Estado de Necessidade

Chegámos, durante o mês de Agosto, à conclusão que afinal vivemos mesmo na América Latina. Até agora achávamos: “Ah e tal, somos latinos, mas como estamos na UE, logo, isto nunca vai ficar igual”. Mas a verdade é que vai, e que já se está a tornar. Ou será que não?

 

Esta onda de assaltos despertou nas pessoas o instinto primário de justiça rápida e eficaz, feita na hora, cujo desfecho é facilmente esquecido, já que o problema fica, aparentemente, resolvido. O governo, sempre pronto a interpretar estes sinais dos tempos, decidiu avançar com superpolícias, chips, e toda uma panfernália de medidas de segurança que as pessoas recebem sem sequer se questionarem se são ou não uma afronta a alguns direitos e liberdades. Isto porque a sede de justiça contra esses criminosos, aliada à grave onda de criminalidade (consubstanciada em assaltos que se contam pelos dedos das mãos) que os media não se cansam de bradar faz com que as próprias pessoas sejam as primeiras a ceder ao Estado o direito de lhes limitar a liberdade, já que em causa estará sempre um bem maior.

 

As opiniões de alguns iluminados que comentam blogs dividem-se, mas há sempre os que nada temem, já que “nada devem”.  A discussão está irremediavelmente centrada na polémica gerada por estas medidas e não no problema de fundo: a forma como as instituições lidam com a entrada de centenas de imigrantes que são encaminhados para guetos construídos, de preferência, longe das cidades. Enquanto não saírem de lá não há problema nenhum. E é claro que não se vai controlar a imigração, já que isso seria uma afronta ao politiquês dos Louçãs deste mundo.

 

Mas também não é de surpreender que se pretenda deixar as coisas como estão. Os imigrantes que seguem uma vida de delinquência são os principais funcionários das cadeias de distribuição de droga; por outro lado, são mão-de-obra barata e preciosa para o grande capital. Para a direita burguesa e alguma fina-flor do PS, a solução está, geralmente, em contratar segurança privada que afaste os imigrantes delinquentes que lhes construíram as casas e os hotéis de luxo onde passam férias (os delinquentes portugueses dedicam-se apenas, geralmente, a assaltar).

 

Não passaria a solução por controlar a entrada de imigrantes e dissolvê-los pelos pequenos/ médios centros urbanos, ao invés de os concentrar nas periferias das grandes cidades? Como? Oferecendo habitações sociais que não se localizem em imensos guetos, instrução em escolas em que 90% dos alunos não provenham de famílias altamente carenciadas, etc. Não creio que alguém emigre para se tornar criminoso: ou já o é ou são as circunstâncias que forçam o indivíduo a tal. Vivemos num país em que felizmente ainda é possível fazer alguma coisa pela imigração. Será que, caso pudessem, não tomariam os franceses outras opções? Hoje vêm arder carros de madrugada. A pergunta é: faltará muito até sermos nós? 

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3 respostas a Estado de Necessidade

  1. Rita diz:

    No estado a que o país chegou controlar a entrada de imigrantes é pouco…até se conseguir resolver a solução internamente deveria ser proibida a entrada a imigrantes…se já não há para quem é português vai haver para quem é de fora?!
    Sei que é uma medida extrema, mas mediante tantos crimes e tanta vigarice há que tomar medidas drásticas!
    Outra coisa para além do aumento da criminalidade é a mediatização que ela tem…hoje em dia qualquer telejornal português, até mesmo o da RTP1 (o que eu considero ainda assim dos melhores), parece o “jornal do crime”! Se formos ver quantas vezes nos últimos tempos os telejornais abriram a dar destaque a crimes tipo o do BES ou o que aconteceu na quinta da fonte vemos o exagero que hoje em dia há nas televisões…quase podemos resumir os telejornais a crime e cristiano ronaldo…ups, enganei-me, queria dizer crime e desporto! 😉
    Para além do mais, os jornalistas ainda apresentam entrevistas especiais com pessoas que cometeram os mais variados crimes, sem lhes mostrarem a cara como é óbvio, que eles (coitadinhos) podiam sofrer represálias!
    A dar tanto ênfase ao crime, o mais certo é ele gostar da fama e instalar-se!

