Mais sobre o Record

Juntando informação deste e deste site, encontra-se umas capas curiosas…

  • 10-04-2003: Dia da meia final da taça uefa com o Porto e Boavista presentes.

  • 30-08-2003: Dia seguinte à Supertaça Europeia.

  • 4-05-2004: Dia da meia final da liga dos campeões.

  • 27-08-2004: Dia da Final da Supertaça Europeia.

  • 12-12-2004: Dia da Taça Intercontinental.

P.S. Reparem ainda no erro de português da capa de 04-05-04. “Eu sou um dos malucos que acredita”. Tudo bem que o Mourinho possa ter dito assim, mas que eu saiba os jornais normalmente corrigem….

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7 respostas a Mais sobre o Record

  1. João Gil diz:

    Voltando ao mesmo tema, e correndo seriamente o risco de me repetir, parece haver alguma dissonância nas nossas concepções de imparcialidade jornalística. A um jornal, supondo que se trata de um jornal desportivo generalista e não da revista do Benfica, cabem alguns deveres de honestidade e, dentro do possível, de sobriedade no tratamento da informação. Isto cabe dentro da minha definição de imparcialidade jornalística. Outra coisa completamente diferente são as opções editoriais no que diz respeito ao que merece ou não aparecer num jornal. Por razões óbvias, dar o mesmo destaque aos diversos clubes e acontecimentos não é nem possível (espaço, tempo e recursos limitados) nem desejável (as pessoas não querem saber TUDO sobre TODOS). Partindo deste pressuposto, os critérios que presidem à escolha, por exemplo, do que surge na capa são sempre da responsabilidade exclusiva de quem faz o jornal e são sempre, por definição, parciais. Pode parecer-te inconcebível que um jornal prefira dar destaque à condição clínica do Simão do que à Supertaça Europeia mas, no limite, é uma opção tão natural e inatacável como dar mais páginas de jornal ao Porto ou ao Sporting do que ao Trofense ou ao Varzim. Os jornais dão aos seus leitores-alvo aquilo que acham que esse público quer saber. O facto de o Porto ter sempre mais espaço de jornal que o União da Madeira não significa necessariamente que as redacções de “A Bola” ou de “O Jogo” desejem a vitória ou o sucesso do Porto. Significa apenas que acham que as pessoas preferem saber as notícias do Porto às noticias do União. O mesmo se aplica às capas. Tu achas mais importante saber as últimas da Supertaça Europeia do que do joelho do Simão. Aparentemente existem pessoas suficientes com opinião contrária para justificar que o Record prefira uma capa à outra. Ambas as opiniões têm mais ou menos o mesmo valor: interesse pessoal puro e duro.
    Assumindo que a “imparcialidade” no volume de informação destinado a cada clube é uma impossibilidade absoluta no plano físico em que nos movemos resta pouco espaço à vossa indignação. Os jornais não pretendem nem podem ser imparciais, mais uma vez, assumindo como “imparcialidade” o destaque que dão aos diferentes clubes e às diferentes modalidades. É uma opção natural e inevitável tendo em conta o público que lê jornais desportivos. O Record dá menos importância ao Porto que aos outros dois grandes da capital? Sim, não tenho nenhum tratamento estatístico para o afirmar, mas acho que é essa a tendência geral. É uma fonte de frustração para o público portista?Talvez, mas não deixa de ser uma opção editorial perfeitamente defensável e que não fere em nada a verdadeira imparcialidade jornalística.

  2. João Gil diz:

    Note-se que quanto às capas que envolvem o amigável da Toyota ou a Supertaça Europeia, o destaque do jornal é mais ou menos equivalente ao interesse desportivo gerado pelas partidas.

  3. José Maria Pimentel diz:

    “O facto de o Porto ter sempre mais espaço de jornal que o União da Madeira não significa necessariamente que as redacções de “A Bola” ou de “O Jogo” desejem a vitória ou o sucesso do Porto. ”

    O porto deve ter mais destaque, sim, mas nao por isso e sim por ser mais importante.

    E deve ser esse o criterio. Chateia-me, por exemplo, tanto como isto quando o braga faz um bom resultado na europa e n aparece na capa. E a mesma coisa. (e ai, do mesmo modo, o record e o pior!)

