Uma ideia para ajudar o meu país!

Como devem calcular, o bem-estar do meu país – da minha Pátria – preenche-me os pensamentos quotidianamente. Durante essas profundas divagações, surgiu-me aquela que pode bem ser a chave para um futuro promissor para este nosso rectângulo, mais especificamente para os seus problemas orçamentais.

A minha sugestão é que se converta o nosso sistema fiscal numa lotaria gigante. Passo a explicar:

Tendo em conta a apetência do povo português para o jogo, bem como a sua total abstracção em relação à teoria das probabilidades (e.g. a aparente indiferença em relação ao facto de ser mais provável ser atropelado a qualquer momento ou morrer de morte súbita do que ganhar o Euro Milhões), proponho que o Estado passe a cobrar impostos sob a forma de lotaria.

Cada pessoa desconta parte do seu vencimento para impostos, sendo esse dinheiro direccionado para um bolo, detido pelo Estado, sobre o qual este faz, subsequentemente, um sorteio. O Estado fica com a diferença entre o bolo total e o montante dos vários prémios, o qual representa uma percentagem mínima, mas um valor bastante atraente – muito atraente mesmo – para qualquer contribuinte individual.

No pior dos casos, este sistema seria inócuo, e tudo ficaria mais ou menos na mesma. No melhor dos casos, os portugueses entusiasmavam-se com a coisa, o que daria capacidade ao Estado para subir impostos sem ser especialmente impopular e, ainda, diminuía os incentivos para a fuga aos impostos, para aqueles contribuintes que estivessem mesmo na fronteira entre o “sim” e o “não”.

Em suma, tal sistema, se bem sucedido, seria um exemplo de uma situação win-win, na qual o país, na forma do Estado, fica melhor, o mesmo acontecendo aos seus habitantes, que beneficiariam não só das melhores políticas governamentais derivadas do aumento de fundos, como de um melhor direccionamento da sua “veia apostadora”, por comparação com a actual fúria pelo Euro Milhões.

Ou, então, com alguma probabilidade, isto é só mesmo uma ideia muito estúpida… 🙂



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4 respostas a Uma ideia para ajudar o meu país!

  1. não é de todo ridicula a tua ideia! Pelo menos eu deixaria de pagar impostos.
    Mas põe-se algumas questões:

    1- Para que o sistema fosse realmente eficaz teriamos de proibir euromilhoes, raspadinhas, totolotos e etc. Já vejo os problemas que isso daria com as autoridades da concorrencia da uniao europeia.

    2- A maior parte desses jogos de azar tem uma politica de distribuição propria já que ligadas a instituições como a santa casa da misericordia. é um mecanismo informal de segurança social que liberta o estado de varios encargos, mas que tambem colmata as falhas deste na redistribuição. Para se assumir este modelo, teriam de se assumir muitas outras responsabilidades que não estão formalizadas e que seria perigoso esquece-las.

    3-Imagine-se que, numa eventual ma gestão do orçamento de estado, o “bolo” final pagava as favas e não sairia tão atractivo. Menos pessoas jogavam e o premio da lotaria seguinte não aumentava. Não seria um circulo vicioso até ao colapso do país?

    4- a dita “febre” do euromilhoes só se verifica quando este proporciona um premio exorbitante. Se esse mesmo bolo se torna uma coisa comum, será que verias essa mesma afluidez absurda, ou seja, a participação generalizada? E assim voltamos ao ponto 3.

    São só suposições que até podem não ter logica nenhuma, mas seria igualmente de loucos ter um sistema como o que propoes. Se bem que, atenção, tendo a coisa bem estudada não me parece idiota por ai além. 😉

  2. Afonso Eça diz:

    e pah ó Zé, n vinha aqi a mto tempo, e apanhar logo com uma destas!

    n t esqecas q o valentim loureiro é o homem q mais vezes ganhou a lotaria em gondomar!

  3. teresa diz:

    Mas olhe que até nem está mal pensado?
    Em gestão chama-se a isso visão estratégica: pegar no problema (evasão fiscal) e criar uma oportunidade de melhoria substancial dos resultados (cobrança da receita) a partir de um ponto fraco dos contribuintes (baixa consciência dos deveres de cidadania e apetência pelo lucro gratuito).
    E eis como um defeito nacional se torna de repente num ponto forte: o efeito irresistível do cheiro da lotaria sobre a mente do tuga.
    Um bom macro-bsc.
    Venda-o ao ministro antes que alguém lhe roube a ideia!

  4. José Maria Pimentel diz:

    Eheh, obrigado! 🙂

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