Arquivo de Junho, 2009

Em homenagem ao Zé

Junho 30, 2009

Qual é a única comida que liga e desliga? – O Strog-On-Off.

O que é que um tomate diz para o outro? -Tomatas-me.

O que é que um tubarão diz para o outro? -Tubaralhas-me.

O que é que uma impressora diz para a outra? -Essa folha é tua ou é impressão minha?

Diz a massa para o queijo: – Que maçada!
Responde o queijo: – E eu ralado!

No hospital, diz o médico: – O senhor é o dador de sangue?
- Não, eu sou o da dor de cabeça!

Por que é que na Argentina as Vacas passam
a vida a olhar para o céu? – Porque tem ‘Boi nos Ares’!

Para que servem óculos vermelhos? – Para vermelhor.

Já conheces a piada do fotógrafo? – Ainda não foi revelada.

Giro

Junho 30, 2009

(O tempo do video é de aproximadamente 1 minuto e 12 segundos e representa as 24 horas de um dia inteiro de viagens de avião, internas e entre continentes. Aproximadamente cada segundo de filme representa 20 minutos reais. Cada pontinho amarelo é um vôo com pelo menos 200 passageiros. Os vôos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, e retornam de dia.)

Pensar Portugal. Desorganizadamente, claro!

Junho 29, 2009

Somos um país deveras curioso, de contrastes. Os nossos 900 anos de história, por exemplo, são suficientes para fazer parecer os EUA um Estado recentíssimo. E, contudo, sejamos francos: que fizemos nós durante o tempo que cá andámos? Os descobrimentos foram, sem dúvida, o grande marco. O único grande marco, sem pretender exagerar. Demos, sem dúvida, o primeiro e mais importante passo rumo ao mundo que conhecemos hoje. Ficaremos, por isso, na história da humanidade, e com um lugar importante. Mas cinjamo-nos aos factos que, numa visão menos romântica, mais interessam. Mesmo no apogeu do nosso império, nunca fomos a maior potência mundial. Nem, arrisco dizer, a segunda maior. Quando nós nos dedicávamos ao mar, os grandes países europeus (França, Inglaterra e o Império espanhol) não o fizeram por falta de visão, sim, mas também por terem um papel preponderante na, à época, acesa disputa de poder intra-europeia, na qual Portugal, simplesmente, não riscava. Para além disso, o país que mais lucrou com os descobrimentos portugueses não foi o seu patrocinador, mas sim a Holanda (Flandres). Era este país (se é que, na altura, podia assim ser chamado) que tinha capacidade para escoar os produtos que nós trazíamos de longe. Amesterdão era o porto central, Lisboa apenas o intermediário.

Hoje, em 2009, cá estamos nós, uma espécie de Académica da primeira liga dos países, nunca descendo mas sem nunca alcançar um lugar de relevo. Todos os anos engendrando planos, invariavelmente de curto prazo e revertidos pelo treinador do ano seguinte. E, o mais curioso, é que não parecemos tristes com tal fim. Nunca nos desenvolvemos, mas também, em boa verdade, nunca quisemos. Houve, sim, um ou outro maluco com derivas pragmáticas, mas o pessimismo e facilitismo nacionais sempre os coarctaram.

A isso junta-se uma peculiar relação pai-filho teenager entre o cidadão e o estado. Um pai ao mesmo tempo irresponsável e permissivo e um filho pré-adolescente preguiçoso que vive exigindo mais regalias em troca de nada. Para além disto, o filho imberbe nutre pelo progenitor o típico ódiozinho que qualquer filho desenvolve, na puberdade, pelos pais. É enternecedor assistir ao modo como nós adoramos, por exemplo, odiar os políticos, mais precisamente, os primeiros-ministros. Não se trata (só) de oposição ou de discordância com as políticas do governo. Trata-se, por e simplesmente, de ódio pessoal. Cavaco era verdadeiramente odiado no final da sua década. Guterres, que era um pai mais porreiraço, sempre pronto a dar uma playstation ao filho, era-o em menor grau. Durão Barroso e o seu famigerado sucessor também não escaparam à ira nacional. Pinto de Sousa, finalmente, foi tão longe que consegue já ser tão odiado como Cavaco. E depois é ver os comentários, o asco com que o filho olha e fala do pai. É ver – e isto é o mais hilariante – aquelas pessoas que sublimam as frustrações pessoais inventando e/ou fazendo passar torrentes de emails com piadas, geralmente fracas, sobre “o nosso primeiro”.