    Concordo contigo, contudo, numa coisa q fica implicita no teu comentario. E verdade q aqui estamos apenas a considerar os grandes. E que todos os jornais dao demasiada preferencia a estes clubes. Esta mal, sim, mas isso fazem-no todos, por isso…

    Voltando a questao inicial, nao me importava nada que o record tivesse esta politica editorial se se assumisse como jornal da capital. Problema nenhum. A questao e q n o faz!

  4. Pedro Gil diz:

    Não sei se o João queria ainda responder ao teu comentário mas não resisto a aproveitar para me antecipar perante tão flagrante oportunidade…as minhas desculpas desde já.
    “O Porto deve ter mais destaque, sim, mas não por isso e sim por ser mais importante.”

    Suponho que tenhas consultado isto no ranking que ordena de forma absolutamente imparcial, justa e dogmática todas as coisas do mundo de acordo com um critério valorativo cujos critérios são perfeitamente inatacáveis e até ofuscam de tão puros e inocentes que são. Ranking esse que obviamente apenas tu conheces ou pelo menos só tu podes consultar. Agradecia que deixasses o link por favor.

    Naturalmente que estou a brincar. Acredito que o que tu quisesses dizer era “o Porto deve ter mais destaque (do que o União da Madeira) porque interessa a mais gente”. E isto, não sei se já reparaste, aponta exactamente no sentido contrário da tua pequena teoria da conspiração da poderosa capital impondo o seu domínio contra a pequena aldeia gaulesa do Norte chamada Porto lutando contra tudo e todos, empunhando bem alto o nome da pátria lusitana em batalhas imemoriais por essa Liga dos Campeões fora. Por puro exercício de imaginação, vamos pegar no sr. José, nascido e criado na Madeira, 60 e poucos anos, respeitado frequentador de tascas e bares de alterne na região, bigode farfalhudo e, só porque sim, gosta de Proust. O que é que achas que é mais importante para ele? O treino matinal do FCP nas páginas do Record ou notícias do seu União da Madeira, onde jogou desde miúdo e ainda hoje é sócio e espectador assíduo de todos os jogos? Naturalmente que ele gostava que o seu clubezinho de bairro aparecesse nos diários nacionais, uma noticiazinha sobre a caldeira do balneário que se estragou, as bolas novas que acabaram de chegar, o novo projecto para a ampliação da tasca mesmo junto às bancadas do estádio. Achas que também isso é resultado de uma teoria da conspiração macabra do Record e restantes diários desportivos na tentativa de não divulgar os sucessos desportivos do União da Madeira? Acho que não. A questão fundamental aqui passa por compreender os fundamentos básicos do jornalismo: uma notícia não é uma notícia em si mesmo; uma notícia só é notícia se interessar ao leitor. Explicando melhor, o atentado em NY ou o tsunami não constituem isoladamente e em abstracto uma notícia; elas apenas são notícias porque me interessam, porque me dizem respeito, porque eu tenho interesse em tomar conhecimento delas. Da mesma maneira que a morte de um senhor de 93 anos no Sri Lanka por enfarte não me interessa minimamente; logo não é notícia. Se isso surgir na redacção do jornal, agradeço que alguém se levante da mesa de reunião e diga “Não vamos pôr isso no jornal porque isso não interessa aos nossos leitores”. Afinal, é para isso que pagam aos directores. Agradeço que não gastem o meu tempo com isso, ocupem-no antes a discutir o Orçamento de Estado ou a crise internacional.

