Ladrão que rouba ladrão

A minha crónica deve aparecer escrita ao sábado.

Achei curiosa a notícia de um assalto a um famoso “jantar da bolha”. Assim, em vez de retocar Loureiros ou mães biológicas russas alcoólicas, vou dedicar as minhas escritas a outro podre mais presente e mais abafado ainda na sociedade miserável que harmoniza o nosso dia-a-dia.

Para quem tem a felicidade de não conhecer tal pérola, começo por quebrar a ingenuidade ao sugerir esta explicação.

Faz mais que um ano que estava em casa e já a noite ia tardia, quando recebo um telefonema de alguém que queria falar comigo no dia seguinte de manhã acerca de uma proposta tentadora que me ia interessar de certeza, pois fazia ganhar dinheiro através de uma forma que o multiplicava “por razões matemáticas complexas”. Ao outro dia fui, desconfiado, conhecer a dita proposta sem esconder a minha curiosidade pelas “matemáticas complexas” e pelo “todos ganham”… Só de ver o diagrama, pareceu-me óbvio o grau de ingenuidade (seria ingenuidade?) de quem propunha a quem quer que fosse um “contrato” com tamanha dose de desonestidade.

Era óbvio que um circuito destes era altamente falível e que o milagre que iludia todos os orangotangos que entravam num esquema destes era que no entretanto de quem participa entrar e, posteriormente, ganhar abrem 16 bolhas, com 16 participantes cada uma. Algum dia estes 256 que, hipoteticamente tenham entrado conseguem chegar todos ao fim? Se chegar metade é um milagre… Ao contrário da economia do mercado de factores (terra, trabalho e capital), que, caso funcione de forma eficiente, no longo prazo todos ganham, neste sistema calculista e promíscuo, no médio prazo, todos perdem e no longo prazo o sistema ia falir, claro.

Qual não foi o meu espanto no fim-de-semana passado ao ligar a televisão e ver a notícia do “assalto ao jantar da bolha”. Jantares gigantescos nos arredores do Porto, onde, segundo parece, este jogo nojento continua a dar cartas. O espanto não foi por ter havido um assalto (uma vez que naquele meio devia ser só gente boa…), mas sim por, quase passado um ano, ainda andarem com esses esquemas manhosos.. Gentalha que, para além de ter dinheiro a mais, é estúpida.

Chamem-lhe tramóias, chamam fenómenos sociais, chamem formas de negócios, para mim não passa de tentativas de enganar em cadeia na tentativa desesperada de lucro fácil. E em mundos destes, meus amigos, até concebo que haja quem efectivamente pense que pode ganhar muito por ser impostor ou mais espertalhão que os outros. O que tem piada é a moral da história: por muito impostor que qualquer um consiga ser, vai haver sempre sempre alguém a conseguir ser mais charlatão ainda e facilmente passa a perna. Escolhas…

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Sobre Zé Bandeirinha

Não vi nada, não sei nada, nem sequer estava aqui. Nada a ver com isso, quem vier que diga, que não é nada comigo.
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3 respostas a Ladrão que rouba ladrão

  1. Uma rapariga mexicana que conheci aqui há uns dias estava a falar desse jogo! Disse que ela e o namorado faziam parte disso e explicava a “lógica” da coisa como se fizesse muito sentido… eu só pensava que vigarice era aquela e como é que alguém se metia nisso. Já uma outra rapariga holandesa disse que quando eram pequenos faziam esse jogo na escola, mas com postais e chocolates 😛

  2. Quando fores velha ofereço-te a cópia do livro que vou escrever em que vou modelar a economia de cada país de acordo com como quem aldraba quem no “jogo” da bolha.

  3. Tens de ser o charlatão. Nesta selva, ou comes ou és comido 🙂

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