, vou-me limitar a repetir algumas das coisas que já foram ditas. Se por milagre conseguir dizer alguma coisa nova, bem, parabéns a mim!

Cavaco venceu estas eleições, sem qualquer margem para dúvidas. Foi o melhor político desta campanha, demonstrando que sabe perfeitamente em que nervos tocar e o que (e quando) dizer (pelo menos fora dos debates). A história dos radicais na presidência somada ao seu papel de defensor dos pobrezinhos e dos mercados conseguiu alojar-se bem no cérebro de todas as D. Alziras, que entre duas torradas lá foram depositar o voto na urna. Por outro lado, para um eleitorado mais informado e consciente da nulidade que Cavaco foi no primeiro mandato, é a solução pragmática de estabilidade. Penso que o FNV resumiu isto muito bem. Isto são 2/3 do eleitorado que vota em Cavaco: o outro “terço” (salvo seja) é a claque da “Juventude que apoia Cavaco” e aqueles que votam PSD nem que fosse Jardim o candidato (o eleitorado certo, portanto).

Alegre apenas comprovou a nulidade política que sempre foi. Uma campanha feita de fantasmas com barbas, sem nenhuma ideia que se aproveitasse e em tom crispado, que fez com que apenas conseguisse o eleitorado PS ferrenho e Bloco, o  que dá qualquer coisa como os 20% que conseguiu obter (que estavam basicamente garantidos desde o ínício).

Nobre saiu-se bem, na medida em que cumpriu com o papel que lhe estava destinado: apresentou uma candidatura de alternativa, sem demagogias nem golpes baixos, capaz de agregar um eleitorado diverso. Creio que, apesar de tudo, não era um papel muito difícil. A sua falta de carisma foi decisiva para não conseguir um resultado mais expressivo.

Francisco Lopes provou que o povo ainda desconfia das “boas intenções” do PCP.

Defensor Moura foi quanto a mim o pior candidato (em todos os aspectos), o que se traduziu nos seus fracos resultados: uma candidatura local, anti-candidato. O candidato que não se precisa, quanto a mim.

Coelho: o Tiririca português, cujo estilo parece agradar a um crescente número de eleitores. Penso que movimentos de contra-poder como estes são importantes, enquanto não forem expressivos: “at the end of the day” são as instituições que temos e que precisam de ser levadas a sério. Corresponde ao voto em branco, quanto a mim. Foi o Manuel João Vieira destas eleições e saiu-se bem.

Não acho que a abstenção tenha sido assim tão preocupante, tendo em conta uma série de factores (campanha pouco apelativa e repetitiva, papel pouco decisivo do PR, trapalhada com o sistema informático). Moral da história: a democracia está de boa saúde e recomenda-se.

 

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