Finalmente!

O Governo australiano vai pedir desculpas à população indígena.

Durante 10 anos, o governo de John Howard recusou-se, teimosamente, a fazê-lo. O pedido de perdão aos aborígenes é algo semelhante ao reconhecimento por parte da Igreja (há uns anos, pelo Papa João Paulo II) dos crimes da Inquisição.

Os Aborígenes habitam a Austrália há 50000 anos – ou seja, cerca de 49800 mais que os actuais e “europeus” habitantes. No entanto, isto não impediu os colonizadores de, bem ao estilo britânico, primeiro, os tratarem como seres inferiores e, portanto, sem quaisquer direitos (matar um aborígene era, durante o século XIX e parte do XX um crime sem qualquer punição – aliás, nem sequer era considerado como tal); e, posteriormente, terem tentado um processo de assimilação (continha por base o conceito “irrefutável” de que, visto estes terem uma cultura inferior, ser lógica “obrigação” dos “civilizados” educá-los), que consistia, entre outras medidas, na entrega, para a adopção por famílias brancas, de crinças indígenas.

Convém realçar que os Aborígenes são donos de uma cultura ancestral e muito própria, cujos valores deveriam ser, no mínimo, respeitados e, mais que isso, são superiores aos nossos em muitas vertentes. Compreende-se, assim, quão presunçosa foi a colonização europeia ao desprezar a sua cultura.

Mais, este povo é uma raridade. Nenhuma outra cultura é capaz de explicar as fontes deixadas pelos seus antepassados há dezenas de milhares de anos, com base numa cultura que se mantém desde esses tempos, num fio cronológico não quebrado (que não existe, nem de perto, em qualquer país europeu)!

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7 respostas a Finalmente!

  1. André Belo diz:

    Concordo plenamente. Os colonizadores invadiram tanto a Austrália como os outros continentes sob o pretexto de evangelizarem e civilizarem, mas as atrocidades cometidas em prol das suas riquezas naturais obscurecem as intenções dos europeus. Porém, pior que os britãnicos na Austrália, foram o espanhóis na América Central, os quais, sob o comando de Pizarro e posteriormente Cortéz, cometeram autênticos genocídios, ASSASSINANDO milhares de indígenas por causa da ganância do ouro. Triste, verdadeiramente triste. E o estado espanhol, já pediu desculpa?

  2. Não acho que haja algum dever moral em responder por crimes que a geração actual não cometeu (e certamente não cometeria). Há, talvez, um dever de memória e para isso basta o reconhecimento das atrocidades. “Desculpa” é o reconhecimento dos crimes e da culpa de quem a pede. Não me parece que algum australiano de hoje se sinta um assassino.
    De igual modo, recuso a ideia de cultura inferior/superior, seja em prol dos Aborígenes ou não. Ainda, parece-me discutível a criminalização dos colonizadores, já que implica que se tome uma posição de julgo sob o olhar da actualidade, posição essa que não faz qualquer sentido nem leva a lugar algum.
    Para mim a História não é um lugar de opiniões, sobretudo quando se fala de culturas já que induz sempre a uma posição etnocêntrica, atitude geralmente arrogante. (Não estou com isto a insinuar que tu ou o André Belo o sejam, mas acho que se formam sempre opiniões redutoras do assunto e proponho, por isso, outra abordagem – ou melhor, abordagem alguma!)

  3. José Maria Pimentel diz:

    1. Portugal, França e Inglaterra aboliram a escravatura em meados do século XIX.

    Há 30 anos, na Austrália, os aborígenes não tinham quaisquer direitos.

    Que te parece?

    Se aqui te parece que há uma posição etnocêntrica é perigoso… Poderá dar lugar a raciocínios semelhantes para fenómenos actuais (Quénia, por exemplo).

    Há 70 anos, havia um rapazola que tinha ideias parecidas em relação aos judeus… Agora começo a ver as coisas de maneira diferente. Se calhar estava a ser “etnocêntrico”! 😉

    Mais, mesmo hoje em dia, a História que os australianos aprendem na escola, e não se pode dizer que tenham muito para dar, mal fala nos aborígenes. Esquisito!

    A questão é que aqui não se está a falar dos colonizadores (como se passa no caso espanhol), mas sim de australianos.

  4. Há 30 anos? Sendo assim, “my bad”, confesso a minha pouca informação no assunto! Em todo o caso, a resposta era mais dirigida ao “tom” do primeiro post.
    Fenómenos actuais é diferente, estás no teu contexto, para mais numa sociedade global interligada de tal modo que os problemas já dizem respeito a todos. Mesmo assim todo o cuidado é pouco nos diálogos entre religiões (culturas) hoje em dia.
    “Há 70 anos, havia um rapazola”
    Acho que dificilmente podes ser “etnocêntrico” (esta deve ser a palavra da semana!) perante um só individuo. Reconheço que esse rapazola de que falas não pode ter outro nome senão o de assassino, se isso chegar. Mas um rapazola não são rapazolas, nem Hitler era a Alemanha. Agora se me disseres que aqueles rapazolas (a Alemanha, a cultura de então) de há 70 anos atrás eram uma cambada de assassinos, aí a coisa já é discutível. No entanto, bem ponderadas as coisas, não quer dizer não podemos chamar as coisas pelos nomes. Acho somente, e talvez não tenha sido claro, que o sentimento que atribuis ao que dizes é que pode ser tomado por – e porque não utilizar novamente o termo – etnocêntrico.

  5. a resposta era mais dirigida ao “tom” do primeiro post. – queria dizer do primeiro comentário!

  6. José Maria Pimentel diz:

    1. Pois, “pá”, a diferença está mesmo no facto de isso se ter passado não apenas na altura da colonização, mas também no tempo da Austrália como país.

    2. Também pensei nisso quando o referi, mas o rapazola não estava sozinho a jogar ao quarto escuro (excelente metáfora, note-se). Além disso há 2 pontos em que convém atentar: 1º, ele chegou lá devido a um sentimento nacional que existia (embora, claro, não tão exacerbado como na figura dele) e que advinha tanto do papel – para alguns alemães exagerado- dos judeus na sociedade, como também das circunstâncias vexatórias para a Alemanha em que o Tratado de Versalles foi assinado. 2º, tal como no caso australiano (não querendo comparar a dimensão dos 2) e como quase sempre se verifica, o governo (ou quem manda) tem sempre um papel fundamental na incutição (é assim que se diz?) desse sentimento na sociedade
    No caso da Austrália, o modo como os indígenas eram vistos tinha muito a ver com o modo como o poder (leia-se ingleses 1º e governo australiano depois) lidava com o assunto. Agora com o novo governo, espera-se que a situação progrida. Só para teres uma ideia, as pessoas quando matavam aborígenes nem tinham a ideia de que o faziam em relação a um semelhante. Era como se matassem 1 bicho! (Mas isto, atenção, já não se passava há 30 anos, aí via-se mais a terrível ideia da assimilação).

    3.Alinho em “etnocêntrico” para palavra da semana! Tem potêncial! lol

    4. Mais nada… Mas gosto de “escrever por pontos” e queria escrever outra vez: “Etnocêntrico”.

  7. Só posso concordar contigo, Zé-tnocêntrico!

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