Tenho estado a pensar num título

Parte I

Barack Obama disse, num discurso em Acra, no Gana, que “o futuro de África pertence aos africanos” e que o mundo será o que os africanos fizerem dele. Não podia estar mais certo José Manuel Fernandes quando nos diz que se “no lugar de Obama estivesse um branco a dizer aos africanos para limparem a porcaria que têm feito, todos tomariam isso como um insulto; como foi um irmão que nos falou assim, ouvimos as suas palavras como um conselho”. Na verdade, Obama tem dito algumas coisas importantes: pôs um travão a Israel e abandonou  a política neoconservadora e messiânica de Bush, pelo menos para já. Francis Fukuyama – autor do conhecidíssimo “O fim da história e o último Homem” – explica, na sua obra mais recente (“Depois dos neoconservadores – a América na encruzilhada”), as traves mestras dos “neocons”. Uma dessas linhas gerais é a de “pensar que o poder americano tem sido e poderá ser usado para fins morais, e que os Estados Unidos têm de permanecer envolvidos na política internacional”. Ou seja, a ideia é a de que a conformação interna dos regimes é importante na medida em que a política externa deverá reflectir os valores mais profundos das sociedades liberais democratas. E daí que haja uma dimensão realista na política externa neoconservadora, “que reside no entendimento de que o poder é, com frequência, necessário para se atingirem objectivos morais”. A segunda linha geral é a do cepticismo relativamente à legitimidade das instituições internacionais e do “direito” internacional no seu todo. Para os “neocons”, “ o direito internacional é demasiado fraco para fazer cumprir as regras e impedir a agressão”. Nos dicursos de Obama denota-se, claramente, um travão a esta política: afirmação dos direitos do Homem, entenda-se, dos direitos do Homem enquanto património universal (o que também não é uma questão incontroversa, já que a “formalização” desses direitos tem matriz ocidental) e não enquanto património americano, mas respeito pelas evoluções e involuções dos povos, negando a possibilidade da democracia ser imposta de fora e pela força. Como em todos os discursos que não são pretos nem brancos, o futuro permanece uma incógnita, porque está dependente da diplomacia e não já tanto dos tanques americanos.

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