Arquivo de Setembro, 2008

TED – Ideas Worth Spreading

Setembro 29, 2008

Descobri por acaso este site. Não é mais do que um acervo de palestras de grandes “pensadores“. Alguns explicam como chegaram ao que são hoje, outros falam sobre moral, outros sobre ciência, outros sobre tecnologia, etc. Os temas são variados e quase todos interessantes. Aconselho vivamente a darem uma espreitadela. Para vos aguçar a curiosidade, podem começar por assistir a esta incrível keynote de um dos criadores daquela que é hoje considerada uma das melhores séries de sempre: o Lost. 

Imagino um projecto português, em que Pacheco Pereira explicaria como a direcção de informação da RTP é diariamente manipulada pelo Governo, por razões que só na sua cabeça podem fazer sentido…

Hã?

Setembro 27, 2008

A cada vez mais incoerente (para usar um eufemismo) candidata republicana à Vice-Presidência:

Dúvida

Setembro 25, 2008

Um daltónico é, supostamente, alguém que confunde cores.

Vamos tomar o exemplo de um daltónico que troca o castanho com o amarelo.

Sendo assim – e no caso de o ser de nascença – não seria suposto que dificilmente descobrisse de que padecia desta particularidade?

As palavras que dão nome as cores nada têm a ver com elas, a não ser a ligação que a cultura e a língua lhe atribui. Por isso, se um daltónico vê algo castanho que os outros dizem ser amarelo, automaticamente categorizará aquela cor como amarelo. Daí por diante, portanto, não terá problemas confundindo cores.

Se isto for verdade, como sabe um daltónico que o é?

Vejo duas soluções:

- A confusão não é inteiramente correspondente, ou seja, o verde claro e o verde escuro, por exemplo, não serão para um daltónico a mesma cor;

ou

-Descobre por achar clara uma cor que é escura

Alguém me esclarece?

P.S. Erro crasso corrigido

Um bom augúrio…

Setembro 24, 2008
Ontem, na edição do Público, dizia-se o seguinte sobre a vitória do Benfica sobre o Paços: “Um bom augúrio para Quique Flores, porque não há registo de campeões sem vitórias sofridas como a de ontem”. Ora, primeira nota: quem fez este comentário é, indubitavelmente, um bom benfiquista. Não é um benfiquista “sério” – como diria o Prof. Jesualdo – mas é um bom benfiquista. Segunda nota: do que também não há notícia é de uma qualquer equipa que lute para não descer não ter, algures durante o campeonato, uma vitória “sofrida”. Pode não ter muitas, mas há de ter alguma. Assim, fica ténue, nesta altura, a destrinça entre o “campeão” e o “despromovido”…Terceira e última nota: do que também não haverá certamente notícia é de um campeão sem vitórias fáceis. Julgo, aliás, não proceder a um salto lógico açambarcador se disser que é suposto um campeão ter mais vitórias fáceis do que difíceis. E termino com a seguinte pergunta: não seria mais prudente falar-se num “Benfica campeão” depois deste ter obtido uma ou duas vitórias fáceis? Ou melhor, depois de ter obtido uma vitória sofrida após várias fáceis? Fica a dúvida…

Insurgentes

Setembro 24, 2008

Há gente com saudades do tempo em que se podia mandar calar pessoas nos jornais. Que o diga o Rui Tavares

Faca e Alguidar

Setembro 24, 2008

A seguir ao Primeiro Comando de Portugal, organização criminosa supostamente formada por jovens de favelas provenientes do Brasil totalmente inventada pelo Correio da Manhã, temos mais um caso que vem corroborar a onda de insegurança que se tem vindo a sentir. Já não consigo escrever sobre isto sem utilizar itálicos. Estas expressões são repetidas sem pudor pela comunicação social de forma a fazer crer que, de repente, se instalou uma onda gigantesca de criminalidade sem qualquer tipo de solução senão fazer justiça pelas próprias mãos. Veja-se o caso que sucedeu hoje, em Alhos Vedros. Um caso de justiça popular (anunciado às 8.30 da manhã, na SIC) que uma hora depois já se tratava de um ajuste de contas entre grupos de jovens rivais. A ideia com que o comum dos mortais fica é que a nossa comunicação social sente necessidade de manter sempre um tema fértil em sensacionalismo: há 2 anos, aquando do início do Processo Casa Pia, todos os dias apareciam pedófilos a abrir os jornais. De repente, desapareceram. No Verão, os Incêndios. Depois a Maddie, e crianças que desapareciam todos os dias. Agora a violência. Resta saber até quando é que as pessoas se vão deixar manipular por esta sede de audiências…

