Dream of Californication

CalifornicationCalifornication, uma das novas apostas da Showtime, vem revolucionar a maneira como se encaram os tabus em televisão. Talvez exagere na quantidade de cenas de sexo. Mas, por incrível que pareça, nunca parece forçado. David Duchovny faz o papel da sua vida, limpando de vez a sua insípida prestação nos detestáveis “X Files”: Hank Moody é um tipo deprimido, por quem sentimos alguma pena, já que é impossível não nos revermos de algum modo na amargura que o perpassa. Incapaz de criar algo novo (descreve-se como escritor, apesar de o enervar o facto de toda a gente se considerar “escritor” em Los Angeles, a cidade onde decorre a série), perturbado por um dos seus best sellers ter acabado num filme popularucho e oco, procura compensar o vazio deixado pelo abandono de que foi alvo pela sua ex-mulher. E obviamente reconquistá-la (acaba aqui a parte telenovela). 

A primeira coisa que me ocorreu quando vi a série foi que poderia muito bem ser um “Sexo e a Cidade” para homens, limpo, no entanto, da futilidade que caracterizava as personagens e, em geral, a primeira. Chegando ao fim da primeira temporada percebemos facilmente que a série é bastante mais do que isso. Apesar de ir beber um bocado à típica novela, está limpa de clichés e frases politicamente correctas: as personagens fumam, bebem e drogam-se, sem que nas entrelinhas se adivinhe uma pretensa mensagem pedagógica. Provavelmente também dizem “f*ck” demasiadas vezes. Tal como o “Sexo e a Cidade”, é uma série feita por adultos para adultos, só que desta vez os adultos fazem asneiras e pagam por elas. Se a série acabasse na primeira temporada, não fugiria a um happy ending, mas, como já está anunciada a segunda, podemos adivinhar que muita água ainda rolará por baixo da ponte. E eu, pelo menos, estarei cá para ver.

Sei que é transmitida em Portugal pela RTP2, mas não faço ideia a que dias e a que horas. Sinceramente, ainda há alguém que acompanhe séries pela televisão?

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17 respostas a Dream of Californication

  1. Ainda ontem o Pedro me falou nesta série e disse que era uma das que gostava de ver ultimamente! Coincidência eheh. Eu nunca vi, mas pode ser que ele saiba o horário 😉

  2. Pedro diz:

    A primeira temporada acabou a semana passada. Um “happy-ending” que não é muito forçada… sem querer revelar muito, Hank nada faz em todo o episódio para que isso aconteça. E é mesmo uma grande série. Só assim se explica que tendo eu visto (apenas!) o penúltimo e o último episódios tenha ficado… fã?!

    E, felizmente, para compensar a pobre produção do cinema americano nos últimos 3-4 anos, as séries de qualidade estão a crescer. Desde Nip & Tuck, passando por Neverwood, Californication, Six Feet Under… séries para “nichos”, não há dúvida. E que atraem dos melhores actores e argumentistas de Hollywood para os seus episódios. Depois existem os mais populares e lineares CSI e Gray’s Anatomy… mas isso é outra história, com notáveis excepções à regra como House!

    Pedro

  3. Rosário diz:

    Sim, ainda há quem siga séries televisivas: eu! E as da RTP 2 são imperdiveis:-)

  4. Rosário diz:

    Sim, ainda há quem siga séries televisivas: eu! E as da RTP 2 são imperdiveis:-)
    Californication dava á segunda-feira (terminou a 1.ª série), a seguir a “erva”

  5. Miguel Pessoa Vaz diz:

    É verdade. Eu também seguia na RTP2, e com muito gosto, pois nao tava para gastar 40€ na FNAC ou roubá-la num site qualquer da Internet.

  6. António P. Neto diz:

    Rosário:

    Eu não perguntei se havia quem seguisse séries televisivas, apenas perguntei se havia quem seguisse séries de televisão pela televisão, visto que hoje é bem mais cómodo e rápido obtê-las por… hum… outros meios. Espero que o mal entendido tenha ficado esclarecido.

    É verdade, também me disseram muito bem da “Weeds” (“Erva”).

  7. António P. Neto diz:

    Só tenho um comentário para ti, Miguel: LOL. Mais que um lugar, terás certamente um duplex com piscina no Céu…

  8. Rita diz:

    Um duplex não…uma quinta com animaizinhos e tudo =P
    Quanto à séria vi uns dois episódios na RTP2 e gostei…ms esquecia-me sempre do horário e não me apeteceu aeeanjá-la por “outros meios” =P
    A série “Erva”, embora um pouco diferente e esquisita também se acompanha bem…o problema é mm o esquecimento do horário a que é transmitida =P

  9. Eu nao a vi ainda, embora ja a tenha sacado, pirateado, ripado, roubado e gravado só pela adrenalina que me dá.

  10. Rosário diz:

    Mal entendido esclarecido, mas, o que eu quis dizer foi mesmo isso: eu (ainda!) sigo as séries televisivas pela televisão! Eu sei que hoje em dia há outros meios mas é assim que eu gosto de as ver… Enfim, hábitos que ficaram de outros tempos…

  11. António P. Neto diz:

    Atenção que eu não condeno (como é óbvio), apenas me surpreende!

    Por outro lado, Miguel, tem uma certa piada ver-te tão decidido no cumprimento da lei. O que vale é que ninguém vai ver quando passares dos 50 dentro das localidades ou dos 120 nas auto-estradas!

  12. Miguel Pessoa Vaz diz:

    Pois isso para mim já é mais complicado pois teria de desistir das minhas corridas nocturnas na Vasco da Gama ou na Ponte Europa….

  13. António P. Neto diz:

    Não interessa, Miguel. Como fazes questão de dizer: não interessa se pirateias uma ou 1000 músicas (ou se pirateias para depois comprar, por exemplo). És tão ladrão num caso, como noutro. Em que é que ficamos?

  14. José Maria Pimentel diz:

    Lamento informar-vos (e particularmente esse arauto dos bons princípios que encarna o Miguel) de que já é legal ver muitas destas séries online, sendo as próprias produtoras ou canais a disponibilizá-las. Para todos os efeitos, não é o mesmo que um filme, pois, visto o acesso ser normalmente gratuito, só se está a mudar o ponto de acesso.

    Creio que esta série esta contida nesse leque.

    Lá se vai a premissa da discussão…

    P.S. De qualquer forma, o “esmiuçar” da moralidade do Miguel pode continuar. Pessoalmente, gostava de ver a resposta ao último “repto”!

  15. Miguel Pessoa Vaz diz:

    Eu não ando a mais de 50 km/h nas localidades, nem a mais de 120 km/h. Mas se por acaso me distrair, avisa-me que eu reduzo logo a velocidade. Ah, e se a policia me apanhar, admito que fiz mal e pago a multa. Já o vosso problema é não conseguirem sequer admitir que o que fazem é errado.

    Oh, Zé, então depois diz aí qual é o site onde se pode ver as séries online, estou curioso. Escusas de me dizer aqueles em que dá para ver, apenas se viver nos EUA, porque não conto mudar-me para lá tão cedo.

  16. Adoro quando o zé diz “repto” ou “esmiuçar”, acho extremamente sensual.

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