Marcha pela indignação – a manifestação de professores e suas consequências

Como foi amplamente noticiado, a manifestação nacional de professores reuniu cerca de 100 mil professores, o que corresponde, segundo os dados divulgados, a cerca de 2/3 dos docentes do ensino público básico e secundário em actividade. Mesmo que este número não seja verdadeiramente exacto, é absolutamente notável como se consegue reunir um número tão grande de elementos de uma mesma classe profissional para defender uma causa comum e para demonstrar todos a uma só voz a sua censura em relação ao ministério, sendo que muitos deles nem sequer são sindicalizados e estavam ali a participar numa manifestação pela primeira vez nas suas vidas.

Desmontada de forma clara a teoria governamental de que os professores contestatários eram apenas comunistas, sindicalistas e pouco mais, esperava-se que o governo tirasse desta situação claras ilações políticas, próprias de um governo democrático. No entanto, não. A “Lurdinhas” diz que entende o descontentamento dos professores mas que eles ainda não viram como a avaliação é positiva (em que ficamos, entende ou não entende? ou acha que os professores são genericamente burros?) e que está disposta a dialogar mas sem alterar nada nas suas propostas (para que serve um diálogo onde não há nenhuma abertura para mudar??). O primeiro-ministro Sócrates diz que as manifestações não o fazem mudar nem um pouco o seu rumo, independentemente do número de pessoas que se manifestem, no fundo que tanto faz estarem 100 pessoas na rua como 1 milhão, para ele é igual (que belo espírito democrático este). E ainda volta a falar em rigor na educação (olha quem!). O ministro dos assuntos parlamentares manda desvairado umas bocas sobre o 25 de Abril, dizendo que os protestos é tudo de comunistas, que o país não deve nada a Álvaro Cunhal e que, provavelmente com razão, é ao PS que o país deve o impedimento da ditadura comunista no país logo após a revolução dos cravos. O que se esquece é que em 1974 e 1975 era trotskista e estava ao lado daqueles que queriam impôr esse regime totalitário (um pequeno detalhe, portanto). Finalmente, para terminar em beleza, o PS marca para Sábado que vem um comício no Porto para, qual entidade divina, qual déspota iluminado, o Eng. Sócrates ser venerado por uma comitiva de carneiros previamente ensaiados (em que tipo de regimes é que José Sócrates se terá influenciado para a dinamização deste tipo de iniciativas? Quais terão sido?)

Enfim, depois de tudo isto fica a pergunta: será que esta gente não tem vergonha na cara???

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