A avaliação de desempenho no concurso de professores

Por princípio, sou favorável a que os resultados da avaliação sejam contabilizados no concurso de professores. Esta é a forma mais justa de valorizar e premiar o mérito e a excelência dos melhores professores. Ainda para mais, quando as diferenças entre “Bom”, “Muito Bom” e “Excelente” nao têm repercussões fortes na progressão na carreira (o que me parece correcto), é práticamente a única forma mais palpável de distinguir classificações diferentes. Assim sendo, tornam-se à partida evidentes as contradições do sector sindical quando apoia ideia contrária, ou seja, quando manifesta a recusa geral de que a avaliação seja contabilizada no concurso, meses depois de terem chegado a acordo com a tutela na vigência deste modelo. Pareceu-me bem, numa fase incial, o apaziguamento nas relações entre o Ministério e sindicatos, de forma a garantir um clima mais mais pacífico na educação em Portugal, mas, ainda assim, os sindicatos tinham duas linhas coerentes e eticamente válidas:

      1. Mantinham a contestação ao actual modelo de avaliação, por não o considerarem capaz de fazer um julgamento devido da actuaçao dos professores (o que me parecia o mais lógico, pois, tal como deixei expresso em posts anteriores, não creio que uma avaliação por pares seja o mais indicado, por estar sujeita a pressões, a ambiguidades e a interferências de questões de natureza pessoal que, mesmo de forma não intencional, podem interferir na avaliação).

  2. Apoiava o modelo de desempenho (como o fez), mas entao aceitava também algumas consequências naturais da avaliação (para que esta tenha real significado), sendo que a sua interferência  nos concursos me parece ser a mais lógica.

Assim, como nao opta por nenhuma das soluções, a FENPROF expõe-se a críticas de defender uma avaliaçao inócua e sem consequências e até, tendo em conta ainda para mais a forma simplista como elogiou as virtuais alterações ao Estatuto do Aluno, efectuadas recentemente, de revelar apenas preocupações corporativistas e de promover implicitamente a mediocridade no sistema educativo.

No entanto, apesar desta posição de princípio, quero deixar bem claro que me coloco ao lado da FENPROF na recusa da contabilização da avaliação no Concurso de Professores Contratados de 2010. Em função do destaque dado pela comunicação social, todos temos presente como foi atribulado todo o processo de implementaçao da avaliação docente no ano lectivo 2008 / 2009. Em virtude da forma arrogante e mal preparada como foi imposta,  todo o respectivo processo foi marcado por erros, atropelos, critérios desiguais e até alterações simplex à lei a meio do ano lectivo. Aliás, em função do longo braço-de-ferro que opôs Ministério a professores (muito mais do que aos sindicatos), houve muitas escolas em que os docentes agiram em massa na recusa deste sistema de avaliação (e que não foram avaliados), docentes estes a quem foi mais tarde reconhecida justiça na sua causa, em virtude da forma como foi suspenso e renegociado o modelo de avaliaçao no início deste ano lectivo. Sendo assim, que sentido faz que a pseudo-avaliaçao de 2009, manchada por falhas e irregularidades, seja contabilizada no concurso, prejudicando, por exemplo, aqueles que mais contribuíram para a sua mudança (infelizmente pouco efectiva) e a quem foi reconhecida razão institucional? Assim sendo, a FENPROF está a promover um abaixo-assinado para suspender a intervenção da avaliação neste concurso de docentes de 2010. Todo o professor, contratado ou nao, que deseje assiná-lo, pode e deve fazê-lo em:

                        www.fenprof.pt

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7 respostas a A avaliação de desempenho no concurso de professores

  1. paulo pereira diz:

    …”apenas preocupações corporativistas e de promover implicitamente a mediocridade no sistema educativo.” -É sempre uma satisfação registar uma atitude inteligente.
    …”quando as diferenças entre “Bom”, “Muito Bom” e “Excelente” nao têm repercussões fortes na progressão na carreira (o que me parece correcto),…” – Agora estou baralhado!!!! Se é para não haver distinção para que serve uma avaliação. Os ditos sindicatos que conseguiram que o país gaste milhões a pagar a professores que são todos, pelo menos, Bons, são coerentes na sua defesa da mediocricidade, mas a tua posição denota uma conflitualidade/incoerência, talvez alimentada por um pequeno corporativismo…

  2. João Torgal diz:

    Já estava à espera do teu comentário nesse rumo. Alguns argumentos que mostram não haver incoerência da minha parte:

    1. O país pode gastar milhões, mas os professores não ganham milhões, mesmo em final de carreira.

    2. Há ligeiras distinções entre a progressão na carreira dos professores que têm frequentemente “Bom” na avaliação, em relação aos que têm “Muito Bom” e “Excelente” bastantes vezes (o acesso ao topo da carreira é mais dificultado aos primeiros, sem que seja totalmente posto em causa, o que defendo). Mas, tal como deixei claro no texto, julgo que se deve ir mais longe. Defendo que este seja um factor de distinção nos concursos, de forma a contribur verdadeiramente para a implementação da meritocracia na profissão

    3. A avaliação não tem só as classificações “Bom”, “Muito Bom” e “Excelente”, tem também “Suficiente” e “Insuficiente”. Se sabemos que quase todos os professores vão ser pelo menos “Bons” é porque esta avaliação é pouco eficaz, algo de não tenho dúvidas. Logo, o problema não está consequência, mas no método;

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  4. Hugo diz:

    No meu ponto de vista o resultado da avaliação não deveria ser considerada para efeitos de concurso porque pura e simplesmente existem quotas para o muito bom e excelente. Ora se um docente é impossibiltado de ter muito bom (exemplo) devido a esse constragimento, será justo que seja ultrapassado por outros que, por estarem em escolas diferentes, não o têm? Parece-me que não.

  5. João Torgal diz:

    Hugo:

    Isso é outra questão, que se prende com um sistema de quotas que, pelo menos a nível de escola, é mais que discutível. Agora, pergunto eu, faz sentido que “Bom”, “Muito Bom” e “Excelente” não tenham diferenciação significativa? Eu julgo que não (para que a avaliação tenha alguma efectividade) e o concurso é uma forma bem mais justa de a concretizar do que num impedimento mais forte à progressão na carreira de professores com “Bom” (mas o problema está na base, no facto de continuar a não existir um modelo de avaliação decente).

  6. Hugo diz:

    Existem muitas hipoteses de obter uma diferenciação positiva: progressão mais rápida(já existente), prémios monetários, menções honrosas, etc. Agora, devido à falta de objectividade da avaliação (que começa na atribuição de turmas boas ou más…) e principalmente às quotas não será justo anexar o resultado da avaliação ao concurso. Deve-se priveligiar a competencia ou a sorte? Um professor contratado chega a uma nova escola e por razões de existência de quotas vê a sua nota hipoteticamente diminuida para bom (inumeros casos de avaliações quantitativas superiores a 8 e qualitativas bom)…será justo não ser bonificado em um valor?Há muitas escolas onde o factor de desempate é a …idade. Um valor significa um ano de serviço com horário completo. Fui avaliado e felizmente tive quota mas não é por isso que concordo com a proposta de anexar a avaliação ao concurso.

  7. João Torgal diz:

    Lá está, a falta de objectividade na avaliação… Se apanhar turmas más é indício de uma avaliação pior, então vemos logo a falta de justiça e de eficácia deste modelo.

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