Arquivo de Outubro, 2009

O Real perde 4-0 com um clube da segunda b e…

Outubro 29, 2009

…os gajos ainda se dão ao luxo de atirar uma bola ao poste, naquilo que seria o golo da noite. Espantoso!

Se um dia ganhar um Nobel…

Outubro 28, 2009

…também farei coisas destas.

 

Costumo dizer que Saramago tem um privilégio quase ímpar em Portugal, o de ser inimputável. Pode dizer o que quiser, fazer o que quiser, pois está lá tão em cima que ninguém se atreve a imputá-lo. Atrevia. A verdade é que tenho que rever este conceito. Rever, mas pouco, Saramago é imputável, vê-se agora, mas é imputável da maneira mais branda que jamais se viu. Fosse outro a proferir aquelas provocações e toda a opinião pública, já para não falar na Igreja, mostraria as garras em oposição feroz. Como é Saramago (e, mais ainda, um Saramago ancião), os teólogos e padres prontificam-se a debater calmamente com o escritor, indo até, como fez Carreira das Neves, salvo erro, mais longe, desculpando-o e comparando-o, nas suas divagações, a um “gato-fedorento” (acho que era um elogio, mas também pode dar-se o caso de a expressão ter sido pensada no sentido literal!). Parece quase que os papéis se invertem.

A pena é que tudo isto até poderia ter dado uma discussão engraçada e instrutiva, mas nem o próprio ‘Sir Amago‘ parece estar para isso. Acho que o homem só queria mesmo aquilo, mandar a laraxa.

P.S. Adorei aquela de que ele fez isto para vender mais livros. Está-se mesmo a ver. Um homem de oitenta e tal anos, no fim da vida, e que já vende livros como pãezinhos quentes…

Grandes concertos 2009 – Seun Kuti

Outubro 25, 2009

Na ressaca dos festivais de Verão, tenho assistido nos últimos meses a alguns óptimos concertos. Este conjunto de posts, que aqui se inicia, tem como objectivo fazer uma espécie de análise pessoal do que foram esses grandes momentos ao vivo que tive o prazer de assistir desde o final de Agosto.

Seun Kuti, CCB – 29 de Agosto

       

     Seun Kuti é filho do lendário Fela Kuti, nome grande da música africana e do afrobeat, uma espécie de fusão entre o funk, o jazz mais irreverente e o poder dos ritmos africanos, resultando em algo absolutamente explosivo, contagiante e extraordinariamente dançável. Seun pode já não ser tão visionário como o pai que, da Nigéria para o Mundo, foi o percursor do género que, em plenos anos 70, revolucionou definitivamente a concepção da música africana, incrementando-a com um groove de natureza mais urbana e com uma uma forte produção que a afastou da sua vertente tradicional mais pura e lo-fi. No entanto,  herdou do pai o estatuto de entretainer (nunca vi Fela Kuti ao vivo, mas o seu estatuto performativo de estrela é algo unânime) e a capacidade de fazer música extraordinariamente rica, poderosa e que ganha muito corpo na transposição para o formato concerto.

       Foi tudo isto que se pôde observar no concerto ao vivo que Seun Kuti deu no CCB em Agosto, concerto integrado no festival CCB Fora de Si, que, do ponto de vista musical, contou com quatro nomes diferentes da world music. Dado o carácter muito festivo e dançável deste tipo de concertos, foi estranho o facto do concerto ter decorrido num espaço com lugares sentados, limitando um pouco a reacção do espectador e que obrigou muitos a ver o concerto de lado ou na parte de trás do espaço, de forma a poder fazê-lo de pé . Para compensar um pouco este  senão, a acústica do espaço mostrou ser óptima, proporcionando  um som verdadeiramente irrepreensível, algo bastante complicado, dada a multiplicidade de instrumentos presentes em palco.

