Ainda a história da aluna e do telemóvel na escola Carolina Michaelis – Parte I

Pensava que, no caso da aluna que começou aos berros e empurrões à professora, porque não aceitava que esta lhe tirasse o telemóvel, nada mais me podia revoltar que a hipocrisia na forma de choque com que muitos encararam o sucedido, como se achassem que a escola é um paraíso e que não há grandes problemas de indisciplina na escola portuguesa. Teria sido bastante mais útil que, muitos daqueles que se limitaram a ficar chocados (e dos que se aproveitaram do sucedido, como a comunicação social sensacionalista) e a apregoar apenas a punição pura e simples dos alunos daquela turma, reflectissem de modo mais geral sobre a situação, sobre o facto deste caso não ser, nem perto disso, um processo isolado ou sobre quais as razões que levaram aquele professor a não pôr a aluna imediatamente na rua (talvez porque, se assim fosse, ainda seria a professora a ser punida, ao abrigo do novo processo de avaliação dos professores, ou ver-se-ia na humilhação de ter de preencher 30 papéis burocráticos para “pedir desculpa” por ter mandado a “pobre criança” para a rua) Ou, já agora, sobre a forma como potenciam a indisciplina medidas políticas de desautorização dos professores e de facilitismo aos alunos e ideais do estilo “Escola dos afectos”, do porreirismo e da camaradagem  na escola.

 Mas, dizia eu, pensava que não iria haver nada que me revoltasse mais. Mas enganei-me. Eis quando ouço dizer que uma tal de pedopsiquiatra Ana Vasconcelos veio para a televisão desculpabilizar a aluna com pérolas argumentativas do tipo: “Tem que se compreender a reacção da aluna porque o telemóvel é uma extensão do seu corpo ou “Temos de ajudar e compreender estes jovens para quem a escola não é interessante“. Qualquer dia ainda vamos ver esta gente a desculpar, salvo exagero, casos de tiro ou naifadas na sala de aula com o argumento de que é da idade.

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5 respostas a Ainda a história da aluna e do telemóvel na escola Carolina Michaelis – Parte I

  1. José Maria Pimentel diz:

    Chama-se serviço público. Dá-se espaço a todo o tipo de declarações. Desde transeuntes entrevistados ao acaso na rua, até defensores de visões enviesadas de ver o ensino.

  2. João Torgal diz:

    A questão é que se considera hoje que a educação é como o futebol: qualquer um se acha competente para mandar os seus bitaites na comunicação social sobre o assunto. Ridículo é ver, por exemplo, opinion makers com formação em economia ou direito mandarem umas bocas sobre os professores, acusando-os de serem os responsáveis pela degradação progressiva da educação em Portugal (Miguel Sousa Tavares e afins). Pela mesma lógica de raciocínio tão simplista e bacoca, deveriam então assumir serem eles próprios, economistas, advogados e outros intervenientes dessas áreas, os responsáveis pelo estado calamitoso em que se encontra a justiça e a economia nacionais. Seria uma questão de coerência.

    O pior neste caso é que a tal pedopsiquiatra foi provavelmente convidada pela SIC com uma espécie de estatuto de especialista na matéria. Portanto ainda é mais grave, pois supostamente não era apenas mais uma a mandar umas bocas.

  3. Miguel Pessoa Vaz diz:

    1º – Era o que faltava que para falar de educação ou outro assunto mais comum, se tivesse que ser especialista nessa área. Acho que se pode e deve ter opiniões. Aliás, tu próprio mandas muitos bitaites sobre coisas que se calhar não conheces a fundo. Ou seja, não é preciso ser professor ou querer sê-lo para falar de educação.

    2º – É óbvio que os professores são dos principais responsáveis pela ‘degradação progressiva da educação em Portugal’. Tal como os vários ministros de Educação. Felizmente, esta ministra parece estar a tentar melhorar as coisas. Mas é óbvio que quando as pessoas se acomodam, depois não querem mudar. É o que se passa com os professores. Qualquer coisa que se oponha ao seu estatuto magnífico e único na função-pública de não precisar de ser bom para subir na carreira, é logo um escândalo e um ‘ataque’ a essa classe. Aliás, eu compreendo a indignação dos professores. Se eu fosse um deles, claro que preferia que tudo continuasse como está.

    3º – No caso da aluna do telemóvel, é claro que aquela aluna é uma verdadeira anormal, e como ela existem de certeza muitos mais. Mas também não entendo como é que uma professora permite isto: “Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.” . Mas que é isto? Depois é claro… Dá-se a mão, ficam logo com o braço…

  4. João Torgal diz:

    1. Mandar uns bitaites num blog ou no café é uma coisa. Falar num meio de comunicação social nacional como se fosse entendido na matéria é outra bem distinta. Acho tão ridículo como acharia se visse, por exemplo, um professor de biologia a dissertar de forma presunçosa no jornal da TVI sobre o défice ou sobre a actuação da polícia no caso Maddie. Das coisas que mais me irrita é ver gajos que têm a mania que são entendidos em tudo.

    2. É lógico que não acho que os professores sejam os principais responsáveis pela situação que se vive na educação. A culpa será, porventura, porque a escolha para o ministério da educação recai sempre por alguém que não faz puto de ideia de como é o funcionamento quotidiano da escola. Depois, claro, temos medidas completamente desfasadas da sua aplicação. Quanto à avaliação, muitos dos professores querem ser avaliados. Agora o que eles contestam, em particular os melhores, os que têm confiança no seu trabalho, é este processo de avaliação que valoriza não aqueles que são melhores científicamente e que melhor ensinam, mas sim os burocraticamente mais obedientes e os que mais facilitam na sala de aula, contribuindo assim para o “sucesso escolar” a todo o custo, que a ministra tanto deseja (o triunfo da mediocridade). Assim, dizer que os principais culpados são os professores é tão hipócrita como dizer que a justiça não funciona e os processos demoram anos a serem resolvidos por culpa dos advogados e dos juízes. Não faz sentido.

    3. Concordo com o que disseste a propósito da professora. A atitude dela de permitir o uso de telemóvel para ouvir música nas aulas de francês (????) é de facto ridícula. Foi também por isso que me revoltou a “onda de choque” hipócrita que se espalhou por esse país fora. Porque se é 100% revoltante ver estes pedopsiquiatras e psicólogos sempre prontos a desculpar os meninos por tudo e por nada, também não deixou de irritar bastante a ideia passada de que esta aluna fez algo que mais ninguém faz e que é absolutamente impensável de acontecer nas escolas nacionais e que, portanto, deve sofer uma punição maior do que qualquer outro aluno português. É lógico que, infelizmente, o que não devem faltar por aí são situações iguais ou piores que esta. A principal diferença é que nem todos chegam ao YouTube.

  5. É simples e eficiente. recentemente visitei em alverca um senhor que anuncia equipamento de corte de sinal, fiquei curiosa, e só descansei quando tirei minhas duvidas. O equipamento existe e funciona é pena não optarem por estas vias. Visitem o site http://vigianet.com e verão do que estou falando.

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