Ainda os oscares: uma escolha surpreendente e arrojada da academia

Apesar de já passarem algumas semanas desde a cerimónia de atribuição dos óscares 2008, acho que ainda vou a tempo de falar um pouco sobre os prémios, até porque ninguém ainda o fez neste blog (infelizmente ainda  não vi alguns dos filmes nomeados e, como tal, tecerei apenas alguns considerações muito particulares)

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Vi na semana passada o grande vencedor dos oscares : Este país não é para velhos de Joel e Ethan Cohen.  Apesar de alguns diálogos absolutamente delirantes, a fazer lembrar os filmes de Quentin Tarantino, e uma interpretação soberba de Javier Burdem, na sua personificação de um diabólico e frio assassino,  o filme não me convenceu muito (até porque os irmãos Cohen realizaram em 1996 o óptimo Fargo, para mim bem melhor que este). No entanto, não posso deixar de ter alguma simpatia pela academia de Hollywood pela atribuição do oscar de melhor filme a esta película. Depois da obra-prima Colisão e do também muito bom Departed, os galardoados nos dois últimos anos, a academia dá um passo em frente escolhendo como vencedor um filme que tem muito pouco dos habituais estereótipos de filme de óscar, o que, goste-se mais ou menos do filme, tem de ser motivo para algum elogio.

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No entanto, dos filmes que vi referentes ao ano que passou, a minha escolha vai, sem dúvida, para o grande filme que é Expiação de Joe Wright, curiosamente um filme bem mais facilmente enquadrável na linha dos oscares do que o vencedor. Se não o viram, não percam, é um filme que nos envolve do princípio ao fim. Tem momentos de cinema absolutamente deslumbrantes, como a primeira parte do filme (cheia de planos múltiplos fantásticos, em que vemos a mesma cena mais que uma vez, pela perspectiva das diferentes personagens principais: Robbie, Cecilia e Briony, brilhantemente interpretada pela jovem Saoirse Ronan), a estrondosa cena da praia ou aquele final absolutamente  surpreendente. Tudo isto acompanhado por uma perfeita banda-sonora (previsivelmente vencedora do oscar de melhor banda-sonora) a cargo do italiano Dario Marianelli, que já havia colaborado com este realizador no filme “Orgulho e Preconceito”.

P.S. Por falar em banda-sonora, muito bom foi também o trabalho musical dos australianos Warren Ellis e o emblemático Nick Cave para o filme O Assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford. Achei o filme extraordinariamente chato, mas a banda-sonora é óptima.

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3 respostas a Ainda os oscares: uma escolha surpreendente e arrojada da academia

  1. António P. Neto diz:

    O “Atonement” é fantástico. Nem sei o que elogie mais, se a fotografia se o argumento… Soubre os outros não falo, já que não vi nenhum… Nem tenciono ver, lol.

  2. Zep diz:

    Penso que deveriam ver o Juno. Para muitos não será certamente um filme fora de série mas a representação da Ellen Page, a banda sonora, e a originalidade do argumento(que valeu um óscar), além do facto de ser um filme independente de baixo custo faz com que eu diga que é seguramente dos melhores filmes do ano. Um abraço a todos

  3. José Maria Pimentel diz:

    Não é dos melhores…é o melhor!

    (nada presunçoso da minha parte…)

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