A estreia do músico em Portugal tinha ocorrido em 2006 , na 8ª edição do FMM Sines. Na altura, sem originais compostos, o músico baseou o seu espectáculo no repertório do pai e, diz quem viu, incendiou por completo o castelo da vila alentejana. Foi também com uma versão de Fela Kuti que se iniciou o concerto do CCB, no caso uma cover instrumental de “Army Arrangement”, estando “apenas” em palco os Egypt 80, big band de apoio de Seun Kuti, onde ainda marcam presença alguns músicos que acompanhavam o seu pai, mas sem o gradioso baterista Tony Allen (embora sem o carisma e a notável noção rítmica deste, o seu substituto mostrou estar à altura dos acontecimentos, como aliás se esperava, dada a habitual valia dos músicos de afrobeat). A partir daí, em termos de temas tocados, tudo terá sido diferente do que se passou em Sines. Isto porque, entretanto, Seun Kuti lançou o seu disco de estreia, o fabuloso Many Things do ano passado, disco em que mostra definitivamente ser muito mais do que o filho de Fela Kuti, mas um músico de corpo e alma, com nome próprio e que interpreta originalmente composições verdadeiramente brilhantes. Ao longo de cerca de hora e meia de concerto o músico atravessou o disco, com a riquza instrumental de temas como ”Think Africa” ou “Na Oil” a  fazer-se sentir, dado o fortíssimo poder rítmico das percussões, o som explosivo e fundamental dos metais ou a magia dos coros. Pelo meio, houve lugar a discurso de intervenção política, com passagem pela questão do Iraque, pelo cinismo norte-americano, pelas desigualdades sociais e pelos paradoxos da crise económica. Um discurso um pouco disconexo e, por vezes, incompreensível que, ainda assim, acrescentou mensagem ao concerto, antecedendo “Many Things”, tema título do disco e mais um momento alto da noite.  Já depois do verdadeiro caos e êxtase instalado no palco, com os músicos a correrem de forma desenfreada e em todas as direcções no final da parte principal do concerto, houve direito a um encore, em que “Mosquito Song” transportou grande parte dos espectadores para junto do palco, permitindo que todos sentissem da melhor maneira a profunda vibração dançável do afrobeat e da música de Sean Kuti. No fundo, um verdadeiro ambiente de festa e celebração a fechar da melhor maneira um dos grandes concertos do ano em Portugal

Para ouvir, fica “Many Things” de Seun Kuti.

 

(texto criado para o blog do Artesanato Sonoro, programa de músicas do Mundo da RUC – www.artesanatosonororuc.blogspot.com)

Outubro 25, 2009

Aqui na UC Interrompemos a Lavoura Para…

Outubro 19, 2009

Dar conta de algum mau estar que provoca o facto de a Universidade de Coimbra ser a única universidade portuguesa referenciada no ranking do “Times Higher Education“, o que tem gerado bastante perplexidade. Não se preocupe, Constancinha. O tio paga aquele MBA da Católica na mesma!

An Offer We Can’t Refuse

Outubro 19, 2009

Retribuem-se links no blogroll: Delito de Opinião e Turista Acidental. O primeiro é um blog generalista que, por acaso, já sigo há um par de meses, o segundo é um excelente diário de viagem do Pedro pela Disneyland (so it seams…). Recomendam-se, claro.

Já conhecem?

Outubro 15, 2009

Latas há Muitas?

Outubro 15, 2009

Pedindo desde já desculpas pela minha cabulice (posso apenas garantir que estive ocupado com outros assuntos), venho por este meio colmatá-la, e nada melhor para o fazer do que falar sobre um assunto que não se reveste do mínimo interesse: o cartaz da Festa das Latas de Coimbra, commumente conhecida por Latada.

Tanto quanto se sabe, a Latada compunha-se de vários cortejos organizados pelas faculdades. Um belo dia arranjou-se maneira de fazê-la gerar dinheiro. De há unas anos para cá arranjou-se maneira de a fazer gerar muito dinheiro.

As comissões organizadoras deste tipo de eventos são compostas, normalmente, por gente que nada conhece da AAC. Metem-se nas listas da DG e apanham-se, de repente, a lidar com uma realidade que os transcende por completo. Não sabem como funcionam os grupos da Associação Académica de Coimbra, nem sabem a diferença entre estes e todos os outros: “são tunas”, pensam! Fazem apenas o que lhes mandam: agradar ao maior número de grupos possível, para que assim, no próximo ano, haja o maior número de votos possível.