No meio disto, reina o nacional-porreirismo. O mérito não existe e qualquer tipo de punição não passa de uma miragem. É uma mistura fatal em termos económicos. O país pouco progride e beneficia apenas de estar colado à Europa.

Mas, sejamos honestos, é dramático? Não temos nem teremos nunca a riqueza dos países nórdicos, é certo, e viveremos sempre a contar os tostões. Mas temos sol, temos bom tempo, boa comida e segurança, podemos ir à praia durante o Verão e beber minis ao ar livre durante quase todo o ano! Alguém deseja, verdadeiramente, trocar com um islandês? (ou, melhor dizendo, desejava). Sinceramente, não me parece.

Mas…e quanto a trocar com um espanhol? Talvez aqui a resposta seja diferente. De um modo assumida e radicalmente simplista, há uma coisa que devemos e podemos melhorar. Basta olhar para o nosso país vizinho, terra natal de João Torgal. Falta-nos, algo crucial que os espanhóis têm: patriotismo (não nacionalismo). Em Portugal o interesse pessoal está sempre à frente, bem à frente, do país. É assim na política, é assim nas empresas, é assim, até, nas escolas! Portugal interessa-nos pouco, à parte de futebóis. O que é, de certo modo, compreensível. O futebol é o único campo em nos vemos, de algum modo, ameaçados. Quanto ao resto, estamos longe da Europa, já não há guerras, a pessoa sofre um pouco mas “vai andando” (típica expressão tuga, aliás).

“Um dia a seguir ao outro, uma semana a seguir à outra, um mês a seguir ao outro, um ano…” como discorria uma telespectadora intervindo num destes programas de opinião pública, antes de ser oportunamente travada pelo locutor.

Agora que morreu, voltou.

Junho 28, 2009

God is Bob Marl… Marx!

Junho 25, 2009

Um tal de Jorge Cadima informa-nos, no sempre insuspeito “Avante“, que o que se passa no Irão é só mais uma das dezenas de tropelias que os governos “euro-americanos” levaram e têm levado a cabo. Desde o referendo ao Tratado de Lisboa até fraudes nas eleições na Florida e no Ohio, tudo é passado em revista. Uma pergunta para o Sr. Cadima: na altura os media internacionais também foram corridos dos EUA?

Bottom line: não há nada como as religiões para cegar as pessoas…

Via Arrastão

Sobre a Educação

Junho 25, 2009

Numa notícia recente, um investigador canadiano concluiu que Portugal lidera no que toca em “repensar a educação para o séc. XXI”. Em causa está a atribuição dos famigerados computadores “Magalhães”. O “Magalhães” é provavelmente a polémica mais imbecil que se gerou em Portugal nos últimos anos. Em  vez de se debater a estranha negociata com a “Sá Couto”, dezenas de “educadores” viram no computador um alvo a abater, bem como um sintoma daquilo que seria o declínio na educação nos próximos anos. Seria culpa do “Magalhães”, claro. Mas seria mesmo?

Quem me dera a mim ter tido a possibilidade de aceder a um computador daqueles quando tinha 10/ 11 anos. Apesar de o acesso a meios informáticos já ser uma coisa relativamente fácil em 98, não se compara à facilidade que hoje há em aceder-lhes. Por outro lado, a distribuição em massa de computadores só pode vir a ter resultados… positivos. Penso que hoje, mais do que nunca, é importante saber desde criança utilizar com fluidez um computador. Isto porque a Internet é um poço sem fundo de informação, e não é difícil que haja disponível a informação que procuramos, difícil é saber encontrá-la. Acho que desenvolver este mecanismo desde cedo só pode ser proveitoso. Quando se generalizou o uso de calculadoras o discurso foi o mesmo, e é óbvio que são hoje uma ferramenta de trabalho indispensável.

