40 Anos de Solidão?

“Domingos Lopes abandonou o PCP enviando à direcção uma carta de seis páginas, datada de 7 de Setembro último, em que deixa violentas críticas ideológicas e políticas mas também de actuação pessoal no partido. O gabinete de imprensa do PCP recusou fazer qualquer comentário à saída deste ex-membro do Comité Central, que militava há 40 anos.

(…)


Frisando que “o último Congresso do partido passou uma esponja pelo congresso extraordinário de Loures”, este antigo responsável pelo departamento internacional do partido frisa que “o PCP continua a ser o único partido no mundo que mantém o apoio à invasão da Checoslováquia, em 1969, pelas tropas do Pacto de Varsóvia, ao golpe militar da Polónia que levou Jaruzelsky ao poder, à invasão do Afeganistão pelas tropas da URSS”.

Sublinha que “a direcção do PCP considera, de acordo com o seu último congresso, que países como Coreia do Norte e China se orientam para o socialismo, quando o primeiro não passa de uma ditadura familiar brutal que abusivamente se apoderou do simbolismo do socialismo para o ridicularizar” e a China “emerge como uma ditadura do aparelho do partido e do aparelho militar com vista à implantação do capitalismo com o mínimo de sobressaltos sociais…”

in Público

Eu acho piada, e não é pouca, que a terceira maior força política portuguesa não tenha a capacidade de se renovar. Não falo em captar as micro-causas do Bloco, falo em actualizar-se em questões fundamentais como estas. Não consigo compreender como é possível militar num partido que não é capaz de ceder em questões evidentes. Caso se deixasse de confundir com a IURD, seria capaz de captar muitos mais eleitorado à esquerda, parece-me.

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14 respostas a 40 Anos de Solidão?

  1. Tiago R diz:

    Incapacidade de renovar???
    Leu o programa do PCP? Viu a actualidade das respostas? Ouviu falar da média dos cerca de 1000 novos militantes com idade inferior a 30 anos por ano?

    Já agora, parecido com a IURD, porquê? Há alguma razão ou disse isso só por dizer?

    Se é para se limitar a papagaiar os estéreotipos que lê nos jornais para que´é que lhe vale a per ter um blogue?

  2. António P. Neto diz:

    Caro Tiago:

    Lamento se o ofendi de algum modo. Não foi essa a intenção. É sempre assim, quando se fala de religiões – fere-se susceptibilidades (isto é uma piada à forma quase religiosa como uma boa parte dos militantes do PC – não toda – defendem as suas causas). Então diga-me lá: o que pensa da China e da Coreia do Norte? E já agora, de Cuba? Da actual organização interna do partido? Da presença de militantes das FARC na Festa do Avante? Dependendo da sua resposta, poderemos continuar esta discussão – ou não.

    Quanto ao seu último parágrafo, afianço-lhe que costumo ler coisas parecidas. Nos blogues de militantes do PNR.

  3. Tiago R diz:

    Dedico-me mais a pensar sobre Portugal e sobre os problemas do nosso povo. O patriotismo é uma parte muito central do pensamento do PCP. ´

    Quanto à forma como os militantes do PCP defendem as suas causas, chama-se convicção e é fundada em argumentos racionais, apesar de haver religiões que reclamam o mesmo…

    A maneira apaixonada, por vezes até meio “fundamentalista” como defendem as suas ideias tem a ver com a forma como se entregam a um ideal, pondo o melhor de si próprios, tudo de si próprios na luta por um mundo melhor.

    Não me ofendeu, de forma nenhuma, senão não me daria ao trabalho de comentar.

  4. José Maria Pimentel diz:

    1. 1000 novos militantes com menos de 30 anos…e quantos votos reais com menos de 30 anos, comparado com os outros partidos?

    2.”O patriotismo é uma parte muito central do pensamento do PCP.”

    LOL! Sim, o Cunhal, de facto, era um grande patriota….da URSS. (e não digo isto a brincar, é a mais pura das verdades).

    3. Espantoso como este senhor conseguiu escrever dois comentários sem nunca falar do tema principal do post: o facto de o PCP defender crimes contra a humanidade e regimes totalitários. Espantoso… É que no fundo, Tiago D, isto é que está em discussão…

  5. Tiago R diz:

    Começa a tornar-se aborrecido responder a quem não apresenta um único argumento fundamentado.

    Sobre os escalões etários: à excepção das sondagens, conhece algum (um único) estudo de base científica fiável que lhe possa garantir que os jovens votam mais ou menos na CDU, ou em qualquer outro partido?

