Arquivo de Abril, 2009

Uma boa ideia

Abril 17, 2009

Funeral

Abril 17, 2009

Depois do ‘velhinho’ Napster e do insuportável Kazaa, hoje foi a vez do Pirate Bay – ou melhor, dos seus quatro criadores – ser fechado. Os quatros mancebos foram condenados a um ano de prisão e a pagar uma multa.

Independentemente da bondade do tema – que é bastante bicudo – não me parece que a prisão seja a melhor solução. Creio que uma multa mais elevada faria mais sentido.

Em qualquer caso, parece-me evidente que este não é de todo o modo de acabar com a coisa.

Gostava de lançar o tema – não a condenação, o mais geral, a pirataria – para a ‘Mesa’. Parece-me claro que uma coisa é inegável: 20 € por um CD, 25 € por um DVD é demasiado e, como tal, a tecnologia e a consequente pirataria vieram de certa maneira colmatar esta falha. Por outro lado, 0€ é talvez barato demais. No caso dos CDs, pode-se argumentar – e eu concordaria agradavelmente – que a música deveria ser gratuita e os concertos – esses sim – pagos. No entanto, em relação aos DVDs, a coisa é menos linear. Ainda há o cinema, é certo, mas por quanto tempo?

Blogoesfera, um café perto de si

Abril 16, 2009

Uma das coisas mais engraçadas da Blogoesfera é trazer para os nossos ecrãs as disputas entre opinion-makers. Tornam-se mais frequentes, pois são mais fáceis e mais engraçadas para os próprios, em virtude da interactividade. Disputas como aquela entre o MST e o VPV já la vão, são old-fashioned!

Uma das mais recentes e engraçadas opõe um senhor chamado Carlos Santos – que, diga-se de passagem, é dono de um currículum invejável -, autor dum livro que dá pelo prodigioso nome de “E agora, Obama?”, a…meio mundo.

Um exemplo está aqui, no Corta-Fitas, e opõe-o ao Tiago Moreira Ramalho e mais um ou outro que depois comentam. Vejam, recomendo vivamente. Segue um excerto, para abrir o apetite:

“(…) tu és tão estúpido, mas tão estúpido e tão cheio de ti (…)”

“(…) queres ir bardamerda, Rui (…)”

Uma eleição importante

Abril 16, 2009

Eu sei que não é fácil, nem traz à partida frutos nenhuns, mas o PSD subiria muitos pontos na minha consideração se aceitasse discutir nas próximas europeias a Europa. Algo que, tenho a certeza, o PS não aceitaria, caso estivesse no seu lugar. Implicaria muita resiliência, perante uma aposta do PS que passa precisamente por colocar um candidato assumidamente separado do governo, mas seria bom para o país e para a Europa.

Embora tal não esteja, ainda, à superfície, esta eleição é importante. Não o é pelo curto prazo. Enquanto durar a crise, outros temas se sobreporão. Mas o mandato é para quatro anos. E quando a crise finalmente passar o tema Europa vai ressurgir. E vai ser preciso repensar as instituições. Vai ser preciso, se não mudar, pelo menos pensar em mudar. E para isso será necessário um Parlamento consciencializado, pois será este o grande órgão de poder no médio prazo (até se passar a eleger o Presidente do Conselho Europeu).

A propósito disto, recomendo a leitura deste artigo. Até porque fala também do ‘nosso’ Durão. E, já agora, aqui são descritas algumas críticas ao seu comportamento, segundo alguns, demasiado conivente com os grandes países.

Um clube grande

Abril 16, 2009

Os jornalistas ingleses, que, há semelhança dos nossos, adoram poder entreter-se, sobrevalorizando um pormenorzito menos relevante, não se cansaram de dar relevância ao facto de nenhum clube inglês ter – até ontem – ganho no Dragão. Importância discutível do facto à parte, a atenção dada a este record (quebrado ontem) serve apenas para mostrar o respeito que o Porto já granjeou na Europa. Não tenhamos ilusões, ninguém põe o Porto no mesmo patamar que um Manchester, um Barcelona, um Inter, etc… Mas, sobretudo depois desta eliminatória, o Futebol Clube do Porto está imediatamente a seguir. É daqueles clubes com que os grandes têm que se preocupar, que tentarão evitar.