    O mesmo se aplica a esta questão. Um jornal (ou, vá, pelo menos um jornal detido por um grupo privado) não tem obrigação nenhuma de distribuir equitativamente a sua atenção pelos vários clubes. Aliás, não tem nenhuma obrigação nem moral, nem ética, nem deontológica, académica ou de qualquer outra índole. Tentar fazê-lo seria na verdade impossível atendendo a que não se pode multiplicar o espaço na capa (suponho que vocês portistas assentem esta cabala em cm2 de capa de jornal dedicado ao FCP). Um jornal dedica a sua atenção e os seus recursos (jornalistas, meios de reportagem, etc) de modo a maximizar os lucros. Trata-se de uma empresa como qualquer outra que apresenta receitas no final do ano: se acham que a notícia do Simão ou do Nuno Gomes ou whatever vende mais jornais do que o amigável da Toyota conquistado pelo FCP…então, não há nada a fazer. Tenho a certeza de que no dia em que isso deixar de acontecer terão para vosso deleite imensas capas sobre a unha do pé partida do Hulk na manhã depois da conquista da Liga dos Campeões pelo meu Sporting. Pegando no teu raciocínio de querer justiça e igualdade absoluta no tratamento da informação, permite-me levar a questão um pouco mais adiante a questão com uma sugestão. E que tal se criássemos uma Comissão de Regulação da Informação, composta por altas personalidades, sábias, absolutamente imparciais e idóneas. Propunha que essa Comissão avaliasse previamente todos os meios de comunicação social e tomasse a sua decisão no sentido de alterar, eliminar ou acrescentar qualquer notícia de modo a assegurar um absoluto equilíbrio entre os vários elementos. Consegues imaginar quão maravilhoso seria? Mas, agora que penso nisto e releio as últimas linhas, recordo que parece que já foi tentado no passado alguma coisa parecida com isto. Parece que lhe chamavam…censura.

    Outra das coisas que tu referes é o facto de o Record não se assumir como jornal da capital. Não sei se fazes disto uma espécie de “sair do armário” ou algo parecido. Um jornal não tem de se assumir como nada, e se por vezes o faz (como muito bem referiste em alguns jornais americanos) é porque…surpresa das surpresas…pretende com isso fidelizar os seus leitores e ganhar mais dinheiro! Proponho mesmo que a partir de agora qualquer jornal tenha na capa, mesmo por debaixo do logótipo para não enganar ninguém, uma pequena descrição da sua filosofia editorial. Para o Record seria algo do género: “Somos malta de Lisboa, gostamos de ir beber uns finos à noite para os lados de Santos onde há imensas pitas boas por esta altura, gostamos de caracóis e de Sartre, chocolates apenas aqueles antigos que agora não me lembro do nome que eram em forma de búzios ou conchas, detestamos os filmes do Manoel de Oliveira, somos católicos, de direita, conservadores mas não temos um cabelo parecido com o Paulo Portas nem uma mulher tão gira como o Sarkozy, detestámos “A Metamorfose” do Kafka, o nosso 007 preferido apesar de tudo continua a ser o James Bond e, ah pois é já nos esquecíamos, odiamos o FCP e vamos tentar encobrir ao máximo os seus triunfos e conquistas internacionais”. Tudo seria mais fácil, não era?

    Agora a sério, isto é uma não-discussão e estou certo de que tu próprio começarás a compreender isso. Se achas que o Record não acompanha com a devida atenção o FCP, compra antes a edição Norte d’ O Jogo e decerto terás imensas notícias para te entreter. Simples. Ponto final. Não há motivo para essa infundada e ridícula teoria da perseguição que acha que está tudo contra o Porto (incluindo os falsos testemunhos de árbitros aliciados com prostituição e dirigentes injustamente indiciados por corrupção). Na verdade, quando comecei a ler o post pensei que a discussão se dirigisse ao verdadeiro problema do jornalismo que constitui por vezes a mentira ou interpretações corrompidas da verdade e que muitas vezes ocorre na comunicação social, incluindo contra o meu Sporting (e estou certo de que em relação ao Porto também). É que se há classe incompetente neste país (infelizmente há muitas…) uma delas é indiscutivelmente a dos jornalistas. Em todo o caso, contribuirei de bom grado para essa discussão. Abraço

    P.S. Nem de propósito, no dia em que o Porto vence o Arsenal e assegura o 1º lugar do grupo da Liga dos Campeões, a capa quase integral do Record é “Quique quer ver Moretto”

  5. José Maria Pimentel diz:

    Pedro:

    Eu tenho por hábito confiar que as pessoas a quem me dirijo percebem o conteúdo daquilo que digo/escrevo. Principalmente neste tipo de discussões, entendo-o como uma excelente maneira de poupar espaço.