Por outro lado, convidam-se artistas anunciados como “grandes nomes”. Pode não interessar que estejam rodados e não forneçam nenhuma referência cultural a ninguém. Mas isso interessa pouco, já que 80% dos espectadores de concertos não se lembrarão, provavelmente, do que viram no dia seguinte. Mas faço a seguinte pergunta: por que não utilizar um orçamento destes para proporcionar um evento em que realmente se produza e se divulgue cultura? Ninguém nega que o cartaz da Latada deva agradar a todos e reunir o máximo de géneros possível (o que não acontece, mas vamos supor, por ora, que até acontece). E pergunta, agora, o único leitor que se deu ao trabalho de chegar aqui: mas que cultura? Eu respondo: artistas nacionais. Exclusivamente nacionais. Não falo apenas do Rui Veloso e do Jorge Palma (para os organizadores destes eventos, “artistas nacionais” parece significar apenas isto). Falo de inúmeras bandas  com projectos musicais consistentes e necessidade de divulgação. Fazem-se festivais que duram uma semana quase que exclusivamente com artistas nacionais. E resultam. E estão mais cheios de ano para ano. Por que razão continuamos a achar que não resultará aqui?

Qual é, por feliz ou infeliz acaso, a noite mais cobiçada da Latada? É Quim Barreiros! Artista nacional! Repare-se: não estou a sugerir um cartaz de música pimba, mas sim um cartaz que junte o útil ao agradável: que alargue os horizontes culturais dos estudantes e que divulgue a música e os artistas portugueses. Será difícil? Há poucos? Será que Coimbra tem mesmo que alinhar pelo que se passa nas outras “Semanas Académicas”? Será que é mesmo necessário marginalizar e relegar para segundo plano os grupos da casa? Contratar DJs? Incluir um artista sonante só porque sim?

Onde estão neste cartaz o Fado e a Canção de Coimbra? O Folclore da região? Bandas que constituam novidade? Por que são remetidos os grupos da casa para o final da noite (como sempre) e tratados como “sortudos”?

Resta perguntar: é a Festa que merece a Academia que tem ou a Academia que merece a Festa que tem?

Subscrevo e alargo…

Outubro 13, 2009

…para o resto do país a crítica de Daniel Oliveira sobre as decisões do Bloco de Esquerda na eleição autárquica de Lisboa, expressa no “Arrastao”, no seguinte endereço:

              http://arrastao.org/sem-categoria/era-bom-que-trocassemos-umas-ideias-sobre-o-assunto/#comments

Vitória eleitoral total

Outubro 11, 2009

Já começa a ser um hábito que, em todas as eleições, ninguém perca e todos os partidos ganhem. Mas nas eleições autárquicas isso ainda acontece de forma mais simplista e fácil, com análises absolutamente surreais e distorcidas da realidade.  Como são mais de trezentas câmaras e 4 mil juntas, basta, com o devido exagero, que um partido vença a Junta de Freguesia de Vila Nova de Rabona para que faça a festa. Nesta eleição, todos os partidos tiveram as suas amargas derrotas:

                   1- O PS perdeu Faro (terá sido o partido que menos perdeu)

                   2 – O PSD perdeu Leiria, o domínio autárquico nos Açores e não ganhou Lisboa, em que apostava muito forte nesta campanha;

                    3 – A CDU perdeu Beja, Sines ou Marinha Grande

                     4 – O Bloco não conseguiu eleger vereadores em Lisboa ou Porto e não conseguiu transpôrr o seu crescimento eleitoral legislativo para o sector autárquico, com resultados bastante modestos;

                     5 – O PP teve um papel mais modesto nesta eleição, por estar coligado em muitos locais com o PSD. Ainda assim, fica também naturalmente ligado às derrotas da coligação

   Apesar disso, quase que se diria que só houve vitórias e que nenhum partido sofreu derrotas eleitorais. Impressionante.