Não tenho ilusões, ontem o Manchester provou porque merecia passara a eliminatória. Mas demonstrou também o respeito que tem pelo Porto.

Junto um excerto de um artigo do Nuno Rogeiro, benfiquista, no JN:

«É realmente preciso que a “clubite” se alie ao atraso mental, para não reconhecer que o F. C. Porto merece estar entre as quatro melhores equipas da Europa. E que deve ser, com o Barcelona, um dos dois clubes do Mundo com melhor futebol na actualidade. Para além disso, o F. C. Porto tem dignificado a imagem de Portugal, é um produto internacional de prestígio e uma marca sólida. Cresceu sempre com os pés assentes na terra, e merece homenagem. Tudo o resto é desconversa. Sou benfiquista, mas não sou cego.»

via Blasfémias

P.S. Só de pensar que este clube é compatriota de outro, o Sporting, que é constantemente humilhado na Europa faz-me impressão. Que diferença!

Eterno

Abril 15, 2009


O Costa do Castelo, com António Silva.

Adenda

Abril 15, 2009

A propósito deste post, que aqui gerou ampla discussão, sugiro a leitura deste artigo do El País:

“La educación mixta de aplicación metodológica común ha dejado de tener sentido, a la luz de la experiencia y de los actuales conocimientos científicos.”

Se a discussão está longe de ser linear – e está-o -, tendo em conta que há pelo menos um argumento muito válido para manter as aulas conjuntas, relacionado com os frutos do convívio entre os sexos, que vão bem para além da simples aprendisagem académica, não deixa de haver, também, uma série de argumentos pertinentes (e, pelos vistos, com base científica), para, pelo menos, se passar a dar mais atenção às diferenças entre os sexos.

via O Cachimbo de Magritte

Outdoor Para Sala de Estar?

Abril 14, 2009

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O novo outdoor do PSD, ou melhor, de Ferreira Leite (se fosse do PSD teria um fundo laranja berrante e um comentário jocoso ao governo de Sócrates) diz mais sobre a candidata a primeira ministra do que parece à primeira vista. Manuela Ferreira Leite é, efectivamente, o que está naquele cartaz. Não existem Power Points, momentos Chavez, inaugurações, “Magalhães” e comícios de figurantes. Existe a figura central – que é ela – que pensa o que pensa e que se está pouco marimbando para o que as agências de comunicação querem que ela pense. Deste ponto de vista, é admirável que em pleno Séc. XXI, em que o marketing político é quase decisivo para se ganharem eleições, exista algum candidato que faça da política real (e não da realpolitik) a sua arma de campanha.

O problema de Ferreira Leite é que não consegue ser boa na política real. Aquele que deveria ser o seu maior trunfo – a conquista do poder pelas suas capacidades técnicas, pelo rigor e pela honestidade está esbatido e é irrisório face ao gigante da comunicação que é Sócrates e família. Fecha-se em copas sobre praticamente tudo, não deixa nos ouvidos das pessoas uma ideia, uma solução. Informa-nos de tudo aquilo que Sócrates não deve fazer mas é incapaz de dizer o que deve fazer (ela própria foi a primeira a não revelar o seu programa de governação “com medo que o governo se aproveitasse das suas ideias”). A conclusão? Manuela Ferreira Leite não serve para política e sempre que o tenta fazer soa mal, dissonante, artificial. Como o sorriso que esboçou para o cartaz, por exemplo. Ela sabe que se avizinham tempos difíceis e que não há motivos para sorrir. E o problema é que nós também.

Académica e os sonhos

Abril 14, 2009

A Académica ganhou ao Benfica no último Sábado.  Independentemente de alguma estrelinha da sorte ou da polémica arbitragem, o clube de Coimbra fez uma exibição positiva, construiu jogadas e deu consistência à escassa posse de bola.