    No entanto, tenho que rever essa ideia.

    Começas logo por dizer: “Naturalmente que estou a brincar. Acredito que o que tu quisesses dizer era “o Porto deve ter mais destaque (do que o União da Madeira) porque interessa a mais gente”.”

    Não, “pá”, o que eu quero dizer é que o porto é mais importante, no sentido estrito, não no sentido lato/benfiquista do termo. O Porto é mais importante porque tem ganho mais e, sobretudo, porque ganha mais. Em último caso, é mais importante porque ganhou “naquele” dia alguma coisa, ou fez alguma coisa que justifica bem mais (na maior parte das vezes, aliás, infinitamente mais) uma capa do que o motivo desta.

    Não tem nada a ver com o número de gente, esse é, precisamente, o critério do Record e, de acordo com ele, faria todo o sentido ter o Benfica maioritariamente nas capas (já o Sporting nem tanto, mas adiante). Honestamente, custa-me a acreditar que me tenhas tomado por tão estúpido!

    E agora voltamos à premissa que nenhum de vocês parece ter percebido.

    Nós não estamos a falar dum cenário puramente académico. Não se trata da imprensa, entidade abstracta do país x. Trata-se da imprensa portuguesa que, à imagem do país, é politicamente correcta, assumindo-se sempre como independente. Volto a repetir (sim, não é pleonasmo, volto mesmo a repetir), o problema é que a imprensa se assume como independente e depois, na prática, não é.

    Ora, duma imprensa independente e moralista espera-se que cumpra critérios editoriais relacionados com a importância das notícias. E essa importância – a não ser numa imprensa que se assuma como tal – não está relacionada com fazer capas com notícias pouco importantes em detrimento de notícias irrelevantes, só porque há uma maioria que prefere.

    Não haveria problema nenhum de o fazerem, se admitissem. O problema é que não admitem!

    Para além disso, o jornalismo está e sempre esteve possuído de uma presunção de superioridade moral que defende a primazia da notícia sobre o lucro. Esse seria, aliás, o derradeiro argumento, mas não me parece – e sou um defensor da “causa”, principalmente agora – que o capitalismo se aplique à imprensa portuguesa nos moldes em que se estabeleceu. Aplica-se, e bem, à norte-americana.

    Quanto à engenhosa sugestão da censura – ainda pensei em não escrever isto por estar quase, eu diria, explícita a resposta nas linhas anteriores, mas….”you never know….”. Cá vai: não é isso que defendo, defendo sim que se mude o sistema, porque o nosso não faz sentido nenhum. É aliás por isso que ainda acontece – sabêmo-lo – alguma censura na nossa imprensa. Com imprensa honesta e conotada duvido que tal acontecesse…

    P.S. “na manhã depois da conquista da Liga dos Campeões pelo meu Sporting”….bem, pelo menos dá exemplos plausíveis!!

    P.S.2. Quanto à discussão que levaria para o Pinto da Costa, essa é, meu caro, ainda mais vasta do que sugeres… Dando um lamiré (um dia destes, aliás, meto aí um post sobre isso), o Pinto da Costa é clara e inegavelmente culpado…culpadíssimo! (desculpa, Miguel!) Acontece que em Portugal há um mecanismo muito bem montado de descredibilizar os acusadores sempre que os acusados são conhecidos. Este não é caso único. Isso tem várias causas que vão tão fundo como a nossa maneira de ser, daí a dimensão da discussão. De qualquer forma, sugiro que leias um belíssimo (e digo isto sem qualquer ironia) texto do MST sobre a incongruência da acusação ao PdC. É fabuloso, porque parece mesmo que ele tem razão. Os factos estão tão bem montados que parece mesmo que o homem foi apanhado no meio de um filme gipsy para o qual em nada contribuiu. Lê, a sério, recomendo!

  6. Pedro Gil diz:

    Antes de mais não sei se terás notado algum tom mais ofensivo no meu comentário anterior mas deixa-me desde já assegurar que não foi com essa intenção; aliás a questão da censura e do Pinto da Costa eram meras brincadeiras e provocaçõezinhas; espero que não tenhas levado a mal!