Tribunal Universitário em Coimbra

Setembro 22, 2008

Interessante, este artigo, sobre a abertura de um tribunal universitário que servirá de apoio à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. A notícia não é recente, mas esqueci-me, por desleixo, de a publicar aqui. Acaba-se assim com a aberração “vigente”: alunos de Direito que acabam o curso sem entrar num tribunal. Mais um passo para tirar esta faculdade do séc. XIX?

Parabéns…

Setembro 21, 2008

Apesar de com um registo pior que em Atenas, os atletas paraolímpicos portugueses voltam a estar de parabéns ao terem atingido o registo de 7 medalhas (1 de ouro, 4 de prata e 2 de bronze) e muitos outros resultados de valor. Dado os seus reduzidos apoios e a sua muitíssimo escassa projecção mediática, ainda menor do que os outros olímpicos (que já não serão, muitas das vezes, suficientemente apoiados e valorizados), nunca é demais mostrar o nosso apreço, o nosso agradecimento e o nosso profundo respeito por aqueles que, de forma dedicada, tão bem representam Portugal. Acima de tudo porque, como já vi escrito num cartaz, “Ser diferente é normal”.

Música klezmer feita em Portugal

Setembro 21, 2008

 

Melech Mechaya- 

 

 
-Melech Mechaya

Com origens no século XV, a música klezmer formou-se a partir do estabelecimento de uma forte comunidade judaica nos países da europa central e de leste. Misturando aspectos da sua própria cultura com elementos dos países onde se instalavam, nomeadamente a música cigana, formou-se assim um estilo músical muito particular, frequentemente festivo e marcado em termos instrumentais pela forte presença do violino e da flauta ou, numa fase posterior, do clarinete.

É este estilo que serve de base ao repertório dos Melech Mechaya, uma das primeiras bandas portuguesas a pegar neste universo sonoro tão peculiar, o que lhes garante desde logo uma identidade muito própria no seio do nosso país. Juntando o klezmer com outros sons exóticos vindos de outros paragens, como o oriente, este projecto acaba de lançar este seu EP de estreia. Tal como todos os EP’s, este é naturalmente bastante curto: 4 originais e uma versão para o clássico tradicional grego “Miserlou”, celebrizado pela adaptação surf de Dick Dale e pela sua inclusão na famosíssima banda-sonora de “Pulp Fiction” de Tarantino. Possuidor de uma elevada consistência qualitativa ao longo de todos os temas, este EP sabe naturalmente a pouco, pela sua dimensão muito reduzida. Venha o album para tirarmos conclusões mais concretas.

(esta crítica foi inicialmente publicada em www.artesanatosonororuc.blogspot.com)

Uma vergonha…

Setembro 21, 2008

Como já referi por diversas vezes, o maior paradoxo da democracia portuguesa (e não só) é que as suas maiores estruturas, os partidos políticos, não são na realidade democráticas. É que não vale a pena argumentar com o paleio de que eles elegem os seus representantes, de que têm orgãos com diversas representatividades, etc. Ser democrático é muito mais que isso, é garantir a livre expressão das pessoas, de acordo com os seus ideais e os seus valores.

Vem esta questão à baila por mais uma das pérolas da bancada parlamentar do PS. A propósito dos casamentos entre homossexuais, questão especialmente delicada e dependente de convicções pessoais, o PS simplesmente negou a liberdade de voto dos seus deputados, forçando-os a votar não. A desculpa ridícula dada é a de que o tema ainda não foi discutido o suficiente (não percebo em que é que isso influencia a liberdade de voto, mas enfim) e de que este não é assunto de consciência individual (???, argumento brilhante dado por essa ave do sistema político nacional que é o Vitalino Canas)

É por situações como esta que as pessoas meritórias e idelistas deste país se afastam (ou são afastadas) da política, ficando esta entregue aqueles oportunistas e medíocres que, nunca tendo sido nada na vida a não ser carneiros das J’s e afins, encontram neste sector uma forma fácil de ganhar poder, satisfazer o seu ego e, directa ou indirectamente, enriquecer.