O jogo pertence ao passado e não é sobre ele que vinha falar. Nunca me lembro de ver a Académica numa posição da tabela tão favorável (8º posto) numa fase tão adiantada do campeonato. Claro que se deve tudo a uma conjuntura muito própria externa ao clube, que confere a forma à época em curso. Acontece que até a UEFA é matematicamente equacionável. Afinal, falta jogar 18 pontos (uns difíceis, outros um bocado menos), quando  8 ou 9 deles bastariam para alcançar esta meta. E agora?

Eu já disse que nunca me lembro de tal ser sequer posto em causa, mais ainda, nesta época em que preparamos os jogos com uma enorme falta de opções e uma equipa que, com o mesmo valor de todas as outras, tem muito menos experiência e notoriedade externa (o cliché do 4º maior orçamento já lá vai, para quem não sabe, há meia dúzia de anos que temos um orçamento idêntico ao de qualquer Naval ou Estrela). Este plantel é bem mais modesto que os do tempo dos “orçamentos gordos” (tempos do Nelo Vingada e JC Pereira). Embora pareça depreciativo, este facto apenas dá mais mérito aos rapazes de negro e ao comando de Domingos, que conseguiram ensinar aos adeptos e à imprensa que é superável a mentalidade de “coitadinhos vamos mas é garantir a manutenção”.

Então agora…Por um lado acho que devemos sonhar, mas com os pés na terra. A UEFA é matematicamente possível, mas a despromoção também o é… Uma das opiniões que já ouvi foi de que seria preferível assegurar uma posição a meio da tabela (ainda jogamos com a Naval e com o Paços, nem todos os jogos são difíceis) e repetir o meio da tabela por mais uma ou duas épocas, para de seguida atacar a Europa com consistência e estrutura. Evita-se assim, o sério risco de humilhação, bem como o igualmente sério risco de seguir as pisadas de muitas equipas que num ano atacam a UEFA em força, para no seguinte ficar entre os últimos no campeonato.

Por outro lado, um dos graves problemas da casa é o que já disse, uma enorme falta de ambição e confiança, um “vamos lá sofrer e ver como é que desenrascamos isto”, que não leva ninguém a lado nenhum. Uma equipa com estatutos e estruturas profissionais não pode nunca pensar assim. Deve, com o que tem (pouco ou muito), chegar sempre mais longe e, enquanto se afigurar possível, lutar sempre por chegar mais longe e da melhor forma possível (derrotados à partida são derrotados à chegada, uma mentalidade ambiciosa e vencedora muda estas coisas). A UEFA não é uma competição que nunca tenha sido jogada em Coimbra; a UEFA não enche tanto cofre como a CL, mas ainda traz algum dinheiro; a Académica, numa prova destas atrairia muito mais gente ao estádio. Não é assim que se pensa em Braga, na Choupana, etc?

Com os meus 22 anos, estas duas alternativas de pensamento deixam-me confuso e um bocado sem saber o que pensar nem o que é, efectivamente, melhor para a Académica. Matematicamente, repito, podemos chegar à UEFA, bem como à Liga Vitalis… Ambicionar e querer avançar em força com o risco da humilhação e do descalabro ou parar, pensar e construir com o risco de ficar na mesma e nunca sair da “sepa torta”? De forma construtiva e civilizada, gostava de saber a opinião do leitor (acerca do texto claro, que a questão do jogo de sábado já está mais que mastigada).

Curiosidade: Na imagem, a capa de um jornal inglês. O jogo contava para a Cup Winners Cup. Foi quase há 40 anos (e não foi – de todo – o único que realizámos nas provas europeias).

Curiosidade 2: Esta época (08-09), ao contrário das épocas quase todas que me recordo, contando apenas os pontos dos jogos em casa, seríamos a primeira ou segunda equipa na tabela (nem quero pensar se só contassem os jogos fora…).

As palavras do génio II

Abril 13, 2009

Em tempos de embustes universais, dizer a verdade torna-se um acto revolucionário.

George Orwell