    Quanto à questão fundamental, concluo que temos pontos de vista diferentes dos quais nenhum de nós parece querer abdicar. E não digo isto com malícia, mas devo dizer que apenas com o teu último comentário percebi verdadeiramente a tua opinião. O que nos separa é, não a trivial questão das capas do Record, mas uma diferente concepção do modo de fazer jornalismo, pelo menos na sua teoria. E por isso mesmo fiz questão de explanar a minha visão sobre o assunto no derradeiro comentário.

    Ponto prévio: eu não estou aqui para fazer o papel de advogado do diabo, defendendo o jornal capitalista que gosta só de fazer dinheiro em detrimento da qualidade jornalística. Não é disso que isto se trata e espero que o tenhas percebido. A questão é que, e pedindo desculpas por estender um pouco mais a discussão, não concordo com a forma como encaras os jornais. Não é justo nem verosímil imputar aos jornais ou meios de comunicação em geral uma responsabilidade ética ou doutrinal, tentar incutir-lhes um sentido moralista. Um jornal não tem de ser o arauto da liberdade e justiça como tu os tentas descrever. Poder-me-ás dizer: “ok, mas apesar de quase impossível esse deve ser o objectivo final de um jornal!” E… bem… até poderia concordar num plano abstracto, mas uma vez que és tu próprio que pedes para nos deixarmos de exercícios meramente teóricos e concentrarmo-nos na realidade, então confesso que não partilho das tuas opiniões. Um jornal é, normalmente, uma empresa privada. Não é justo nem faz sentido incutir-lhe uma responsabilidade quase de “evangelização das populações”. Poderás argumentar que um jornal pode e talvez até deva servir como meio de sensibilização e educação das populações. Mas daí a obrigá-lo a servir um propósito de imparcialidade e pureza absolutas, quase numa espécie de doutrina moralista, então não acho que faça sentido, a não ser num exercício racional puramente teórico e sem qualquer aplicação útil no nosso mundo. Não me causa enjoo nem repugnância comprar todos os dias um jornal que sem problemas de consciência ou remorsos adopte uma posição num dos lados num qualquer assunto em particular. Dou-te um exemplo: imagina que no pós-11 de Setembro um jornal publicava o título “Massacre bárbaro” com a foto das torres desmoronando-se na capa. Não me parece nada de muito escandaloso e tenho quase a certeza absoluta que não denunciarias a infâmia que se cometera. No entanto, segundo os teus critérios, esta capa também constituiria um escandaloso ultraje aos teus padrões de jornalismo: como bem sabes, para os autores dos massacres e alguns sectores do fanatismo religioso, estes atentados constituem uma obra de justiça divina, um verdadeiro acto de bravura e exultação pela verdade e pelo castigo dos impuros. Ora, com aquele título estás quase ocultamente a tomar o partido pró-Ocidental e a colocar-te de um dos lados das trincheiras. Mas estou certo de que no dia seguinte a este título não irias deixar de comprar esse mesmo jornal nem irias denunciar a escandalosa imparcialidade da sua redacção, muito menos exigir que na capa debaixo do logótipo se assumissem como “um jornal pró-Ocidental e amigo dos Americanos”. O exercício puramente abstracto e quase demagógico que pretendes fazer sobre a “imparcialidade absoluta e verdade dos meios de comunicação” não levará certamente a nada, uma vez que não tem aplicação prática possível no nosso mundo. Poderás argumentar que a culpa é da nossa sociedade capitalista; talvez, mas enveredar por esse caminho é uma inutilidade. Mas coloco-te ainda um desafio: abre qualquer jornal português ou estrangeiro e decerto encontrarás imensos exemplos como o que te deixei anteriormente sobre os atentados; esse tipo de procedimento não interfere de modo nenhum com a imparcialidade e verdade que tanto apregoas, trata-se apenas da única maneira possível de fazer jornalismo.

