Notas cinematográficas breves

Aqui ficam alguns comentários muito breves e resumidos a filmes de 2009 que vi recentemente:

Nas Nuvens, de Jason Reitman

 Muito mais do que  comédias românticas  (em geral não gosto, mas não contesto), irrita-me  quando estas se apresentam pretensiosas e com ambições de uma falsa intelectualidade. É o que acontece neste filme, em que uma abordagem simplista à questão do desemprego e uma banda-sonora com nomes magníficos, como Elliott Simith ou Crosby, Stills & Nash, servem apenas para disfarçar um argumento confrangedoramente pobre e medíocre. Se a vontade de ver “Juno” já não era muita, agora terá desaparecido de vez. 

Os Homens que Matam as Cabras só com o olhar, de Grant Heslov

Quando vi o título do filme acreditei que este seria enganador, escondendo um certo teor de seriedade, ou que poderia estar aqui uma linha de comédia próxima dos Cohen, de Tarantino ou pelo menos da lógica eficazmente descartável da série “Ocean’s…” (11, 12 e 13). Puro engano. O que aqui temos é apenas uma paródia ridícula, com pouca piada e o desperdício de um elenco forte (Jeff Bridges, George Clooney, Kevin Spacey ou Ewan McGregor).

Um Homem Sério, de Joel & Ethan Cohen

Por falar em irmãos Cohen, eles estão de volta depois do aclamado e galardoado “Este país não é para velhos”. Embora mais soft do que grande parte da sua obra, a película contém os seus habituais condimentos, assentes em histórias banais e mundanas que se transformam, de modo surreal e com um humor negro genial, em cenários de violência e tragédia (há aliás alguma semelhança de argumento com “Fargo”, na base do homem comum a quem a vida se desmorona num ápice). Volta a ter momentos e diálogos deliciosamente delirantes, mas falta aqui algum traço de criatividade, nomeadamente naquele final excessivamente non-sense, para que voltemos a ter aqui uma obra-prima.

Sacanas sem Lei, de Quentin Tarantino

 E por falar em Tarantino, só há pouco tempo é que vi o seu tão elogiado último filme, sucessor de “Death Proof” (não vi) e do grande passo em falso que foi “Kill Bill”. Mestre do humor negro, Tarantino enveredou agora pela sátira ao nazismo, sem nenhuma pretensão de rigor histórico, numa obra recheada de grandes diálogos, deliciosas cenas com um fim trágico mais que anunciado e com um pré-climax prolongado até ao limite (imagem de marca do realizador) e grandes interpretações, com destaque óbvio para Christoph Waltz, no papel de Coronel Landa, o “caçador de judeus”. Não foi o filme colossal que eu esperava (talvez pela expectativa ser tão alta), mas é o regresso do cineasta norte-americana à grande forma, aos tempos dourados de “Cães Danados”, “Pulp Fiction” e “Jackie Brown”.

Invictus, de Clint Eastwood

         Pode ser uma obra menor de Clint Eastwood, mas enquanto tributo ao papel pacifista e agregador de um povo de Nelson Mandela (escolha óbvia e naturalmente bem sucedida de Morgan Freeman para o papel), não deixa de ser um filme sentido, bonito, extremamente honesto no seu propósito e quase linearmente didácico, pela forma simples como aborda a história da África do Sul, expõe o fenómeno da intolerância racial e faz a apologia do famosíssimo slogan “todos diferentes, todos iguais”

P. S.: Percebe-se, depois de ver “Invictus”, o porquê de José Sócrates ter ficado tão sensibilizado com o filme, ao ponto de o referenciar num discurso. É que há realmente traços de idealismo e de humanismo de Mandela que são facilmente visíveis em Sócrates. Tal como, em relação ao desporto, Sócrates pretenderá aproveitar o Campeonato do Mundo de Futebol para reunir um povo em torno da sua identidade e de um ideal humanista forte, ao som desse espelho forte da cultura popular e tradicional portuguesa, como é o “I Got a Feeling” dos Black Eyed Peas.

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Uma resposta a Notas cinematográficas breves

  1. Rita diz:

    Um grande filme que vi recentemente no cinema foi “Shutter Island”…interpretação magnífica de Leonardo DiCaprio e história que mantém até ao fim o suspense (mesmo quando estamos cheios de sono às 2 da manhã numa sala de cinema :P)

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