110 anos de Queima

Foi há algumas semanas apresentado o programa cultural e desportivo da Queima das Fitas, neste ano supostamente majorado pela comemoração do 110º aniversário. Assim, foram expostas com pompa e circunstância algumas das iniciativas em destaque, entre as quais se incluem as seguintes:

     – Miss Queima das Fitas

     – Concurso de luta de almofadas;

     – Jantar do bigode;

Parece gozo, não parece?? Mas não é, é mesmo verdade.

Entretanto, enquanto se preocupa em organizar estas extraordinárias iniciativas, a Comissão Organizadora da Queima das Fitas chumbou a proposta da RUC, TVAAC e Cabra para um Espaço Académica com um Palco Secundário (Palco RUC) onde houvesse espaço para grupos musicais e performativos da casa com menos visibilidade, uma banda mais obscura que considerássemos com qualidade para pisar o palco, um nome mais forte, com algum culto ou potencial mediático, e ainda DJ’s RUC . A proposta foi chumbada porque a Queima das Fitas tem mesmo intenção definida de programar o palco secundário. E para fazer exactamente o quê, que ideias inovadoras terá a Queima para este palco para não abrir mão da suaprogramação?? Nada mais, nada menos do que… um concurso de bandas, algo verdadeiramente único e nunca visto.

Assim se comprova que a queima rejeitou o projecto apenas porque teria que investir alguns fundos no mesmo (talvez 100 vezes menos que no cada vez mais miserável palco principal), porque a aposta da COQF é apenas e só ter lucros exorbitantes, optando assim pela máxima mediocridade e pelo aproveitamento da acéfalia e do analfabetismo cultural cada vez mais presente na academia de Coimbra.

Há quem julgue que esta situação poderá daqui a uns anos fazer implodir a queima, que a estupidificação terá o seu limite e até que, em função do seu desvirtuamento, da sua transformação num pobre e reles festival que poderia ser feito aqui, como em qualquer outro ponto do país, a Queima será usurpada por uma marca capaz de organizar uma iniciativa do género à margem da AAC.  Só o futuro o dirá…

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2 respostas a 110 anos de Queima

  1. Anelar diz:

    Apesar de ter terminado recentemente o curso, considero-me ainda um membro da Academia…Penso que este é e será sempre o sentimento. Contudo, é com muita tristeza que me deparo com este cenário de estupidificação em massa, no qual a Academia se encontra..

    Todos os anos lectivos se matriculam milhares de estudantes que se preocupam essencialmente com o canudo (uns porque gostam do que estão a estudar, outros porque simplesmente são obrigados, já que parece mal para os paizinhos não ter um curso neste país de “doutores”) e com as infindáveis noitadas numa tasca qualquer.Não crítico, de modo algum, estes estudantes, uma vez que também eu me preocupei com o canudo e tive as minhas longas noites…Desgosta-me sim os alunos que SÓ pensam nisto, numa estreiteza de espírito abismal, a qual poderia ser modificada, caso a dita “Academia” se prontificasse a tal.
    O certo é que não interessa que os alunos saiam deste marasmo intelectual, não importa, de todo, ensinar a pensar (que quanto a mim é o lema fundamental de uma universidade, muito mais que o ensino de aspectos técnicos referentes a cada curso)…Isso seria perigoso demais. Pensadores são curiosos, perspicazes, contestam e modificam. Ora, todas são características que não se pretendem em futuros trabalhadores prestes a entrar no mercado de trabalho português, estagnado, e no qual qualquer “abanão” provocará um colapso económico e social (acredito que é possível que a situação económico-social se agrave ainda mais).
    Por tudo isto não convém que nas universidades se ensine a pensar, tarefa na qual os interesses culturais e políticos dos estudantes têm um papel fundamental.
    É por isto que a nossa ACC promove iniciativas estupidificantes, como é o caso das belíssimas “iniciativas culturais” desta queima, em detrimento das propostas (estas sim culturais!) de várias secções da academia, como a RUC ou a Cabra (alguns dos últimos redutos dos que resistem e teimam em pensar).
    Não sou da opinião, contudo, de que sejam os dirigentes da ACC os culpados deste “estado da nação”. Não passam de marionetas nas mãos dos partidos políticos que os financiam (desculpem se parece teoria da conspiração, mas creio que o dinheiro que sustem as campanhas eleitorais não cai do céu). São sim as cores políticas que se encontram bastante interessadas em não “espicaçar” os estudantes e financiar/apoiar projectos altamente lucrativos, exclusivamente do ponto de vista económico.
    Partilho da ideia de que haverá um “turning-point” daqui a uns anos, porque ninguém aguenta isto por muito tempo.Torna-se tóxico. Contudo era muito, mas muito bom, que não chegássemos ao ponto de vegetação pura. Mas, como disseste João, só o futuro o dirá…

    Anelar

  2. João Torgal diz:

    “O certo é que não interessa que os alunos saiam deste marasmo intelectual, não importa, de todo, ensinar a pensar”

    É mesmo isso, Rita. O analfabetismo cultural não será só responsabilidade das actuais gerações e da podridão do genuíno “espírito Juventude partidária lambe botas”, mas das actuais estruturas de poder e com responsabilidades na nossa sociedade, dominadas pela geração acima da nossa, que cada vez mais promovem a mediocridade e a falta de espírito crítico.

    Quanto ao “turning point”, tenho as minhas dúvidas sobre a existência desse boom. Quando penso nesta mediocridade vem-me à memória o “1984” do Orwell, só que concretizado de um modo muito mais eficaz e subtil. A ditadura da apatia e do adormecimento do discernimento das pessoas, sem necessidade de recorrer à violência.
    Mas pode ser que não, pode ser que um nicho de consciência ainda se consiga expandir…

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