Gender Mainstreaming

Esta reflexão surge na sequência do texto da Marta relativo a lei da paridade ou ainda do post do José sobre as Mulheres no Quénia e sobre o ensino.

Confesso que, até há relativamente pouco tempo, a interminável historia sobre a discriminação das mulheres não me despertava particular interesse. Porquê tanta celeuma? As mulheres, após um século de vagas feministas, não conseguiram já o estatuto pretendido, isto é, o de igualdade perante o homem?

Pensei, sim, que as discussões actuais eram sobretudo em torno de ninharias ( ex.: “Direitos do Homem” ou “direitos universais”? Apesar do “H” grande, esta denominação ainda estava, até há pouco, na agenda de alguns lobbys feministas europeus.). Pensei igualmente que, se havia de facto discriminação, tratava-se de um “delay” nas mentalidades face ao direito já instituído e que se tratava tudo de uma questão de tempo, e não de manifestação feminista, até que o direito se tornasse efectivo.

Foi precisamente o post da Marta sobre a lei da paridade que me avivou o interesse. Isso e o slogan que vi, não há muito, em Portugal:

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Uma vez que precisava de um toque renovado na minha sensualidade, decidi debruçar-me um pouco mais sobre o assunto.

Ora a questão de haver mais mulheres a viver com o salário mínimo do que homens (9,7% para 4,6%, mais do dobro), como dizia a Marta, é apenas uma gota no oceano. De facto, no trabalho e na politica, na Assembleia da República, na educação, as disparidades são quase escandalosas. Digo “quase” porque muitas destas diferenças são vistas como “naturais”, por elas e por eles. Por exemplo, na educação, é de estranhar ver uma rapariga em engenharia mecânica ou um rapaz em psicologia (e, já agora, sociologia). A única mudança que parece ser efectiva neste panorama é no quadro familiar (repartição de tarefas, sobretudo em casais jovens) e, particularmente, o que é curioso, na cama.

A primeira tem sido alvo de uma serie de politicas que ressalva um novo paradigma nas politicas de género, a segunda é uma mudança de mentalidades (a “performance” conta…).

Espanta-me em ouvir falar  ainda hoje de leis de paridade, sobretudo, se não acompanhada de uma reestruturação de fundo dos quadros políticos. Actualmente, e apelo aos nossos especialistas de serviço para nos presentearem com as suas opiniões, estou em crer que o direito pode, efectivamente,  fazer avançar a realidade.

Senão vejamos, até aos anos 90, o problema residia na dística politicas de igualdade ou de diferença. A mulher deve ser tratada de maneira idêntica, relativamente ao homem, ou de forma diferente?

Qualquer uma das opções apresenta desafios. Por um lado, a politica de igualdade concentra-se sobre os procedimentos, o legal,  e não nos resultados que acabam por demonstrar a ineficácia das acções. Por outro, as politicas de diferença/discriminação, que surgem para colmatar as disparidades entre o legal e o real, “enclausuram” as mulheres numa categoria de acção pública à parte, deixando os homens de fora da resolução do problema, perpetuando resultados insatisfatórios.

Independentemente da opção, estas abordagens tradicionais só actuam a posteriori e nada resolvem: um investimento perdido. Exige-se portanto, e isto é o “gender mainstreaming” (novo paradigma das politicas de género na UE), um direito compreensivo, isto é, que tenha em conta o mecanismo social de reprodução das desigualdades (as mentalidades), que actue ex ante e em “profundidade” (daí eu dizer que a lei de paridade não faz sentido por si só). Mas, sobretudo, inclua os homens na resolução das diferenças.

Quer isto dizer, Zé Maria, sobre o que falavas há uns tempos sobre o ensino, que o facto de os rapazes preferirem futebol ao ballet não é “natural”. É uma representação social. Haverá certamente nuances biológicas a ter em conta, embora as ache pouco significativas. Os rapazes podem apaziguar a sua “reguilice” noutras actividades que não o futebol. Seria mais pertinente perguntarmo-nos, ainda nas diferenças biológicas, porque é que os melhores oradores do mundo são homens quando é a mulher que tem o gene da fala mais desenvolvido. Ou então, se existe mesmo uma predisposição maior nas mulheres para a cozinha, porque é que os melhores cozinheiros do mundo são homens.

Não quer isto dizer que estejas desprovido de razão. Se o ensino primário é “feminizado”, é tão só a confirmação de que ainda são as mulheres que se ocupam desta área do ensino apesar de a maioria ter mais qualificações que o restante universo masculino… este aumenta progressivamente na hierarquia até ao patamar do ensino superior, onde predomina.

É assim senhores, a coisa tem de mudar. Aqui entre nós, a verdade é que elas precisam de nós para isso, rapazes (eh eh!).

 

P.S.: Perdoem qualquer erro grave no português, sinto-me francamente enferrujado.

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Sobre Pedro Ruivo

I have nothing to declare except my genius.
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3 respostas a Gender Mainstreaming

  1. Primeiro que tudo, se achas que o teu sex appeal vai disparar depois de levares em conta a imagem daquele slogan do homem feminista, desengana-te, pois quem pintou aquilo ou foi um gay ou uma mulher tão óptima com quem tu, nem depois de 15 anos na prisão, irias querer ter nada…
    Depois, perante tanta atenção pelas “representações sociais”, juro que fico com medo de pensar na roupa que vais trazer vestida da próxima vez que te encontrar.

    Abraço

    PS: O Português nem está mau para um emigras como tu.

  2. Imagino a tua reacção quando me vires com o meu novo rabo de cavalo.

  3. José Maria Pimentel diz:

    Isso do ballet e do futebol….diria: nem tanto ao mar, nem tanto à terra, para usar uma expressão popular.

    Lá por nunca teres gostado de futebol! 😛

    P.S. Vês, este novo sistema, permitir-te-á desenferrujar o teu português!

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