A Assembleia Nacional francesa aprovou uma proposta de lei do partido do Governo no sentido de criminalizar o incitamento à anorexia. A esquerda veio dizer que o controlo dos media não podem ser uma forma de combate da doença. Mas o que é certo é que a anorexia e a bulimia são muito mais comuns nos nossos dias do que há umas décadas atrás. E seguindo passos lógicos, a explicação tem de estar relacionada com uma maior coacção por parte de todos no sentido de cada mulher se aproximar da mulher padrão. E a mulher padrão é bela e magra; quem não é bela, tem de ser magra; quem é bela…também tem de ser magra. Não há volta a dar: as revistas de moda, pouco antes do Verão, explicam “como perder os quilos a mais para o seu Verão”, e as revistas do Outono explicam “como perder os quilos que engordou no Verão”, e assim sucessivamente. Não queremos com isto dizer que serão estes os agentes do recentemente criado tipo de crime de incitamento à anorexia. Mas esta visão sazonal claustrofóbica da mulher não ajuda certamente. Como também não ajuda os números acabarem no 40 – se tanto – nas lojas de roupa. Isto para explicar que os media têm a sua quota parte no problema – e quem diz os media diz as empresas que trabalham no mundo da moda, as editoras de revista de moda … Pondo a coisa noutros termos: quem tem comportamentos anoréticos e bulímicos ataca a sua própria integridade física, atingindo-a de forma muitas vezes irreversível. A ordem pública, não obstante não estar nada interessada em assistir a estes ataques, tem de os respeitar, como momentos do livre desenvolvimento de cada um. Mas isso não significa que tenha de respeitar, também, quem potencia, explora, desenvolve esses ataques, ou seja, nós – comunidade – não vemos certamente com bons olhos que se explore patrimonialmente essa autoflagelação. E, por isso, apesar da lei aprovada, hoje, em França, não resolver o problema da anorexia nem da bulimia – e nesse aspecto a esquerda tem obviamente razão – ela é, julgamos nós, o reflexo da nossa vontade em que não se explore a nossa fraqueza com prejuízo para nossa integridade física.
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