    Como é óbvio nada disto está já directamente relacionado com a questão primitiva do Record. Aliás, confesso que com o post inicial com a bonita listinha de capas fiquei com a ideia de isto se tratar apenas de mais uma mania da perseguição sobre o FCP e seus dirigentes (se atentares melhor talvez compreendas que é essa a mensagem que parece ser transmitida, se não faço desde já mea culpa). Apenas com os comentários subsequentes percebi que o nosso desacordo inicial assentava fundamentalmente em diferentes concepções do jornalismo em geral e por isso optei por aqui expressar a minha opinião. Aliás, aceito perfeitamente que mesmo depois disto optes por manter as tuas ideias; são duas correntes de pensamento perfeitamente fundamentadas e que por isso mesmo naturalmente respeito.

    P.S. Já li há muito tempo esse texto do MST, aliás creio até que se andou algum tempo a discutir isso aqui no blog. Para te dizer a verdade, depois de o ler só me fazia lembrar os documentários do Michael Moore: há sempre um inquestionável fundo de verdade naquilo mas a partir daí fazem-se raciocínios e construções de tal maneira intencionalmente desvirtuados e deturpados que não só o mensageiro como também a mensagem perde a credibilidade que até poderia em parte conter.

  7. José Maria Pimentel diz:

    Mas é óbvio q não o entendi assim! A minha resposta foi – digamos – veemente, mas nunca ríspida. Chateou-me não terem percebido o que queria dizer, isso sim, simplesmente pq detesto perder tempo de discussão.
    (chama-se a isto, defeitos da linguagem escrita…foi para isso que se inventaram os smiles!)

    E, aliás – desculpa que te diga – ainda não percebeste por completo!

    Vou expurgar a minha ideia dos exemplos que até aqui sempre vinham anexados, para tentar explicar-te exactamente o que defendo.

    Basicamente, há dois tipos de jornalismo:
    (haverá mais, mas neste caso discutimos 2)

    – O jornalismo que se afirma independente e imparcial. Como tal, defende implicitamente um certo moralismo. (o que há em PT)

    – O jornalismo livre e claro, que se conota activamente com posições políticas, sociais, etc. (o que há nos EUA)

    Ora – e é isto que me parece q n percebeste – o primeiro tipo de jornalismo nunca resultará em capitalismo, por incompatibilidade evidente. O capitalismo e incompatível com um jornalismo que defende a primazia da notícia sem olhar a quaisquer critérios extra-notícia. E é incompatível, sobretudo, com um jornalismo sem concorrência perfeita.

    Eu defendo o capitalismo, sim, mas defendo-o aplicado ao 2o modelo, o modelo anglo-saxonico (se quiseres)! Aí, sim, o capitalismo resulta. E resulta porque está no seu habitat natural, um cenário claro e de concorrência leal.

    Isto tudo para dizer que eu não defendo o modelo imparcial!!! Eu defendo sim o modelo da parcialidade assumida por oposição ao modelo da parcialidade escondida sob a capa da imparcialidade.

    Concluindo, não há nenhuma “imparcialidade e verdade que tanto apregoo”!!

    Com isto tudo – e se se confirmar que percebeste o que defendo – perceberás que o post crítica o jornalismo falsamente imparcial que, afirmando-se como tal, prejudica um clube em detrimento de outro(s).

    Uff!

    E com tudo isto podes continuar a discordar de mim! Mas pelo menos percebe a minha posição, homem!

    P.S. Por acaso concordo, é o mesmo estilo do Michael Moore….mas neste caso diria que nem fundo de verdade tem. Por muito que me custe, o PdC é mais que culpado. Embora, provavelmente, nunca venha a ser condenado…á semelhança de um senhor que por aí clama por inocência.

    P.S.2. Muito sinceramente, leste o que escrevi? É que não faltam os trechos em que me oponho precisamente á imprensa supostamente imparcial

    “Não haveria problema nenhum de o fazerem, se admitissem. O problema é que não admitem!”

    “não me parece – e sou um defensor da “causa”, principalmente agora – que o capitalismo se aplique à imprensa portuguesa nos moldes em que se estabeleceu. Aplica-se, e bem, à norte-americana.”

    “defendo, defendo sim que se mude o sistema, porque o nosso não faz sentido nenhum. É aliás por isso que ainda acontece – sabêmo-lo – alguma censura na nossa imprensa. Com imprensa honesta e conotada duvido que tal acontecesse…”

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