“25th Hour” de Spike Lee (2002)

Mais uma vez a proposta cinematográfica de que escrevo não é recente. Em todo o caso, depois de a ter voltado a ver esta semana, não resisto em fazer um comentário sobre esta extraordinária película.

“25th hour” retrata o último dia de Monty Brogan (mais um desempenho brilhante de Edward Norton, bastante bem auxiliado por, entre outros, Barry Pepper, Anna Paquin ou Philippe Seyfour Hoffman, num papel relativamente secundário mas muitíssimo rico) antes de cumprir uma pena de 7 anos por tráfico de droga. Aquilo que podia ser uma história banal, torna-se verdadeiramente incrível por vários motivos. Por um lado, pela dimensão complexa e humana que é retratado o dealer, sem o cliché do monstro, mas traçando-o segundo várias perspectivas, incluindo algum processo de introspecção e redenção da sua parte. Por outro, o sublime retrato que é feito de Nova Iorque no pós 11 de Setembro, espelho da multi-culturalidade marcada, em virtude do atentado, pelos seus receios, pelas suas angustias, pelos seus preonceitos. A isto não é alheio o facto do realizador do filme ser Spike Lee, idealista, activista incansável na luta contra o racismo e a favor da comunhão etnica e um cineasta profundamente polémico, pela forma directa e incisiva como aborda muitas das vezes estas temáticas.

Numa outra perspectiva, temos aqui momentos de cinema verdadeiramente arrebatadores: o genérico. um dos melhores que alguma vez vi, combinação perfeita de luz / imagem / fotografia (Nova Iorque vista a partir dos destroços do atentado) com a música de Terence Blanchard, autor da poderosa e espiritual banda-sonora; a cena do espelho, em que Brogan insulta tudo e todos (diferentes etnias e classes sociais de Nova Iorque, Jesus Cristo, Bin Laden, George W Bush, as pessoas que lhe são próximas, etc), para terminar negando tudo e revoltando-se contra si próprio, numa cena com seguimento indrível numa fase posterior do filme; aqueles últimos 15 ou 20 minutos desta obra-prima… por mais vezes que eu veja este “25th Hour”, continua a ser verdadeiramente arrepiante a sequência final

Em suma, uma pequena (ou grande) maravilha cinematográfica

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Uma resposta a “25th Hour” de Spike Lee (2002)

  1. Paulo Jorge Pereira diz:

    É realmente um filme de TOP, como só os americanos poderiam fazer após o 11 de Setembro; mais nenhum outro país seria (aínda bem que utilizo o “seria” sem ter que utilizar o “será”)capaz reagir de tanta maneira diferente. Para o que se concorda e para o que se não concorda, aída bem que são assim…Eu agradeço também pelas obras de arte que me possibilitam de apreciar.

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