Balanço do Balanço Músical de 2008*

ÁLBUNS:

1. Calexico – Carried to Dust – ****/2

Um verdadeiro mix de estilos. Sem um fio condutor explícito, conseguem ter uma música na generalidade agradável. Não dão, porém, o salto. Foi para mim difícil, portanto, eleger uma música a destacar. A primeira – provavelmente por o ser – ficou-me no ouvido. ‘Victor Jara’s Hands’, de seu nome.

2. Fleet Foxes – Fleet Foxes – ****


Ora aqui está o perfeito exemplo do velho ditado: “primeiro estranha-se, depois entranha-se.” Não fosse o facto de estes senhores terem uma música à partida verdadeiramente inócua – e, por conseguinte, possibilitarem que estude a ouvi-los – e rapidamente teria apagado o cd (perdão, mandado o cd para o lixo)! Felizmente não o fiz e não o lamento. Á semelhança dos Wolf Parade (embora acima) falta-lhes, quanto a mim, aquele golppe de asas para a excelência. Mas têm, inegavelmente, músicas muito agradáveis.’Your Protector’ e ‘Meadowlarks’ destacam-se, ficam no ouvido e levam, estas sim, cinco estrelas.

3. Sigur Rós – Med Sud i Eyrum Vid Spilun Endalaust – *****


Uma nota prévia para dizer que não percebo como os fãs de sempre destes senhores podem gostar deste álbum. Ouvi-o antes e depois de ouvir o anterior digo: tem pouco a ver. Do outro, ainda assim, gostei. Mas este, sim, é genial. E sim, claro, prefiro as primeiras músicas. ‘Gobbledigook’ é um hino! Mas, valha a verdade, gosto – e bastante – de todo o album. Daí as cinco estrelas. Mas confesso, custou um pouco ao início

4. Vampire Weekend – Vampire Weekend – *****


Sem palavras. Lembro-me que quando descobri esta banda (e julgava que eram uma espécie de banda dos Morangos com Açúcar) e ouvi com atenção fiquei logo maravilhado. Na altura tive vontade de confrontar o especialista de música deste blog mas confesso a minha vergonha. Julguei que o homem me fosse desprezar e criticar o estilo de música “pop e comercial” destes rapazes. Se é que os conhecia… Qual não é o meu espanto quando este ‘radialista’ para além de os conhecer gosta, e gosta tanto que os mete no top 10. Ora, para conseguirem agradar a alguém que está longe de ser fã deste tipo de música, devem ser realmente bons. E são-no. Já eu, sou suspeito, adoro esta música. A ouvir: ‘Cape Cod Kwassa Kwassa’, ‘The Kids Don’t Stand A Chance’ e – de preferência pela voz do João Torgal – ‘One (Blake’s Got A New Face)’.

5. Mandrágora – Escarpa – ****

O cd não é mau, esca(r)pa! Mais a sério, não era difícil encantar-me com música (quase) instrumental. Sou, por isso, altamente suspeito. Gostei muito deste cd, pleno de musicalidade. Falta, por ventura, um pouco mais de diversidade, os ritmos são, por vezes, demasiado semelhantes entre as músicas. Quanto a estas, gosto de todas. É um álbum daqueles para ouvir corrido, não apenas uma música, separada.

6. A Naifa – Uma Inocente Inclinação para o Mal – *


Não gostei nada. Nem das letras, irritantes, nem das melodias, repetitivas. Roça na ‘canção’ dum modo que me faz sentir um impulso de levar a mão ao ipod. Sou suspeito, sim, mas não achei graça nenhuma! Execráveis as quatro primeiras músicas! E desrespeitosamente monótonas e repetitivas.

7. Wolf Parade – At Mount Zoomer – ****/2


Sem dar o ‘salto’ para o muito bom, ou, por outras palavras, sem ser uma daquelas bandas que nos despertam subitamente do que estamos a fazer com uma música fora de série, os Wolf Parade têm uma música bastante engraçada. Por mais que queira, não consigo destacar uma música. Todas boas, nenhuma excepcional.

8. Dodos – Visiter – *****


Muitíssimo agradável. É a melhor maneira que encontro para descrever esta banda. Ritmos relativamente calmos sem tender – como é normal nestas bandas – para o bisonho. Destaco a faixa 2: ‘Red and Purple’. Muito engraçado o piano de brincar no fundo. Ouvir ainda a faixa 10: ‘Jodi’, mais mexida, electrizante, diferente sobretudo, o que é, para mim, fundamental.

9. Kumpania Algazarra – Kumpania Algazarra – *****


Já conhecia este cd há meses e a paixão foi imediata. Sou suspeito por ser fã destes ritmos ‘gypsy’. Destaco, nos antípodas, ‘Libérez Le Monde’ e ‘Oh Cidade’. Quer dizer, destaco todas! Verdadeiramente viciante. Sem dúvida uma daquelas bandas que não quero perder em concerto!

