Arquivo de Abril, 2009

25 de Abril sempre…

Abril 30, 2009

Ermelinda Duarte – Somos Livres

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
“quando for grande
não vou combater”.
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Apesar do dia 25 de Abril já ter sido no sábado, todos os dias são bons para comemorar, de modo verdadeiro e sincero, a liberdade… pelo menos enquanto temos liberdade para o fazer.

Alice…

Abril 29, 2009

Alice, o melhor filme português que já vi.

Pelo modo profundo como aborda o desaparecimento de uma criança na perspectiva do sentimento de perda e da angústia dos seus pais (Mário e Luísa).

Pela forma como explora o lado frio e, por vezes, desumano de uma grande cidade.

Pela intensidade da imagem, da fotografia e da realização do filme.

Pela maravilhosa banda-sonora melancólica de Bernardo Sassetti.

Pela descrição dos dois Mundos paralelos contraditórios de Mário e de Luísa, assentes respectivamente numa obsessão rotineira e num sofrimento contido (Mário) e no alheamento e desespero exteriorizado (Luísa).

Pelo realismo, peso e impacto das interpretações, nomeadamente o brutal desempenho de Nuno Lopes (Mário)

Pela forma subtil como aborda o voyeurismo e as câmaras de vigilância, problematizando a linha tenúe que, por vezes, separa a segurança pessoal da liberdade individual dos cidadãos.

Por tudo isto, Alice é muito mais do que o meu filme favorito português. A película cinematográfica de Marco Martins é um dos grandes filmes que vi nos últimos anos e uma grande obra à escala mundial

Dito Por Não Dito

Abril 28, 2009

Não estamos todos um pouco fartos daquilo que Manuela Ferreira Leite “não quis dizer“?

Giuseppe & Joaquim

Abril 28, 2009

Mamma Mia, ainda dá que falar três meses depois.

Será por ser o 2º resultado no Google, sem contarmos com o site oficial?

Não há nada tão incómodo como a liberdade de opinião, de facto.

Abril 20, 2009

Há uns tempos, quando surgiu e foi promulgada a “lei da paridade” , pensei para mim que não se tratava de uma boa medida, ou seja, que talvez não fosse uma daquelas situações – felizes – em que o Direito faria avançar a realidade, como se costuma dizer. Julguei, mesmo, que poderia ser uma lei humilhante para as mulheres. Não acredito, ao contrário do que nos querem fazer crer os paladinos de uma nova era, que as mulheres dominem ou venham a dominar o mundo, não acredito nessa suposta “igualdade” que tantos dizem evidente, e que está por detrás de muitas alterações legislativas, nomeadamente no campo da família. E não acredito porque os dados (de facto) dizem-nos outra coisa:  dizem-nos, por exemplo, que há muito mais mulheres a viver com o salário mínimo do que homens (9,7% para 4,6%, mais do dobro). Na verdade, não deixa de ser curioso, até, que um Governo que elabora uma lei como a lei da paridade – que, no fundo, é a assunção categórica de que as mulheres não têm “poder”, não têm expressão “em cabeças” na política e que é preciso “levá-las” a esse poder e a essa expressão - elabore, por outro lado, uma lei como a lei do divórcio, que para muitos consubstancia um novo paradigma ao nível da relação matrimonial, em que deixa de haver partes desprotegidas e passa a haver “iguais”. É caso para concluir, talvez, que as mulheres – algo curiosamente – têm poder na cama, em casa, no trabalho, mas não na Assembleia da República.

Mas, retomando, julgava que não se tratava de uma boa medida. A manchete do público de hoje diz-nos que duas mulheres, que fazem parte da lista de um partido (não interessa qual)  às eleições europeias em virtude da tal “lei da paridade”, poderão ter que renunciar às suas posições para que um outro candidato possa ascender a uma posição elegível na dita lista. Ora, se uma lei que exigia uma percentagem mínima de mulheres (33%) nas listas dos partidos já não me parecia bem, uma lei que permita às mulheres renunciar a essas posições para garantir a elegibilidade de homens parece-me quase escandalosa. As ditas senhoras que, cabisbaixas, renunciarem aos seus mandatos depois de terem sido eleitas, chegarão a casa, nesse dia, e - acredito eu – não mandarão em absolutamente nada: nem na cama, nem em casa, nem no trabalho, nem na política.

O novo fenómeno do ‘iutubi’

Abril 19, 2009

Ai…!

Abril 18, 2009

“Famílias sem dinheiro para pagar a renda ou pôr comer na mesa devem ser ajudadas por um Estado mais activista, diz o Presidente (…)”

Jornalista da Sic numa reportagem

A gravação sobre Sócrates…

Abril 18, 2009

…”é (só) para inglês ver”.

É impressão minha ou…

Abril 18, 2009

…ontem aconteceu algo importantíssimo?

Sou o primeiro a criticar a justiça portuguesa pela sua inoperabilidade. No entanto, trata-se, desta vez, de um Primeiro-Ministro, não de um Presidente de Câmara, e as alegadas provas – embora não possam ser usadas como tal – são de uma tal clareza que ninguém lhes pode ficar indiferente. Não quer dizer que isto prove que o homem é corrupto, mas tem – repito, tem – que obrigar, agora sim, de vez, a investigar a coisa detalhadamente. Mesmo que o processo não vá até ao fim, não acredito que, caso ele seja mesmo culpado, aqueles próximos de Sócrates o deixem continuar como PM.

É que desta vez não é, como no caso de Soares, um tipo qualquer a escrever um livro em que relata uns episódios. É um vídeo, um vídeo, em que alguém, com a concordância implícita de um sócio, acusa o Primeiro-Ministro, revelando – DETALHADAMENTE – o processo todo.

Não prova nada, mas, mesmo num país que o ‘nosso’ Salazar qualificou como “de brandos costumes”, obriga a sociedade civil e política a levantar os braços.

Fazem-nos Falta

Abril 18, 2009

Eu nem quero imaginar o que o “Gato Fedorento” faria com os vídeos de câmera oculta em que esse tal de Charles Smith fala sobre Sócrates.