Arquivo de Outubro, 2008

(Mestres) Paredes e afins reinventados

Outubro 30, 2008

Cordis – Cordis

 


Combinando o piano de Paulo Figueiredo e a guitarra portuguesa de Bruno Costa, os Cordis acabam de lançar este seu disco homónimo de estreia. Este projecto de Coimbra interpreta essencialmente temas do extraordinário legado de Artur e Carlos Paredes, dando-lhes novas roupagens. Com arranjos particularmente requintados, contribuindo naturalmente para isso o som muito bonito do piano, e com esse extraordinário instrumento que é a guitarra portuguesa, o produto final é genericamente bastante bom (destaque para as óptimas interpretações de “Sede e Morte”, “Canto de Amanhecer” e “António Marinheiro” de Carlos Paredes).

 

Para além do património Paredes, os Cordis prestam ainda homenagem a outras duas grandes referências pessoais: António Portugal, através da revisão de “Valsa por um tempo que passa”, e Jorge Gomes, de quem interpretam “Maio de 78″. No que se refere a temas originais, há apenas um, residindo uma das grandes surpresas do disco. Pelo facto de existir um só original, “Caminhos (percurso de vida)” podia ser apenas uma forma de timidamente os Cordis darem a conhecer a música por si composta (neste caso elaborada pelo guitarrista Bruno Costa). No entanto, é muito mais que isso. O tema é de tal forma bom, a combinação do piano e da guitarra é de tal modo perfeita, que não sobressai negativamente no contexto do disco, ou seja, parece que estamos a ouvir mais uma adaptação de um brilhante tema de um dos membros destacados da família Paredes, o que demonstra a enorme qualidade da faixa e nos faz ter pena que este breve momento de novidade musical não se estenda a outros espaços do disco. Em todo o caso, que a música que aqui temos se escuta sempre com um enorme prazer, isso é algo absolutamente inquestionável.

 

 

P.S. Os Cordis apresentaram este disco no Pavilhão Centro de Portugal no dia 12 de Setembro, num concerto marcado pela presença de diversos convidados e do qual podem saber mais no próximo número da revista MACA (Magazine de Arte de Coimbra e afins)  

 

(texto inicialmente publicado em www.artesanatosonororuc.blogspot.com)

Bisous ou Küsse?

Outubro 23, 2008

Merkel pede que Sarkozy não seja tão afectuoso

Não consigo perceber quem é que tem falta de abertura, se a Merkel por não tolerar o cumprimento mediterrânico ou Sarkozy por não entender que até a saudação, em relações internacionais, é case sensitive.

A ver!

Candidatura de Santana Lopes a Lisboa

Outubro 23, 2008

- Se Santana ganha, a vitoria e dele,

- Se Santana perde, a derrota e de Manuela Ferreira Leite.

Sem duvida, um bom negocio para a lider do PSD!

O Mundo esta a mudar…

Outubro 23, 2008

Palavras para quê?

Outubro 20, 2008

Passeava eu por Óbidos (a propósito, a terra mais bonita de Portugal) com a minha “companheira”, quando decidimos entrar numa loja. Eis senão quando nos deparamos com uma bela cópia de um “escarrador”, isso mesmo, um escarrador! Esta peça nada tem de relevante para o caso que vou descrever, mas aproveito-a, em falta de motivo de maior, por me apetecer inaugurar o uso desta bela palavra no Blog. Já agora, por mera curiosidade, um escarrador, é, como o nome bem indica, um recipiente para o qual os “antigos” projectavam o seu muco. Tal comportamento era, até, segundo sei, considerado uma arte, não sendo por vezes fácil acertar no alvo (ora, se acertando o resultado já é aos olhos de um cidadão contemporâneo, digamos, nojento, não me atrevo a adjectivar a imagem resultante de um falhanço).

Tudo isto para dizer que a dita peça foi – ou melhor dizendo, o original foi-o – concebida por Rafael Bordalo Pinheiro. Ora, o dono/dona da referida loja, cuidadoso, não se asbteve de adornar o escarrador (bonito, por sinal) com a devida descrição.

É então essa descrição que aparece na imagem acima (clicar para aumentar). Ora qual não foi o meu espanto quando, ao ler o texto, reparo que não só este está no geral escrito numa linguagem, digamos, demasiado corrente, como nos apresenta – qual pièce de resistance – uma pérola do mau português:

“(…)onde acabou por descobrir a sua verdadeira vocação, derivado das políticas nos bastidores(…)”

Palavras para quê?

