Triste mentalidade

Inserido na sua série de programas Zé Carlos, os Gato Fedorento fizeram há uns tempos o seguinte sketch, que obteve a designação de “Louvado sejas ó Magalhães”

O motivo pelo qual o refiro não é o sketch em si (apesar de ele ter imensa piada), mas as reacções de que foi alvo. Assim, a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) recebeu mais de uma centena (!!!) de queixas contra este bloco humorístico, exigindo sanções para os Gato Fedorento. Felizmente, essa entidade teve o bom-senso de negar qualquer sanção, mas, ainda assim, fica mais uma vez a demonstração de que vivemos numa sociedade onde ainda estão muito enraizados o  conservadorismo beato, a falta de tolerância e a ausência arcaica de sentido de humor.

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2 respostas a Triste mentalidade

  1. Portanto, o problema é nada mais, nada menos que “conservadorismo e falta de tolerância”… Mas olha que eu duvido (e duvido seriamente) que a centena de queixas tenha sido feita exclusivamente por “velhos beatos conservadores que usam casacos de lã, votam CDS e não deixam este país andar para a frente”.
    Eu, por exemplo, nem fiquei muito sensibilizado. Sei ver que o video ridiculariza lá pelo meio situações que, por muito difícil que seja conceber para quem não pratica qualquer religião, assumem para muita (alguma) gente bem mais significado e importância por pertencerem ao âmbito religioso, ou seja, o cunjunto de dogmas e pressupostos que dão sentido à existência de quem pratica uma religião.Quer se queira ou não, é um direito pelo qual os homens lutam desde os tempos mais remotos. Depois, claro, há aqueles como eu que até toleram ouvir e mandar uma piada religiosa de vez em quando e outros, que nem isso concebem, por feitio pessoal ou pela forma como se envolvem dentro das suas crenças. Penso que no mundo há lugar para todos sem ser necessário andar à pedrada (e mesmo assim, por vezes tenho as minhas dúvidas…).
    Mas, eu não vou entrar por aí, uma vez que, como já disse, não me tenha rebolado a rir, reconheço alguma piada (achei a parte da comunhão altamente abusiva), mas, pessoalmente nem fiquei extremamente chocado com o video (embora, claro, conceba que possa haver quem fique).
    A questão que queria abordar, e essa sim, é o ponto de foco deste comentário é que, mais que as crenças e práticas religiosas seculares, este video ridiculariza (e acredito ser também o seu ponto de foco), o grande chavão do governo populista e propagandista que nós temos. E, por cá, sabemos muito bem a forma como Sócrates&Cia lidam com quem emite opiniões que, vá lá, “não se inserem na mesma linha”. Esta é uma situação que foi caricaturada pelo mesmo grupo do Gato Fedorento: tenho a certeza que todos se lembram ainda das lições de Sócrates a Chavez (o que fazer aos jornalistas que difamavam o governo, etc…).
    É tudo isso que me deixa completamente confuso. Não sei se causa mais inquietude ao Arcebispo de Braga uma blasfémia em horário nobre ou ao secretário de estado adjunto dos assuntos tecnológicos (ou a um qualquer delegado regional da educação com o curso de ciências da educação ou de administração pública tirado mal e porcamente, mas fiel seguidor de Sócrates e do PS desde os tempos da jota), que atentem em horário nobre contra a genialidade da estrondosa criação da entidade que lhe garante o tacho.
    Portanto, o problema do nosso país são os “velhos beatos”, o resto quer andar para a frente, mas não pode porque eles não deixam…por favor..

  2. Se ficaste com a ideia que eu estava apenas a criticar a falta de tolerância em termos religiosos, interpretaste mal as minhas palavras.

    É lógico que há frequentemente uma falta de tolerância beata, num estado que às vezes de laico tem muito pouco e em que o lobby católico é quase assumido como natural. Neste contexto, não percebo porque é que consideras que a parte da comunhão é um abuso. Pode-se gostar ou não do sketch, pode-se achar piada ou não, agora ele não pode ser proibido porque, tal como referiu a ERC, a religião pode perfeitamente ser alvo de humor. Só um país ainda refém de alguns fantasmas fascistas, é que pode considerar a hipótese de censurar este tipo de cenas humorísticas.

    Agora, a questão vai de facto muito para além da religião.
    “Não sei se causa mais inquietude ao Arcebispo de Braga uma blasfémia em horário nobre ou ao secretário de estado adjunto dos assuntos tecnológicos(…)” Concordo completamente contigo e não me admirava nada que algumas queixas tenham surgido de defensores natos deste governo, que aproveitaram a questão da religião para terem uma desculpa para a reclamação

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