“A Universidade de Coimbra (UC) é a única portuguesa representada no ranking do Centro de Desenvolvimento Universitário, uma instituição independente alemã, sendo destacada a área da Psicologia (…)”
in IOL Diário (via Fantástico Melga)
“A Universidade de Coimbra (UC) é a única portuguesa representada no ranking do Centro de Desenvolvimento Universitário, uma instituição independente alemã, sendo destacada a área da Psicologia (…)”
in IOL Diário (via Fantástico Melga)
O Africa.cont é o recentemente criado centro de promoção da cultura contemporânea africana. Foi neste contexto que, no agradável espaço ao ar livre das Tercenas do Marquês, se realizou em Lisboa, no passado dia 26 de Setembro, esta iniciativa musical, com concertos de três projectos africanos bem distintos, sendo um deles o de Mulatu Astatke & The Heliocentrics
Multau Hastatke é um dos grandes mestres do jazz etíope, cujo trabalho se celebrizou no seu país de origem nos anos 60 e 70, mas em que a aclamação ainternacional só chegou na nesta década, quando Jim Jarmusch recuperou a sua música para o filme Broken Flowers de 2005. Este ano, Mulatu voltou aos lançamentos originais, em parceria com os Heliocentrics, a banda de apoio do mítico DJ Shadow. Trata-se de um álbum de fusão reforçada, isto porque se a música de Mulatu já é uma combinação entre o jazz e pormenores tradicionais africanos, a isto acrescenta-se agora o experimentalismo funk da banda britânica.
Confesso que das primeiras vezes que ouvi a música de Mulatu Astatke, quer a solo, quer com os Heliocentrics, não fiquei desde logo fã. A música que temos aqui está longe de ser simples e imediata e, no meu caso pessoal, a situação agrava-se por eu estar longe de ser fã de jazz. No entanto, é daquele tipo de música que se vai entranhando pouco a pouco, em que a paciência e a audição consistente são fundamentais para se perceber a magia subliminar e a perfeição estética que por aqui se encontra e que resulta em pedaços de verdadeira obra-prima musical.
Ao vivo, quem, como eu, esperava uma transposição para o formato ao vivo mais meditativa e ambiental, enganou-se profundamente. É certo que não temos aqui propriamente música festiva, que se adeque prioritariamente a uma lógica mais dançável, mas a verdade é que o ritmo e a cadência apelam a algum movimento do espectador. É um dos sinais do crescimento da música em palco, onde estão Mulatu e os cerca de dez elementos que compõem os Heliocentrics (percussões, sopros, teclados, baixo, guitarra ou violoncelo), que quer colectivamente, quer através de alguns pormenores individuais, como o profundo virtuosismo saído do vibrafone e das percussões de Mulatu, o psicadelismo dos teclados ou os devaneios experimentais do brutal violoncelista, tornam ainda mais grandiosos temas incríveis como “Cha Cha”, “Esketa Dance” ou “Yekermo Sew”, rebatizado como “Broken Flowers Suit” para o tal filme de Jarmnusch. Uma palavra para as condições de som: não sendo perfeitas e relevando alguns problemas, merecem ainda assim nota positiva, num espaço tão aberto e dada a necessidade de conjugar tantos instrumentos e sons tão distintos.
Concluindo, se Inspiration Information é aclamadamente um dos discos maiores de 2009, o concerto de Setembro foi também, um mês depois de Seun Kuti, mais um dos grandes concertos do ano em Portugal.
Fica para audição “Yekermo Sew”:
Nota: O texto completo sobre esta iniciativa do Africa.cont pode ser consultado no blog do programa Artesanato Sonoro da RUC (www.artesanatosonororuc.blogspot.com)
União de Facto. Um blog “às direitas”. Porque sim.
Fico contente com a decisão. Alec Baldwin não é apenas um excelente actor, é um óptimo comediante. Basta ver a sua prestação na série “30 Rock”, em que interpreta uma caricatura de Donald Trump (claro que contracenar com Tina Fey ajuda). De Steve Martin conheço pouco, mas estou certo que será uma boa dupla.
O “i” de há umas semanas atrás(ou este ou o “Público”) perguntava aos leitores se “achavam que Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa”. Não consigo perceber qual a maior idiotice: os delírios de Saramago ou este tipo de inquéritos. Na verdade, são uma mania recorrente e servem quase sempre um de dois fins: elaborar a pergunta de forma a que as respostas confirmem uma certa “linha editorial”/ “orientação ideológica” do jornal (isto no caso do “Público” é flagrante) ou apelar aos ímpetos do leitor menos moderado. É certo que a questão já tinha sido abordada por um euro-deputado que ninguém conhece, mas a idiotice da nossa classe política é, quanto a mim, auto-suficiente: não precisa da ajuda dos jornais.
Em segundo lugar, e como já tinha referido Vital Moreira, propor (ainda mais alguém que devia conhecer a Constituição e zelar por ela…) que alguém renuncie à nacionalidade é, digamos… não me ocorre o termo. Mas isto é para ser levado a sério!? Há uns anos, e tanto quanto sei, tentou-se o mesmo com Soares, porque “espezinhou a bandeira”. Logo a bandeira! Podemos ter uma classe política que chafurda na lama que nós pagamos, mas com a bandeirinha e com o hino não se brinca! Viva a Maria da Fonte!
Esta forma peculiar de entender o patriotismo/ nacionalismo, digno de um folhetim do PNR (todos temos um José Pinto Coelho dentro de nós, after all) é revelador da nossa insegurança e de um certo paroquialismo ferreira-leitesco. Como pode Saramago jogar com o baralho todo? Num país cheio de santinhas e capelinhas kitch do estado-novo, fazer comentários deste género é no mínimo uma tentação irresistível. Mas é certo que deve pagar pela blasfémia: na cruz. Ou numa coluna de Vasco Pulido Valente. Se bem que isso seria desumano, não?
Alberto João Jardim fala de Portugal na terceira pessoa. Do plural.
Sim, isto é real!
… pela morte de António Sérgio, aos 59 anos, vítima de ataque cardíaco.
Com a sua voz rouca e quase cavernosa tão peculiar e o seu papel de verdadeiro divulgador de excelência, António Sérgio era, até hoje, um dos maiores vultos vivos da rádio portuguesa, com programas míticos como “Som da Frente” ou “Hora do Lobo”.
Actualmente, o radialista era o responsável pelo programa “Viriato 25″ na Radar, uma das pouquíssimas rádios que ainda preserva uma certa lógica de rádio de autor, mas que infelizmente só emite na zona de Lisboa. Isto porque, fruto do espírito preverso, tacanho e puramente mercantilista em que se tornaram genericamente as rádios nacionais, com playlists “encomendadas” pelas editoras, fantoches como locutores e ausência total de criatividade e inovação, António Sérgio foi há cerca de dois anos escandalosamente dispensado da Comercial.
Fica aqui a minha mais profunda homenagem a este grande nome da comunicação nacional, que, infelizmente, muito por causa das horas tardias a que, por norma, iam para o ar os seus programas (geralmente de madrugada), não pude ouvir tão frequentemente como gostava. Na hora da despedida, ficam as suas palavras sábias sobre o que são hoje em dia as rádios nacionais:
“Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe: ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não te faz comprar discos”
António Sérgio, in Blitz, Novembro de 2007