Insólito

“(…) Talvez esteja errado é que as votações sejam à sexta-feira, é preciso arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que, normalmente, é mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República…»

António Almeida Santos, in TSF

Já se sabe de antemão que não nos podemos guiar por padrões medianos de brio e ética quando falamos da nossa classe política. Nem vale a pena fazê-lo, já que se sabe, também, à partida, que o grosso dos deputados é constituído por profissionais de profissões liberais (e também pelo Alegre e pela mulher do Sousa Franco), muitos deles juristas que desde cedo aprendem nas grandes escolas que são as juventudes partidárias a justificar com meia dúzia de baboseiras comportamentos moralmente inaceitáveis. E compreende-se que assim seja, já que o povão desculpa e esquece com relativa facilidade esse mesmo tipo de comportamentos. “Enfim, é o que temos”.

A entrevista a Almeida Santos deve ser lida e relida com atenção. Basicamente, ficamos com a ideia que os deputados são, na verdade, heróis do dia-a-dia, que nos intervalos do exercício das suas atribuladas profissões se dedicam, quase em regime de voluntariado (PDF), a tratar das complexas questões da República. E que, por essa mesma razão, merecem um horário flexível e todas as regalias possíveis. 

Como diz Ricardo Araújo Pereira, a solução passa por marcar os horários dos plenários para as 4ªs, entre as 12h e as 13h. Mas apenas se os senhores deputados – pagos a peso de ouro para porem em prática aberrações como a disciplina de voto – puderem, claro. Porque é inadmissível que suas excelências trabalhem às 6ªs feiras como… bem, como toda a gente.

Adenda: editado em 13/12/08

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2 respostas a Insólito

  1. Niko diz:

    O Almeida Santos é um humorista de alto gabarito.

  2. João Torgal diz:

    De facto, uma pérola. Vejamos este paralelo:

    Na educação (e, por certo, noutros sectores será igual), tenta-se introduzir um sistema de avaliação da docência em que para chegar a excelente (com cota de 5%, independentemente dos diversos resultados da avaliação) e, consequentemente, ao topo da carreira, um professor não pode ter uma única falta (se partir uma perna e tiver de ir ao hospital ou tiver uma pneumonia, azar o seu).

    Enquanto isso, Almeida Santos, figura de proa do PS e defensor acérrimo do governo, acha que, como os deputados são verdadeiros heróis nacionais, não se pode fazer na AR votações à 6ª feira para… os deputados irem de fim-de-semana mais cedo.

    É cá um descaramento, que nem sei se dá vontade de rir, se de chorar. Qualquer dia, ainda vamos ver esta gente a defender que a Assembleia da República deve estar fechada Junho, Julho e Agosto e que nesses meses o Estado deve pagar aos deputados viagens para a Republica Dominicana ou Bora Bora, de forma a recompensá-los pela sua nobre dedicação à pátria e pelo profundo sacrifício pessoal de desempenharem estas funções. Nos dias que correm, já não me admirava nada.

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