Javarlândia

Outubro 20, 2008

Coimbra parece tomada por uma praga de machos e fêmeas em constante disputa pela mediocridade. A Praça da República e ruas adjacentes torna-se, em pleno dia de semana, intransitável, no meio de grunhidos e mais grunhidos (a promoção do curso é feita grunhindo). Vomita-se pelos cantos. A comandar o exército estão, guess who, os doutores – trajados –  já que a Capa e Batina não existe, repousando em casa ou no chão porque se torna incomodativo carregá-la. A Capa e Batina – aliás, o traje - é a indumentária certa para uma noite de arroto e grunhido. É oficial: estudar em Coimbra deixou de ser diferente por causa do fado, da Associação Académica de Coimbra, da cultura, da praxe (como transmissão de valores) e de tudo aquilo que pode proporcionar enquanto instituição. A cidade transformou-se, hoje, numa arena de javalis (a expressão é de J.P. Simões) em que apenas a boçalidade é premiada – e quanto maior e mais gritante, melhor. Para dar continuidade a este desvirtuamento total da académica, são criadas tunas, tertúlias, reais, imperiais – ou o que servir – dentro das próprias faculdades para que aquilo que o estudante de Coimbra tenha que conhecer da Associação Académica seja apenas o Bar. 

A academia de Coimbra (mas não apenas ela, obviamente) atravessa a maior crise de valores e de identidade que provavelmente conheceu no últimos 30 anos. A Universidade deixou de ser um pólo de cultura, para passar a ser um supermercado de licenciaturas e títulos que em nada se traduzem no mundo real. Estudar em Coimbra é, numa quantidade assustadora de casos (Privadas, Politécnicos e Licenciaturas com nome de hobby), uma maneira de torrar dinheiro aos pais para obter, a muito custo, um grau que apenas promete lugar na caixa de um hipermercado. É óbvio que os estudantes não são os únicos culpados, mas não haja ilusões: têm responsabilidades, já que não fazem o mínimo esforço para se cultivar, deixando-se envolver apenas nesta neblina de mediocridade, considerada aceite.  

As próprias festas académicas denunciam a total aniquilação da identidade de Coimbra. Se são, por um lado, máquinas de recrutamento de almas que em mais nada se destacam, são, por outro, uma indústria. Não há um mínimo esforço de divulgação da música e cultura portuguesas (sendo que estes palcos seriam, sem dúvida, os indicados para o efeito). Há apenas a necessidade de imitar o que as outras academias fazem, criando uma espécie de Rock in Rio Mondego, pobre e descaracterizado. Um festival como qualquer outro, uma semana académica que poderia acontecer (e acontece) em moldes iguais (ou melhores, até) em qualquer ponto do país. No meio disto tudo, os estudantes celebram e nem sabem porque celebram. Passam por Coimbra e choram, no fim, durante a serenata monumental e também não sabem porquê. Mas têm razões para isso: vão sair para o mundo real, e muito provavelmente vão estar desempregados e descontentes com as adversidades. Vão olhar para trás com saudade do tempo em que gastavam balúrdios aos pais para viver Coimbra. No meio da javardice, claro.

Coisas Que Se Descobrem

Outubro 20, 2008

Pedro Santana Lopes tem um blog! É pena é que não seja, aparentemente, actualizado muitas vezes. De qualquer forma, sempre dá para aferir dos seus dotes de crítico cinematográfico (deparamo-nos imediatamente com uma esfuziante recomendação do Mamma Mia!) e para nos apercebermos de como foi e continua, o nosso boneco assassino, a ser tão mal tratado pelo “Contra Informação” e pelo professor. 

Esta preciosa descoberta devo-a ao Arrastão.

Pacheco Pereira Tem Razão…

Outubro 17, 2008

Há qualquer coisa de orwelliano neste anúnico da PT… 

Via Abrupto

A Careta de McCain

Outubro 17, 2008

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, reage com esta careta a uma hesitação sua na altura de abandonar o palco, depois de apertar a mão ao seu rival democrata, Barack Obama, no final do terceiro e último debate presidencial antes das eleiçoes de 4 de Novembro, na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova Iorque.”, in Publico

Ainda o Magalhães

Outubro 16, 2008

“(…) Aquelas 3 senhoras, acham que uma sessão de trabalho com a Intel é propor a 200 professores que inventem uma cantiga ao Magalhães, e se possível com teatro à mistura. Como eu e mais alguns colegas (muito poucos) mostrámos alguma estupefacção pelo que se estava a passar, uma das senhoras americanas apressou-se a dizer, bem alto e em tom ameaçador, que quem não participasse não seria incluído no sorteio de um Magalhães que iriam oferecer.

E, meus caros leitores, era ver 200 professores imbuídos naquela actividade com todo o afinco; sei que muitos grupos trabalharam online pela noite dentro e ao outro dia de manhã, os meus olhos ficaram estarrecidos com a produção apresentada. O desfile dos «trabalhos», (era assim que lhe chamavam) começou, e desde o malhão do Magalhães, até à vida de marinheiro do magalhães, passando por coreografias com adereços circenses, tudo de «útil» passou por aquele palco, até as náuseas me obrigarem a sair. Apenas voltei a entrar para ir junto da senhora que tinha o saquinho das senhas para o sorteio e dizer-lhe que não iria colocar lá o meu papelinho…”

Por favor leiam este inacreditável artigo sobre uma suposta acção de formação sobre o malfadado “Magalhães”. Uma vez mais, não é o computador que está em causa. É todo o processo.