Algumas reflexões, “à lá” Jose António Saraiva

PP: O grande vencedor, em toda a linha. Mais, e agora é uma opinião puramente pessoal, Paulo Portas fez uma excelente campanha. A todos os níveis: arruadas, debates, intervenções e escolha dos temas a abordar. Não acho que tenha sido particularmente demagógico. Pelo contrário, foi do mais claro (como o próprio frisou diversas vezes) que já lhe vi. O problema é que ainda me lembro do resto que vi dele… Mas, é preciso dizê-lo, Paulo Portas é um político brilhante. Já o acho há muito (e já algumas vezes vacilei na convicção com que o digo, reconheço). É muito bom nos debates, nas arruadas e nos comícios (por esta ordem). Para além disso, o PP fez, quanto a mim, a par do BE, a melhor oposição ao PS desta legislatura. Nos antípodas da do PSD, por sinal. Na campanha, ajudou também a comparação com Manuela Ferreira Leite: dum lado a habilidade, do outro o seu antónimo.

PCP, perdão, CDU: Neutral, constante, enfadonho, mas seguro. Ser militante do PCP deve ser dos ‘hobbies’ mais secantes que se pode ter. A campanha é um mero pro forma, que é necessário suportar. Não há ideias novas, não há discursos novos. Os debates não interessam. Como provam as audiências fracas de todos os debates em que Jerónimo participou e, também, a insensibilidade do voto no PC nas sondagens a este factor (como a todos os outros). Depois do seu papel relevante no pós-25 de Abril, o PCP tem mantido uma percentagem relativamente constante. Manter-se-á assim até Portugal, se isso algum dia acontecer, crescer economicamente. Ou, já agora, no sentido contrário, até estoirar de vez. Um último comentário: o PCP é, de facto, avesso ao mediatismo. Numa clara amostra de inabilidade, decidiu não comentar de imediato os resultados, dando azo a que todos os comentadores fossem especulando relativamente à dimensão de derrota que o resultado alcançado tinha. É que apenas dois partidos não comentaram de imediato: a CDU e o… PSD.

BE: O segundo vencedor da noite. Foi votado a um segundo plano pelo PP. Na minha opinião (é mera especulação, mas o que é facto é que já o pensava antes do dia de hoje)  o BE não alcançou os 12% muito por culpa da fraca (relativamente às expectativas) campanha de Louçã. E fraca porque a prestação do líder (perdão, do ‘coordenador’) foi bastante abaixo das expectativas e, sobretudo, pôs a descoberto diversas incongruências no programa do Bloco*. Ainda assim, cresceu substancialmente, ultrapassando à sua esquerda a CDU. É uma força importante e, sobretudo, com elementos de futuro (Louçã exclusive). Não pude, contudo, deixar de achar de uma demagogia extrema o discurso de Louçã. Sócrates tinha razão, parecia que o líder do BE tinha acabado de ganhar. Não, teve apenas 10%.

PS: Vencedor, mas pouco. Ganhou sobretudo pela comparação com o que se ‘esperava’. Por comparação com 2005, perdeu 9% de votos o que é quase… um bloco de esquerda. Para além disso, teve uma votação inferior àquela esperada pelas projecções iniciais. Mais uma vez especulando, este resultado parece-me uma condenação de alguns aspectos da governação de Sócrates. Da educação, parece-me inegável. Da agricultura, por ventura (em virtude do discurso de Portas). Da economia. Das duas economias, aliás: da do ministro Pinho. E da da crise (a qual hesito em personalizar no ministro, que me parece ser dos melhores deste governo). E, finalmente, das obras públicas e do ministro ‘tutelante’, o exuberante Lino. O resultado é, porém, também o prémio a alguns aspectos de Sócrates como líder. A campanha foi boa e positiva, com enegergia e boa onda. Teve como ponto alto, quanto a mim, os debates. E beneficiou, claro, da fraquíssima oposição de MFL.

PSD: O grande derrotado da noite. Ou, melhor dizendo, a grande derrotada. MFL não tem culpa de não ser mediática. Mas tem culpa de ter sido má governante das duas vezes que lhe foram dadas oportunidades. E tem culpa, também, de ter optado pelo moralismo. Um moralista é como um objector de consciência, quando incorre no ‘pecado’ que condena, é penalizado com o dobro da intensidade. Á atenção de Louçã, por sinal. Voltando à questão, o PSD, em condições muito melhores, fez um resultado quase idêntico ao do descredibilizado Santana Lopes. Estou convicto de que outro líder teria ganho.

É esta a minha análise.

Para tirar um pouco da suposta imparcialidade “à lá” José António Saraiva (que pontifica semanalmente há mais de 20 anos sem que se saiba quais as suas convicções políticas), revelo que votei em branco. A muito custo e depois de muita reflexão. A verdade é que não poderia dar o meu voto nem a alguém que mente demais nem a alguém que erra demais (ou, por outras palavras, é incompetente). Para além disso, embora estivesse disposto a engolir esse sapo, nenhum dos partidos representa aquilo em que acredito. Infelizmente, não existe em Portugal um partido liberal (moderado). Um partido que se proponha a soltar a economia do entorpecimento brutal que o Estado provoca e que baseie a sociedade no mérito (sem no entanto descurar os aspectos que fazem da nossa sociedade superior à americana). E um partido que, ao mesmo tempo, tenha na sua linha programática uma clara linha progressista, nomeadamente em matéria de sociedade e costumes. Em suma, um partido que ache que o Estado não se deve ingerir na nossa vida privada em tudo o que extravasa as suas naturais competências.

* É curioso como no bloco coabitam várias tendências. O problema é que apenas uma, a de Louçã, está presente no programa político do partido. O programa do BE é mais extremista que o do PCP. Quem os vê não diria. Este paradoxo tem um potencial explosivo assim que o bloco tenha que ser poder. Será que está para breve?

Com este post – e visto que é segunda-feira – gostava de reiniciar (seguindo o mote da Marta) a nossa linha pré-férias. Se não me engano, amanha é o Miguel!

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