  2. João Torgal diz:

    Alguns comentários sobre o assunto:

    1. Parece-me evidente que a questão da “onda de crime” está a ser demasiado sobrevalorizada. Todos sabemos a comunicação social altamente sensacionalista que temos e que, como tal, na ausência de outra forma de chamar a atenção das pessoas de forma mais directa, acaba por exponenciar uma situação que, sendo preocupante, não o será muito mais do que era, por exemplo, há um ano atrás. Bastaria que o europeu de futebol se estivesse a realizar agora para que esta questão da criminalidade passasse para terceiro plano nos telejornais. Seria porque os bandidos estariam demasiado entretidos com o futebol para praticarem actos criminosos? Claro que não. Seria porque a comunicação social teria um meio mais directo e simples de manipular a atenção e os sentimentos das pessoas.

    2. Em todo o caso, é lógico que esta questão merece da nossa parte uma certa preocupação e uma reacção com bom-senso. É lógico que os imigrantes que cometem crimes têm de ser punidos de forma clara (tal como aliás os portugueses que cometem crimes, ou não?). O sentimento de impunidade não pode prevalecer. Enquanto isso, a questão dos chips, dos superpolícias (será que vem aí o Chuck Norris, o ranger do Texas??) e afins é apenas mais uma reacção tipicamente portuguesa de nunca prevenir e tudo remediar (basta ver o caso dos incêndios, cujo fluxo só terá eventualmente diminuído nos últimos anos devido à benção metereológica). Por isso é que acabo por concordar em absoluto com o que disseste em relação à integração: é uma vergonha a colocação dos emigrantes em bairros que são, à vista de todos, autênticos guetos e a junção dos principais adolescentes problemáticos no mesmo estabelecimento escolar, em vez de os dispersar por espaços e por escolas diferenciadas, de forma a promover, de modo efectivo, a sua real integração na sociedade. Por outro lado, é absolutamente revoltante a hipocrisia de certos sectores da sociedade, que não hesitam em insultar os imigrantes, mas que depois assobiam para o lado quando se verifica que há muito imigrante honesto a ganhar ordenados miseráveis para desempenhar certas tarefas que muitos dos portugueses simplesmente não se sujeitavam a realizar.

    3. Desculpa que te diga, Rita, mas a tua proposta de medida sobre os imigrantes é de natureza absolutamente fascista e nacionalista, ao nível do “Orgulhamente sós” do sr. António de Oliveira Salazar. Podia responder-te invocando os direitos humanos, o facto de vivermos num regime democrático ou a questão de, mais do que portugueses sermos cidadãos do Mundo (aproveite-se o melhor que a globalização pode ter, ao nível da comunhão entre culturas e estilos de vida diversificados). Mas, em vez disso, dado que para ti não há distinção entre imigrantes trabalhadores e imigrantes criminosos, vou responder-te com uma pergunta que segue a tua linha de raciocínio:
    “Que acharias se os milhões de emigrantes portugueses fossem expulsos do país onde trabalham, independentemente da sua dedicação profissional e do seu grau de qualificação, só pelo facto de serem emigrantes?”

  3. Rita diz:

    Tal como disse seria uma medida extrema (e atenção que eu não percebo nada de políticas e de leis, sou mais dada à saúde ;))…e é óbvio que não falei em expulsar ninguém, apenas referi o facto de se parar o fluxo de imigração por um tempo determinado…é óbvio que muitos imigrantes dão o duro a fazerem trabalhos que não são da sua competência, visto terem muito mais capacidades, mas também é certo que muitos imigrantes se envolvem no mundo do crime! Se o país não tem capacidade para sustentar portugueses, até já foi dito que se o sistema de reformas não mudar que daqui a não sei quantos anos (desculpem a exactidão :P) não haverá reforma para ninguém, então deixamos entrar ainda mais imigrantes para viverem à custa de subsídios?! Porque muitos é isso que fazem! (é óbvio que não se pode generalizar, mas como muitas vezes acontece paga o justo pelo pecador…) Só acho que medidas extremas devem ser tomadas…e não medidas à Salazar! (não simpatizo propriamente com as plíticas do senhor, diga-se de passagem!)

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