“A Origem” – um flop…

Foi com muita expectativa que fui ver recentemente A Origem, último filme de Christopher Nolan. Perante os grandes elogios efectuados por uma boa parte da crítica e do público, nomeadamente acerca do seu final, estava curioso em verificar se iria corroborar o que tinha ouvido. Pois bem, um verdadeiro flop…

Para quem não viu, a sinopse é resumidamente o seguinte: Cobb é, num mundo tecnologicamente desenvolvido, uma espécie de ladrão de ideias, pago para durante o sono roubar as linhas de pensamentos de pessoas importantes, o que o torna facilmente num inimigo a abater. Só que, num dado momento, de forma salvar a sua vida e a reencontrar-se com a sua família, é obrigado a fazer o processo inverso, ou seja, a criar artificialmente uma ideia no cérebro do filho de um grande empresário à beira da morte.

O filme tem, contudo, pretensões de ter uma substância muito maior do que a sinopse (naturalmente redutora) apresenta. A temática abordada, assente nos binómios vida /morte, verdade /sonho ou  real /virtual, está mais que batida, tal como a teia labiríntica e pouco clara usada para a retratar.  Existem grandes filmes do estilo, como Donnie Darko, Memento (também de Christopher Nolan), O Advogado do Diabo ou também, embora sendo um pouco diferente (mais assente nos meandros psíquicos da mente humana), o excelente último filme de Martin Scorsese, Shutter Island. No entanto, isso não seria à partida sinónimo de fracasso, longe disso.

Sendo assim, o que distingue esses filmes deste A Origem. Várias coisas, mas principalmente uma: o seu desenlace. Em todos as películas que referi (mesmo em Shutter Island, cujo final não apreciei particularmente), há um epílogo que, mesmo estando longe de ser linear (e ainda bem) e deixando o filme em aberto, lhe dá consistência e nos abre o pensamento s0bre a mensagem e o conteúdo da obra. Em A Origem, é apenas mais uma peça numa espiral sem sentido, que o transforma num filme de acção /ficção científica inverosímil, confuso (colocar as personagens, quais narradores do próprio filme, a nos explicarem em diálogos certos pormenores francamente incompreensíveis, torna-se  verdadeiramente ridículo) e inconsequente (tal como acontece com o tão sobvrevalorizado… Matrix). É que se é para assistir a meros exercícios de estilo, prefiro a léguas, mesmo não sendo apreciador (nem pouco mais ou menos), ver um qualquer filme do David Lynch. Pelo menos garante cenas de cinema fabulosas e são crus e densos o suficiente para não precisar de recorrer, de modo simplista, a cenas gratuitas e disparatadas de efeitos especiais para “aprimorar” os seus intentos.

P.S. De bom, só praticamente algumas interpretações. Cotillard, no seu papel frágil, sofrido e nebuloso, está bastante bem e começa a não haver dúvidas que Di Caprio está feito um excelente actor.

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4 respostas a “A Origem” – um flop…

  1. José Maria Pimentel diz:

    Perdoai-o, Senhor, ele não sabe o que diz.😉

    http://www.imdb.com/chart/top?tt1375666

    O cinema é, de facto, subjectivo, mas este é, na minha opinião, mais 1 brilhante trabalho de Cris Nolan, na senda de Memento e dos dois Batman.

  2. Paulo Jorge Pereira diz:

    Flop….aí tenho que concordar com o José Maria Pimentel. Não pela votação mas porque, pessoalmente, não faz sentido(o fim de um filme não pode ser quase toda a sua avaliação).
    Chamar para aqui D. Lynch é injusto(melhor filme de sempre:Mulholland drive) porque muito do que acusas este podes usar para este referido filme
    CONCLUSÃO: vai vê-lo outra vez…ou …aínda bem que somos diferentes

  3. João Torgal diz:

    A comparação está apenas na lógica cinematográfica. De resto, comparar David Lynch com este filme é como comparar a espiritualidade dos Dead Can Dance com a de Enigma (fiz de propósito, Paulo :)). Goste-se ou não da obra de Lynch (eu não gosto), está ali cinema de grande qualidade, enquanto “A origem” é apenas um blockbuster banal com uns toques de pretensa intelectualidade e falsa complexidade. Um flop, portanto.

  4. Pingback: A Mesa de Café

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