Questões

A postura de PPC e do PSD nos últimos tempos é muito curiosa. Dir-se-ia que faltam jeito, e visão política ao líder do PSD. Onde é que já se viu, numa altura em que os portugueses, habituados que estão, clamam por ajuda do pai-estado, o líder do maior partido da oposição vir propor que o pai-estado se torne mais rígido e baixe a mesada aos filhos que não a merecem. Nunca, mas nunca seria bem recebida tal medida pelos filhos (por todos, não só por esses).

Depois, PPC decide fazer finca-pé ao Governo e ameaçar chumbar o Orçamento. De pés e mãos atadas, tal bluff só poderá ser burrice, tendo em conta que toda a gente sabe que nem um par PPC tem. Mas que coisa esquisita.

Mas este tipo de raciocínio é insólito. Insólito na medida em que pressupõe e exige ao líder da oposição que use as tácticas do 1º Ministro, as tácticas do político típico, no fundo as tácticas que tantas vezes todos nós criticamos, as tácticas “dessa cambada”, dos “todos iguais”.

Ainda não conheço dele o suficiente para saber se é uma pessoa inteligente e capaz, mas não será, estou convencido, tão burro (ou tão desaconselhado) para decidir ameaçar rejeitar o Orçamento e, pior, propor medidas de cariz liberal, quando sabe perfeitamente que nada tem a ganhar com elas no curto prazo em termos políticos.

Posto isto, a hipótese que me sobra é a de que PPC o faz – mal ou bem, certo ou errado – por convicção. Fá-lo porque acredita que é o melhor para o país, ainda que se possa discordar com o modelo de país que ele concebe.

E isto leva-me a outro ponto: numa altura em que se exige que os políticos avancem com um orçamento rapidamente, por patriotismo, por que não há-de o Governo ser, no mínimo (reforço: no mínimo) tão responsável como a oposição por elaborar um documento consensual. E, já agora, o que é feito do PC, do BE e, sobretudo, do PP? Não que eu pense que os 2 primeiros alguma vez pudessem aprovar semelhante documento. Mas isso não lhes tira a responsabilidade teórica. E o PP, que com um voto a favor encerraria a questão? O que faz Paulo Portas mudo e quedo?

Finalmente, é curioso também o modo como se analisa as mais recentes sondagens. O PS cai muito pouco para o que seria de esperar. Facto maior e claro. Mas, extra este facto, porque relevam todos os comentadores a diminuta subida do PSD? E o facto de o PP e, sobretudo, o PC e o BE não terem subido? Numa altura de pobreza e de forte contestação social, não seria de esperar imensa força por parte destes partidos?

 

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