Luto…

… pela morte de António Sérgio, aos 59 anos, vítima de ataque cardíaco.

Com a sua voz rouca e quase cavernosa tão peculiar e o seu papel de verdadeiro divulgador de excelência, António Sérgio era, até hoje, um dos maiores vultos vivos da rádio portuguesa, com programas míticos como “Som da Frente” ou “Hora do Lobo”.

Actualmente, o radialista era o responsável pelo programa “Viriato 25” na Radar, uma das pouquíssimas rádios que ainda preserva uma certa lógica de rádio de autor, mas que infelizmente só emite na zona de Lisboa. Isto porque,  fruto do espírito preverso, tacanho e puramente mercantilista em que se tornaram genericamente as rádios nacionais, com playlists “encomendadas” pelas editoras, fantoches como locutores e ausência total de criatividade e inovação, António Sérgio foi há cerca de dois anos escandalosamente dispensado da Comercial.

Fica aqui a minha mais profunda homenagem a este grande nome da comunicação nacional, que, infelizmente, muito por causa das horas tardias a que, por norma, iam para o ar os seus programas (geralmente de madrugada), não pude ouvir tão frequentemente como gostava. Na hora da despedida, ficam as suas palavras sábias sobre o que são hoje em dia as rádios nacionais:

“Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe: ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não te faz comprar discos”

António Sérgio, in Blitz, Novembro de 2007

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3 respostas a Luto…

  1. José Maria Pimentel diz:

    A questão é que isso nem lógica mercantilista é. Se bem me lembro, saiu há uns tempos um artigo em q se comparava os tops de vendas com os tops de músicas tocadas na rádio. E a verdade é que quase não se interceptavam!

  2. Paulo Pereira diz:

    Porque a música que conheci, 80%, foi ele que me deu a conhcer. Só alguns: new order, jesus and mary chain, love and rockets…mas também…frankie goes to hollywood, it`s immaterial, propaganda…mas também…dead can dance, this mortal coil…MUITO OBRIGADO PARA SEMPRE

  3. João Torgal diz:

    É mercantilista na perspectiva de que as músicas passam porque as editoras pagam e porque não há nenhuma vontade de arriscar em coisas realmente novas. É que, hoje em dia, os discos não são a única forma das editoras e dos agentes dos músicos ganharem dinheiro. Desde os concertos, até aos toques de telemóveis, passando pelo merchandising da banda ou dos artistas, são várias as formas de ganhar dinheiro com certa “música”.

    Mas que as rádios privadas optem por esse caminho, pode ser triste e revoltante, mas não é efectivamente mais que isso . Agora as rádios públicas, como a Antena 1 ou a Antena 3, pagas com o nosso dinheiro e que se têm progressivamente degradado e aproximado das demais, isso já é verdadeiramente vergonhoso e perverso.

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