O problema da educação não passa, quanto a mim, pelo investimento público em tecnologia considerada “supérflua”. Passa pela deturpação e manipulação crescentes do sistema. Como? 1) Pela má formação dos educadores em licenciaturas, mestrados e tralhas afins como as “Ciências da Educação”: penso que o sistema deveria funcionar ao contrário: deveriam ser os próprios professores, depois de formados em determinada área a especializarem-se neste ramo; é para mim um mistério o porquê de almas que nunca deram aulas na vida nem se especializaram em nenhum ramo de conhecimento terem a função de vir às escolas explicar aos professores aquilo que descobriram na bibliografia mínima que estudaram para as cadeiras. Ainda mais quando muitas delas são apenas almas renegadas por não terem conseguido a média necessária para entrar em “Psicologia”; 2) Pela instrumentalização para fins políticos da educação. Quanto a mim, isto é provavelmente o maior cancro do sistema. É tão eticamente reprovável e criminoso que repugna! Toda a gente percebe a lógica de funcionamento: a) o governo precisa de provar que as reformas que levou a cabo surtiram efeito. Para isso b) faz provas relativamente fáceis para c) obter resultados que comprovem o seu sucesso. Mas como evitar esta instrumentalização?

Isto leva-nos a um problema de fundo, sem solução aparente: a escolha de pessoas para cargos públicos. Não se valoriza o conhecimento nem as competência, valoriza-se o cartão de militante. Manobras destas fazem-se às claras em todas as empresas públicas, institutos, repartições… Se esta “clientela” já provoca efeitos nefastos em alguns sectores, na educação são devastadores. Estes dois factores que apontei não são, obviamente, os únicos: relacionado com o primeiro problema está a crescente falta de autoridade conferida aos professores (pela escola e pelos próprios pais). Muitos mais se lhes poderão, obviamente, juntar.

Não sei como contornar este problema, mas sei – e todos sabemos – que se não se inverte este processo rapidamente vamos ter, daqui a muito poucos anos, alunos que chegam ao ensino superior a saber cada vez menos e, pior, ao mercado de trabalho sem saberem… nada. Bem, pelo menos sabem pesquisar no “Google”…

Hoje pensei num título…

Junho 25, 2009

Há alguns – não muitos – dias atrás, li no Le Monde um artigo de opinião (http://www.lemonde.fr/europe/article/2009/06/13/jose-manuel-barroso-le cameleon_1206494_3214.html) sobre a presidência da UE por Durão Barroso – cujo nome europeu julgo ser José Manuel Barroso (sem dúvida que o “Durão” ficaria mal numa personagem tão catita) – e sobre a possibilidade de um seu segundo mandato. A história é sempre a mesma: Barroso chegou à União pela porta das traseiras, e por lá continua, situação essa que, aliás, ao contrário do que sustentam alguns críticos, evidencia a coerência das suas propostas. De resto, Barroso iniciou o seu mandato parafraseando a máxima de Turgot – “pour gouverner mieux, il faudrait gouverner moins” – e termina-o com um “mais Europa”, clamando por uma maior “regulação e supervisão efectiva dos mercados financeiros”, de matriz Keynesiana. No dito artigo, cita-se um comentário do Presidente do grupo liberal do Parlamento Europeu, Graham Watson, que aqui reproduzimos: “Il – leia-se Barroso - court um peu trop derrière les dirigeants des grands pays (…). Si Délors avait adopté la memme attitude, on n’aurait jamais eu l’euro”. Trata-se da máxima, sempre prudente, do “ se não os podes vencer, junta-te a eles”.

Também noutro jornal – desta feita no The New York Times – li um artigo de Tony Harshaw (Weekend opinionator: Is racist hate republican or democratic?), onde o autor comenta os extensos debates travados na blogosfera sobre ao homicídio do segurança do Museu do Holocausto. Eis o link – http://opinionator.blogs.nytimes.com/2009/06/12/weekend-opinionator-is-racist-hate-republican-or-democratic/.

Por último, uma curta nota sobre o Ministro Mário Lino: sendo certo que hoje a questão se encontra resolvida – já sabemos que só saberemos se temos TGV ou não para a próxima legislatura -, há que realçar – e, diga-se, não criticar – a prudência de Mário Lino quando inquirido sobre a questão. Ao invés dos já conhecidos galicismos  – “jamais”, “moi non plus” – o Ministro serviu-se desta vez de um bem português – “não faço a mais pálida ideia”. Não sentimos todos que se denotava já aqui a política de “governar com humildade” que Sócrates instituiria umas semanas mais tarde?

