Apologia do Ídolos

Devo dizer que me dá bastante gozo assistir ao Ídolos, o produto “revolucionário” criado por Simon Cowell (conhecido internacionalmente pela sua arrogância e nariz empinado), alguém que traduzido para português de Portugal dá uma personagem como Manuel Moura dos Santos.

Num mundo em que se consegue passar uma noite inteira sem ouvir música tocada com instrumentos, penso que este tipo de programas são, para quem gosta de música, um bom entretenimento. E é precisamente aqui que a maior parte das críticas esbarra: em procurar que estes programas sejam mais do que um simples – e eficaz – programa de entretenimento.

Uma das razões pelas quais o programa me suscitou interesse é precisamente por nele se descobrirem concorrentes que como eu acham que “Gaga” é o que se chama a uma mulher com gaguez; ou que os “Anjos” são bons para vender CDs do Continente. Ontem ouviu-se “Shine on You Crazy Diamond”. Mas já se ouviu Zeca Afonso ou Ornatos Violeta. E, estranhamente, é este o tipo de concorrente que tem chegado mais longe (não as “Lucianas Abreus”). Considerações aparte, só pelo simples facto de haver quem consiga que 2 ou 3 minutos do prime time nacional sejam ocupados com música (má ou boa, mas cantada com vozes e tocada com instrumentos, muitas vezes a milhas dos actuais circuitos comerciais), e só por isso, já é o “Ídolos”, quanto a mim, um vencedor. Sendo que a minha televisão se resume ao telejornal ao jantar, fico surpreendido por finalmente voltar a ter gosto em me sentar no sofá e assistir a um programa de televisão. E, por essa razão (e muitas outras, claro), estão alguns candidatos – como a Sandra, por exemplo – de parabéns.

ADENDA: isto não significa que não haja coisas no programa verdadeiramente abjectas. A gala de “World Music” foi quase hilariante, de tão má. Mas penso que aqui a culpa, a haver, será mais da produção que dos próprios candidatos.

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3 respostas a Apologia do Ídolos

  1. Paulo diz:

    O programa a que se refere foi criado por Simon Fuller. O Simon Cowell é júri.

  2. João Torgal diz:

    Referes-te, portanto, à gala em que ficámos a saber que Boss AC e Jennifer Lopez é world music. Brilhante

  3. António P. Neto diz:

    Por acaso tinha ideia que eram a mesma pessoa, já não sei porquê. Obrigado pela correcção, Paulo.

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