Arquivos para Julho 2nd, 2009

Duas coisas que dão que pensar

Julho 2, 2009

1. Sinal dos tempos. Um péssimo ministro (Manuel Pinho) sobreviveu a tudo. Caiu no fim porque ficou mal na fotografia.

.                                                    Daniel Oliveira

2. Sem um pingo de ironia vos digo: não me parece que a atitude de Pinho seja assim tão tão grave. No meio do circo que a Assembleia da República se tornou, com “muito bens” e aplausos forçadíssimos a tudo o que os companheiros ou camaradas de partido dizem e críticas igualmente forçadas a muitas das coisas que os adversários referem (quando estão atentos, às vezes nem isso), com gozos, sorrisos cínicos, discursos trauliteiros, faltas às discussões e às votações e mais um sem número de coisas que revelam sentido de estado abaixo de zero (basta ligar a televisão num debate parlamentar qualquer para ver um pouco de tudo isto), este é mais um exemplo da podridão que se tornou a casa da democracia portuguesa

Confiança e idealismo…

Julho 2, 2009

No discurso de encerramento do debate sobre o estado da nação, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos (talvez um dos ministros socráticos menos maus) apelou à confiança, a uma atitude progressista e optimista e criticou os negativistas, os pessimistas, o Portugal macambúzio e descrente. Algumas horas antes, antevendo a clarividência deste discurso tão idealista e apoteótico (que até citou Os Lusíadas de Camões e A Mensagem de Pessoa), um certo senhor respondeu-lhe assim:

Pinho

Brákiu fáquers!

Julho 2, 2009

Entre o riso e a indignação

Julho 2, 2009

Por pouco esquecia-me do título…

Julho 2, 2009

        I.            Santana Lopes gosta de túneis, está mais que provado: depois do túnel do Marquês, segue-se o túnel a ligar a Avenida  Fontes Pereira de Melo aos túneis do Campo Pequeno e do Campo Grande. Para a obra, Santana convoca – e bem precisa – a ajuda de “Deus”: isto de governar autarquias não tem ciência nenhuma, como é bom de ver é uma questão teológica, depende de Deus, do Messias, do destino, enfim, Santana é o mensageiro de Deus para o problema da Câmara de Lisboa e espera-se que os cidadãos de Lisboa respeitem a Sua vontade. Empréstimos, obras embargadas… não, não, não… é Deus que vai dar “sentido” a Lisboa. Mal seja eleito, as deliberações da Assembleia Municipal passarão a ser tomadas na Igreja, e o procedimento administrativo será substituído por homilias.  Só nos resta dizer o seguinte: sabíamos que Santana não sabia governar, só não esperávamos uma afirmação tão categórica da sua falta de aptidões. Mas há que “falar verdade”, por isso compreendemos…

 

      II.            Hoje, no “Público”, Maria José Morgado disse que a modernização do processo penal português passava por acabar com a fase de instrução, a fase (eventual) que se segue ao inquérito e antecede o julgamento. Não podíamos estar mais de acordo: os sucessivos governos, com as reformas legislativas operadas nesta matéria – e especialmente a do governo ainda em funções– conseguiram excutir  a utilidade desta fase.  Sucede que – para além dos problemas de constitucionalidade que essa extinção acarretaria – temos dúvidas da idoneidade da solução de se pôr termo à fase de instrução mantendo o regime que vale para a fase de inquérito, designadamente a entidade que o dirige – o MP. É que como clarificou o caso “Freeport”, há pressões do poder político (desculpem, de alguém que usou  sem licença os nomes de José Sócrates e de António Costa e que, como “recompensa”, não foi suspenso das suas funções) sobre os magistrados do MP. O PGR tem a confiança política do Governo. Não escrutinar a legalidade das decisões do MP é um grande risco, e não falamos aqui tanto das situações em que o MP acusa, mas mais daquelas em que ele não acusa. Pois aí ganhariam legitimidade aqueles que constantemente quebram o segredo de justiça e que se arrogam defensores do sistema de justiça penal. De facto, com o MP “ à solta”, restar-nos-ia a TVI… mas julgo que todos temos consciência de isso não traria nada de bom.