Obama

Junho 23, 2009

Difícil…

Junho 23, 2009

6. Em Moscovo, a Susana guardou alguns rublos, moeda russa, para comprar lembranças para os amigos. Decidiu que as lembranças teriam todas o mesmo preço. Verificou que o dinheiro que guardou chegava exactamente para comprar uma lembrança de 35 rublos para cada um de 18 amigos, mas ela queria comprar lembranças para 21 amigos. Qual o valor máximo que poderia pagar por cada lembrança, com o dinheiro que tinha?

Pergunta presente no exame de 2009 do 9º ano (?????)

E se o Irão fosse a Somália?

Junho 23, 2009

Muito se tem falado ultimamente da eleição no Irão e no clima de profunda agitação política que ela proporcionou. Não consigo ter uma opinião totalmente formada sobre a existência ou não de fraude ou se o candidato da oposição era verdadeiramente mais democrata do que Ahmadinejad (um certo sector do Ocidente bem se esforça por dar a entender que sim, embora me soe sempre a argumento  falso para justificar a defesa de alguém que sirva os seus interesses). Uma coisa é certa: a reacção do regime às manifestações populares, sejam elas mais pacíficas ou não (outro facto que efectivamente desconheço), proibindo a cobertura jornalística e respondendo com violência extrema, mostra o inegável espírito ditatorial que marca o regikme iraniano.

No entanto, a questão que destaco, neste texto, é a análise por outro prisma. O que aconteceria se, em vez do Irão, tudo isto estivesse a acontecer na Somália, na Etiópia ou no Mali? Eu digo-vos: NADA. Ou seja, nem se falava e a comunidade internacional estava-se verdadeiramente nas tintas para o que aí sucedia (basta ver o que aconteceu durante anos e anos no Darfur). Porquê? Porque os motivos que justificam a preocupação com o Irão são frequentemente de  puro interesse económico e de poder político à escala mundial e não há esse tipo de interesses em jogo nos países referenciados. Neste contexto, com tanto cinismo, mentira e oportunismo, como é que as populações do Irão e dos restantes países do Médio Oriente podem gostar do Ocidente e dos Estados Unidos em particular? Verdadeiramente impossível.

Para tudo isso muito contribuiu o discurso e a política externa do sanguinário e criminoso de guerra Geroge W. Bush (só uma justiça internacional com as suas ambiguidades e os seus desígnios pró-ocidente, pôde deixá-lo impune), em que as ideias eram basicamente as seguintes:

1. È uma ditadura inimiga e contrária aos interesses dos EUA – invadimos unilateralmente o país ou colocamos-lhes entraves de diversa ordem,de forma a incrementar o nosso controlo económico na região. A ideia de democratização e libertação da população não passa de areia para os olhos da  comunidade internacional

2. É uma ditadura amiga e próxima do regime americano – ignoramos e estabelecemos cooperação internacional se necessário;

Há, no entanto, uma mudança de paradigma desde que Obama tomou posse, nomeadamente no que se refere ao Irão. Em vez da ameaça militar, o discurso tem sido sempre na lógica de reconhecer a legitimidade dos estados respectivos, referindo que, mesmo que haja ajuda da comunidade internacional, as mudanças revolucionárias de regime têm de partir de dentro, da vontade popular dos países em questão e não de um modo invasivo e imposto pelo Ocidente. Para além de ser louvável enquanto base, este discurso tem também tido o mérito de desarmar o espírito anti-americano destes grandes ditadores do  médio oriente que antes aproveitavam esse alvo externo para unir as pessoas em defesa do seu projecto ultra-conservador, fundamentalista e castrador das liberdades individuais. Basta ver o incómodo que provocou em Ahmadinejad, que tem hoje muito mais dificuldade em fazer passar a sua mensagem. Poderá não ser suficiente para mudar muita coisa, dada a importância que têm historicamente os sectores mais conservadores e ultra-nacionalistas americanos, mas é pelo menos um esforço significativo de Obama em promover a aproximação entre os dois lados do Mundo.

P.S. Com este texto e aquele sobre o filme do Chaplin e o álbum dos Oi Va Voi, acho que já dá para compensar a minha parcial ausência de colonista da semana passada :)