10. Pé na Terra – Pé na Terra -/***


Tenho um trauma de infância com “canções”. Chamo canções a este tipo de música. Tem algo que me causa uma repulsa imediata. Este cd junta algo de que gosto muito, as músicas com ritmo agradável, com as canções tradicionais portuguesas. Como tal, não acho que possa ajuizar sobre as últimas. Sairia um zero redondo. Mas reconheço que seria como pedir ao fundador deste blog para dar a sua opinião sobre um jogo de futebol. O pior no que toca a canções é a “Balada do Sino” do Zeca Afonso. Parece vinda directamente duma “forma” do João de Deus ou dum acampamento do CAMTIL. Ou ainda pior, “Pedrinhas” Ui! Refrão matraqueante… Quanto ás “músicas”, dar-lhes-ia ***.

P.S. Gosto especialmente da “iagua” a correr na faixa 6.

* Baseado no post original do nosso crítico de música, João Torgal

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5 respostas a Balanço do Balanço Músical de 2008*

  1. António P. Neto diz:

    Temos andado todos um bocado a fugir com o rabo à seringa. Vamos lá ver se conseguimos pôr isto “back on track”.

    Quanto ao post, pouco se me oferece a comentar. Os únicos CDs que conheço em detalhe são o dos “Pé na Terra” e os “Vampire Weekend”. Não há nada que os una, a não ser o facto de não trazerem nada de especialmente novo, especialmente os segundos. São mais uma banda Pop/ Rock que conseguiu vingar e ainda bem. Quanto aos “Pé na Terra”, as músicas que gosto mais no album são os instrumentais, com raizes claras no folclore transmontano português e europeu (“Passodoble de Vizela” e “Chapeloise”, contagiantes). A adaptação da “Maria Faia” também está com alguma piada. As “canções” de que falas provocam-me um arrepio na espinha e sou obrigado a mudar. Fazem lembrar Mafalda Veiga com um ar ainda mais cândido.

    P.S.: gosto do ar temeroso com que hesitas em falar das “canções tradicionais portuguesas”. E ainda bem que hesitas. É que a maior parte das músicas do álbum, dessas “canções” são originais do próprio grupo, nem sequer são música tradicional portuguesa (embora sejam obviamente influenciadas). Valem o que valem, mas pelo menos são originais, e isso é claramente um ponto a favor deles.

  2. Zé:

    Alguns comentários aos comentários 🙂

    – entre outras coisas, comparar os Pé na Terra ou A Naifa com aquilo a que chamas “canção” (e que pode ser aquilo que é apelidada de “música ligeira” e que inclui nomes como Mafalda Veiga) é um verdadeiro insulto

    – nos Calexico há efectivamente um fio condutor explícito. Se ouvires os outros discos vês que há ali uma forma muito particular de misturar sons de diversas paragens (destaque claro para o México), com uma identidade muito própria.

    – quanto aos Sigur Ros, já tinha referido que é para mim provavelmente o pior album da carreira (se esquecermos o “Von”, que é experimentalismo sem grande destino visível)… mas, ainda assim, é um fabuloso album

    – os Vampire Weekend fazem música simples (sem ser simplista) extraordinariamente viciante. É por isso natural que eu ache o disco óptimo.

    – cada vez mais gosto do disco dos Fleet Foxes. Quanto mais ouço, mais gosto e, se calhar, se fizesse hoje a lista, colocava-o em 1º lugar.

    Mas, sinceramente, o mais importante: os meus parabéns pelos teus comentários genericamente construtivos sobre estes discos. Mesmo não concordando nada com algumas coisas, é para mim muito bom ver pessoas deste blog a escrever sobre estes meus discos de eleição de 2008.

  3. José Maria Pimentel diz:

    Homem, tomara que tivessem sido as músicas da Mafalda Veiga que eu fui obrigado a ouvir incessantemente na primária e nessa espécie de campo de férias! Do que eu falo é bem diferente. São aquelas músicas tipo “a árvore da montanha”, que andam num ‘loop’ continuo! Claro que estas não são tão más – mal fora(!) – mas andam lá perto!

    Em relação aos Fleet Foxes, partilho dessa opinião. Quem sabe, pode ser que se continuar a ouvi-los passe para 5*.

    E pronto, isto foi o culminar da empresa de ouvir “os” melhores discos do ano! Claro que quem mete a Naifa e não a Deolinda não merece o mínimo crédito – já devia estar alertado -, mas não foi tempo perdido! 😉

  4. João Torgal diz:

    Fleet Foxes… Estou a ouvir esse disco pela 20ª vez (ou talvez mais) e cada vez mais me arrepiam as melodias vocais, a melancolia folk, a emoção…

    Uma obra-prima para ouvir sempre e não ficar perdida nos registos obscuros da história da música.

  5. José Maria Pimentel diz:

    Eu já ouvi mais de 20…É verdade!

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