A “inocência” judaica, o “humanismo” americano e a “democracia” iraniana…

1. O ataque aos navios turcos confirma mais uma vez o perfil diabólico da causa sionista, sem qualquer tipo de escrúpulos ou respeito pelas leis internacionais, não hesitando em exterminar um povo, se isso for necessário na defesa dos seus interesses.

2.  Mesmo com o carácter mais apaziguador de Obama, a fidelidade manifestada neste caso ao seu grande aliado judaico mostra que, em termos internacionais, não há contudo diferenças assim tão substanciais, no que se refere à política externa da administração americana. O que aconteceria se uma comitiva árabe atacasse um barco em águas internacionais, alegasse ter razão e não cedesse às pressões internacionais para que se efectuasse uma investigação do caso (parece que vai ceder finalmente, em resultado da pressão ou porque já deve ter manietado as coisas a seu favor), como fez Israel? A condenação americana seria seguramente apenas uma das medidas mais pequenas levadas a cabo. Está na hora de finalmente se perceber que os americanos não são os guardiões humanistas do Mundo (apesar de cinicamente se assumirem enquanto tal) , mas sim uma das suas maiores ameaças. Da América Latina ao Médio Oriente, da África à Europa, não faltam casos de ditaduras sanguinárias ignoradas ou apoiadas pelos E.U.A.  por motivos geoestratégicos e económicos, não revelando qualquer preocupação com as populações (muitas vezes escamoteando a própria realidade).

3. Por questões de justiça mundial, sou naturalmente defensor da causa palestiniana, da construção de uma palestina livre e LAICA e forte crítico de toda o terrorismo organizado judaico (tal como dos talibãs islâmicos), protegido na comunidade ocidental pelo manto da “retaliação”. Mas será possível uma palestina livre e LAICA com a predominância na região das sociedades islâmicas mais conservadoras e sanguinárias? Neste contexto, cada vez mais me irrita uma certa esquerda que protege ou desvaloriza os regimes fundamentalistas islâmicos, castradores de liberdades individuais, de expressão, de escolha religiosa ou direitos das mulheres (como é que certos feministas defendem estas sociedade, é algo que simplesmente não percebo). Quando não se alega, de modo surreal, que estes regimes são democráticos, o argumento muitas vezes apresentado é de que era bom que a resistência na região fosse progressista, mas que não sendo, há que defender a que existe. A questão essencial é que não é só o bem-estar das populações da região que está em causa (o que, para mim, já seria motivo suficiente para a condenação veemente destes modelos de sociedade), mas também o contexto geopolítico mundial. O que aconteceria se estes regimes de extrema-direita teocráticos tivessem um poder proporcionalmente muito maior do que têm hoje? Teríamos nós (o Mundo na sua globalidade)  uma realidade mais segura e pacífica do que com o domínio do imperialismo americano?

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5 respostas a A “inocência” judaica, o “humanismo” americano e a “democracia” iraniana…

  1. Paulo Jorge Pereira diz:

    Colocar o estado de Israel equiparado a “causa sionista” é ter uma atitude xenófoba, equiparada á atitude de chamar o Ocidente de “agressores cristãos”. Existem todas as crenças em Israel(até no seu parlamento!), não de podendo dizer o mesmo dos países árabes e do pretenso país Palestína (Portugal não é país socialista, ou cristão, ou corrupto, só porque existem pessoas assim!!!).
    “Por questões de justiça mundial, sou naturalmente defensor da causa palestiniana, da construção de uma palestina livre e LAICA”: justiça mundial criou, aceite-se ou não, o estado de Israel baseando-se na justiça de já lá ter existido antes do dominio muçulmano e de qualquer “palestina” que se defenda, palestina que nunca existiu como estado ou pseudoestado; “Laica”!!!!- uma impossibilidade forçar a coexistência de democracia-laicidade-islamismo baseada na evolução do ocidente(que demorou séculos a ser criada, com guerras e guerras!).
    Se és critico do “terrorismo judaico”(outra vez a xenofobia!), deves querer dizer das atitudes condenáveis de Israel(Concordo qdo são ataques a escolas e hospitais e a civis, apesar de estar provado que o Hamas os usa para se camuflar!). Mas achas que um país não de deve defender de ataques terroristas vários(média de 3 misseis/dia que eram lançados da Faixa de Gaza; atentados/tentativas suicidas frequentes). Destes nunca te vi em posição de condenação clara(é moda e politicamente correcto de esquerda referi-los como defesa a Israel e da independencia de um pretenso país sob ataque contante, enquanto os ataques de Israel são do império judaico/sionista), e até neste post referes condenável, e bem, o fundamentalismo dos regimes islâmicos.
    NOTA: ao argumento de não se dever chamar judaico ao país Israel, mas chamar Islâmicos aos paises envolventes, baseia-se no facto desses paises serem teocráticos e de Israel ser uma democracia tipo ocidental onde estão representados todos os que forem em numero suficiente para o serem

  2. João Torgal diz:

    1. Condeno igualmente o terrorismo taliba islâmico, como o terrorismo organizado ISRAELITA (assim está correcto). Como se viu, tenho uma posição bem moderada sobre este conflito.

    2. A partir do momento em que há colonatos e os palestinianos são discriminados da forma que o são, as “democracias” israelita e iraniana (por exemplo) são farinha do mesmo saco.

  3. paulo pereira diz:

    Caro João, a condenação do terrorismo talibã não inclui todo o terrorismo islâmico, como bem sabes. Esse meiotermo nas palavras, fazendo lembrar a filosofia socrática, temo que te exclua dos moderados.
    A discriminação que os palestinianos sofreram, e sofrem aínda, deve ser condenada como é a discriminação que fazemos em portugal sobre ciganos, jeovas…No entanto, muita dessa discriminação resulta do não cumprimento das regras sociais, morais e legais por parte de alguns, ou mesmo muitos, desses individuos( refiro-me, no caso português, a individuos de etnia cigana); como bem sabes, alguns, ou mesmo muitos, dos palestinianos violaram regras do estado de Israel, nomeadamente, a liberdade de não ser islâmico/muçulmano, a liberdade de viver sem medo de atentados,…
    PERGUNTA: será asim tão dificil aceitar que israel tambem se pode defender de ataques de palestinianos, e que a forma de cada um se defender depende do local, do ataque e das armas que se tem disponibilidade, e que não se pode branquear os ataques dos palestinianos como defesa? i.e., o local entrou em espiral e não é defendendo só um lado que se vai resolver a questão, e mais uma vez israel leva a melhor, pois só ela troca mortos por terroristas…

  4. João Torgal diz:

    Considerar que os ataques israelitas são apenas por pura e simples defesa ou retaliação é branquear a realidade.

    Não defendo um dos lados. Sou o primeiro a condenar não só as formas de terrorismo, mas também o fundamentalismo dos regimes islâmicos.

    Uma coisa estamos realmente de acordo, há anos que o local entrou em espiral de violência e não se vislumbra uma solução pacífica a curto prazo.

  5. Great article I really enjoy your blog.

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