Eleiçoes americanas – sonho ou realidade?

 

    1. É  lógico que, para bem do Mundo, era extraordinariamente necessário acabar com o poder republicano. Depois dos inúmeros disparates da administração Bush, das inúmeras decisões do tipo “deixa-me lá fazer isto para ver se o meu papá fica orgulhoso de mim”, de 8 anos de um clima de hostilidade e instabilidade política, económica e social, da Guerra do Iraque, do conservadorismo tacanho e do profundo abalo na cooperação com muitos pareceiros do ocidente, era necessária uma mudança. Como tal John McCain não poderia ganhar a eleição. Não só por ele, mas ainda mais pela sua fabulosa candidata a vice-presidente, Sarah Pallin, que, ao contrário do que muitos analisam, julgo que terá sido positivamente importante na campanha de McCain. Os americanos gostam do estilo: ultra-conservadora, altamente reaccionária, “god bless America” e até, quem sabe, com uns toques de racismo à mistura. Foi com esses pressupostos que elegeram e reelegeram George W. Bush. Assim sendo, tenho que estar obviamente satisfeito com a vitória de Obama.

2. No entanto, apesar de ter a esperança de uma importante evolução na política americana, nomeadamente a nível externo, estou muito céptico relativamente às mudanças bruscas que tanto apregoam. Por muito que Obama tenha o desejo forte de mudança, tenha a melhor das intenções e seja um idealista e um político de grandes convicções, será que tudo não se vai esfumar no seio da sociedade americana? Como dizia um colega meu da RUC no outro dia, será de certeza uma viragem à esquerda mas ainda muito à direita. Trata-se de um país onde não existe sistema nacional de saúde nem de educação, onde só tem acesso a essas questões básicas quem realmente tem dinheiro e onde reina o lobby das seguradoras (basta ver o “Sicko” do Michael Moore para, mesmo retirando uma certa dose de demagogia panfletária, percebermos do que estamos a falar) e das instituições bancárias, num sistema de autêntica selvajaria, dificilmente poderá sequer ser considerado um sistema de centro-direita, fará de esquerda. É um país onde tem um grande peso a América profunda, extraordinariamente nacionalista, conservadora, beata e com falta de espírito crítico (só assim se concebe a reeleição do Bush). Concluindo, prevejo algumas melhorias significativas, nomeadamente no estilo, no carisma, no tipo de liderança e no contacto com o exterior, mas longe de uma revolução de mentalidades, que muitos julgam ser possível e que eu infelizmente considero utópica. Em todo o caso, o futuro o dirá…

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Uma resposta a Eleiçoes americanas – sonho ou realidade?

  1. Paulo Jorge Pereira diz:

    Ao ler o teu ponto dois, só é necessário, a partir de “Como dizia…”, acrescentar uns “QUASE” para a saúde, educação, substituir “SICKO” pelos “JORNAIS”,”NACIONALISTA” por “RURAL”, “BUSH” por “SOCRATES”.
    O último período pode ser atribuido a um dos muitos que se vão abster cá pelas nossas eleições

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s