    Sobre o patriotismo: o PCP e os seus militantes fizeram muit mais pela indepdend^rncia deste país, nomeadamente face às grandes potências europeias e americana do que qualquer outro partido, mesmo aqueles que, com deselegância invoca, sem provavelmente ter lido uma única linha da sua obra. É que por escrever “é a mais pura das verdades” não faz com que seja assim.

    Pensei que o tema do post era a saída de Domingos Lopes do PCP… Quanto ao PCP defender regimes totalitários, há de me dizer em que posicionamento oficial do Partido é que se baseou…

    Quanto a crimes contra humanidade: apetece-lhe falar de Israel ou da Somália, ou do Sudão, ou da Turquia, ou do Afeganistão, ou do Iraque e do posicionamento dos partidos do centrão sobre estes países?

  6. José Maria Pimentel diz:

    1. “Sobre os escalões etários: à excepção das sondagens, conhece algum (um único) estudo de base científica fiável que lhe possa garantir que os jovens votam mais ou menos na CDU, ou em qualquer outro partido?”

    Precisamente…daí o seu argumento original ser baseado em provas, no mínimo, fracas. Basta-me negá-lo, não preciso de o contradizer.

    2. Apetece-me. Condeno-os a todos. Já o PCP parece ter como critério de decisão se os “alegados” crimes têm ou não os EUA como actor.

    3. Mais uma vez, ficámos sem conhecer a sua opinião. Quanto à do PCP como partido, dir-lhe-ia que a aprovação implícita não deixa de o ser. Desde a célebre declaração do Bernardino Soares (“não tenho a certeza de que a Coreia do Norte não seja uma democracia”) aos editoriais do Avante de defesa implícita do regime iraniano, passando pelo convite ao braço político das FARC e pelas saudações a Cuba, terminando no apoio à China. E, já agora, (faltam-me coordenadores de discurso, tantos são os exemplos), a relação “difícil” com o passado da União Soviética e aquela patética recusa no parlamento em aprovar o voto de louvor (ou lá o que era) pela libertação da Ingrid Bettencourt sugerido pelos outros partidos.

    Como vê, não são poucos os exemplos. E o editorial do Avante parece-me bem, para “posicionamento oficial”.

  7. Tiago R diz:

    Não valendo a pena entrar em silogismos… apenas sobre o ponto 3 do seu comentário:

    Mistura, propositadamente situações e países muito diversos, perante os quais o PCP tem atitudes diferenciadas. Misturar regimes totalitários (ainda que anti-imperialistas) como o chinês ou o coreano, com Cuba ou Venezuela é, no mínimo, desonestidade intelectual.

    Um facto: O PCP recusou aprovar o voto sobre Ingrid Bettencourt (de quem publicamente saudou a libertação) porque este demonizava as FARC, negando-lhe o seu carácter de movimento de libertação e procurava ocultar os crimes do Regime de Uribe.

    Já viu a quantas léguas estamos da saída do Domingos Lopes? Se era sobre isto que lhe apetecia escrever, não precisava do subterfúgio de mais um dissidente!

  8. José Maria Pimentel diz:

    Venezuela??

    Eu tive o cuidado de não falar da Venezuela por considerar que o regime de Chavez não encaixa nesta definição. Mas tudo bem…

    Quanto a Cuba, sim, é um regime totalitário, ponto. Ou há lá eleições diferentes das que havia em Portugal antes do 25 de Abril?

    Finalmente, relativamente as FARC, o voto de louvor tratava-as apenas pelo que são: terroristas. E não ocultava os crimes do Uribe. São coisas diferentes, o voto de louvor é sobre aquela situação pontual, não faz um apanhado geral da história política colombiana ou, já agora, da América Latina. E as FARC são uma organização terrorista, que mantém em cativeiro e em condições terríveis os adversários. O PCP não concorda, bem o sei, caso contrário não teria convidado o seu braço político para a festa do Avante. “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”, é um provérbio que se aplica. Espero que não se confirme.

  9. Tiago R diz:

    “o voto de louvor é sobre aquela situação pontual, não faz um apanhado geral da história política colombiana”.

    Não lhe parece um bocado tolo andarmos a fazer votos de louvor sobre situações noutros países sem percebermos e contextualizarmos o que estamos a louvar? Falar numa coisa sem falar na outra é mistificar a história.

    Quanto à democracia cubana, eu até podia tentar explicar-lhe, mas já se percebeu que a sua estreiteza de vistas não consegue ultrapassar a noção de democracia como simples existência de pluripartidarismo ou, de preferência, rotativismo PS-PSD!

