Sudão, como Israel

O Presidente sudanês, Omar Al Bashir, foi recentemente alvo de um mandato de captura do TPI. O Sudão é um país peculiar. Já são, felizmente, poucos os países que se podem ‘orgulhar’ de ter um conflito importante à escala mundial (à escala nacional, infelizemnte, há mais rivalidade). Ora, o Sudão consegue ter dois. Para além do conhecido Darfur, existe ainda o conflito parcialmente resolvido com o Sul.

Há quem argumente que este mandato – que já teve como consequência a explusão das ONGs, (à moda de Mianmar) – pode comprometer o complexo processo de paz, por descredibilizar e atiçar o partido do poder. Mas mais que isso, ele parece revelar uma posição demasiado facilitista. É certo que o governo sudanês é bastante mais forte do que qualquer um dos adversários, mas isso não implica que estes também tenham tido a sua cota parte de brutalidade nos conflitos. Com efeito, tanto no sul como no Darfur , os conflitos estiveram longe de ter sido espoletados unilateralmente. Neste último, por exemplo, foram os rebeldes que começaram por atacar as forças governamentais. Estas, depois, responderam desproporcionada e barbaramente. Quanto à barbaridade, esta parece-me inegável e claramente passível de acusação de crime (embora o genocídio não tenha sido provado.

Mas quanto à desproporcionalidade do ataque – e é esta a ideia do post – não me parece tão simples. Independentemente de ter ou não razão, não se podia pedir ou esperar que o Sudão – tal como Israel – respondesse proporcionadamente se tivesse meios para o fazer de um modo muito mais eficaz. É quase como pedir ao F. C. Porto para, apenas por ter jogadores melhores, jogar com a segunda equipa contra o Benfica. Não faz, claramente, sentido.

Para além disto, ao falhar em acusar os chefes das duas rebeliões, a acusação perde força. Não significa isto que a acusação ao ‘outro lado’ devesse ser igualmente forte – até porque estes, provavelmente, tinham razões para se insurgirem – mas fechar os olhos às atrocidades que estes próprios cometeram é, no mínimo, injusto.

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Uma resposta a Sudão, como Israel

  1. Eu se fosse a ti voltava para Portugal e rapidinho. Estás a ficar tão semita e sionista que até metes nojo.

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