  10. João Gil diz:

    Não duvido que o Tiago teria o maior prazer em explicar-nos como a democracia – a verdadeira, a dele – floresce sem sobressaltos na ausência de adereços decorativos como o pluripartidarismo, a liberdade de imprensa, de associação ou de manifestação. Poupo-lhe a homilia.
    Não consigo lembrar-me de um regime de inspiração marxista-leninista que não se tenha estabelecido rapidamente como um governo totalitário. Isto, pelos vistos, não tira o sono ao Tiago R., assim como não tirou ao Domingos Lopes durante 40 anos. Não duvido que ambos estejam carregadinhos de convicção e de argumentos racionais para o facto nem tal me choca profundamente.
    Já me faz mais espécie que o militante Domingos Lopes tenha demorado 40 anos a aperceber-se que os tanques em Praga, a lei marcial de Jaruzelsky, os informadores da Stasi ou um certo muro em Berlim não foram as páginas mais lustrosas da história do último século. O facto de não ter sido agora convidado para renovar a sua candidatura pelo PCP pode estar na origem desta epifania mas eu não estou aqui para adivinhar as motivações de ninguém.

  11. José Maria Pimentel diz:

    Deve ser mesmo “estreiteza de vistas”, mas, de facto, não consigo ultrapassar o pluripartidarismo na democracia… Deve ser mania. O nosso amigo Fidel não teve tais problemas. Nem ele nem Salazar, Franco, Mussolini, etc…

    P.S. E mais uma vez, o camarada Tiago R consegue “enfiar” comentários atrás de comentários sem dar a sua opinião explícita sobre nenhum dos exemplos dados. Apenas, qual editor do Avante, nos informa implicitamente de que partilha do ponto de vista do seu partido em relação aquilo que os outros – os pluripartidários da treta – consideram regimes totalitários e, por vezes, criminosos.

    P.P.S. Quanto ao voto de louvor, não concordo com a sua posição. Mas, ainda assim, reconheço que é, de todas, a menos condenável posição do PCP. Aliás, considero eu e o senhor, caso contrário não teria omitido todas as outras, optando por abordar esta. 😉

  12. Tiago R diz:

    Você faz um post sobre a saída de Domingos Lopes e quer falar sobre tudo menos sobre isso.

    Não me conseguiu explicar o que é que o PCP tem a ver com a China ou com a Coreia ou com qualquer outro país que não seja Portugal. (Quer discutir situação internacional? muito bem. Faça uns posts sobre o assunto. Comentarei o que me apetecer.)

    Afinal quem é que anda a fugir aos assuntos?

    E, entretanto, não se irrite. Olhe que o anti-comunismo primário começa a vir ao de cima…

  13. José Maria Pimentel diz:

    1. Eu não fiz o post. Mas não há grande coisa a dizer sobre este caso. Apenas que o senhor demorou uma eternidade a perceber o que está na génese do PCP e, a partir daí, nada mais nos resta que pegar neste caso particular para analisar o caso geral, ou seja, a posição do partido nestas matérias. Coisa que o senhor, mais uma vez, não quer fazer. Penso que terá aqui matéria suficiente para tentar refutar, ou precisa mesmo de um “post”?

    2. A única irritação que consigo deslindar está no seu insulto “estreiteza de vistas”. Mas tudo bem, é um recurso fácil e eficaz acusar os outros de nervosismo e irritação.

    3. Tem a ver na medida que defende esses regimes, escudando-se no desconhecimento da maioria dos seus votantes dessas mesmas posições. Mas tudo bem, cá vamos nós no enésimo comentário e o senhor sem dar a sua opinião.

    P.S. E este será o último comentário se a ele não se seguir uma discussão das posições do PCP relativamente a política internacional.

  14. Tiago R diz:

    1. Nenhuma das matérias invocadas por Domingos Lopes está “na génese” do PCP. Nem o PCP e o seu projecto político são responsáveis, seja lá de que maneira for, pelo que se passa ou deixa de se passar nos países que mencionou. Respondemos perante o povo português, apenas. Aliás foi essa a razão porque sempre recusámos os projectos euro-comunistas e o actual “Partido Europeu da Esquerda” que tanto entusiasma o BE.

    2. Confundir pluripartidarismo com democracia é, de facto, ter uma visão muito estreita do que é a democracia. Lamento que se tenha sentido ofendido. Mas em todo o caso lhe digo que o pluripartidarismo, no programa do PCP (não o eleitoral, mas o permanente) “Uma Democracia Avançada” é uma componente absolutamente fundamental da construção de um regime socialista em Portugal.

    3. Eu escudo-me é na minha própria ignorância sobre esses países e regimes. É que não me sinto capaz de ir ensinar os chineses, os venezuelanos, os cubanos ou os coreanos como é que devem viver ou governar-se. É uma questão de humildade.

    PS: o blogue é seu. Você tem todo o direito de escolher o que discute ou não discute. Eu também.

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