Arquivo de Julho, 2008

Azia

Julho 15, 2008

“Pirose (do grego “pýrosis”, acção de queimar) ou azia (no Paraná também chamada cremor), é a sensação de ardor (queimação), que tem início na parte posterior do esterno e que se propaga, via de regra, através de ondas ou golfadas, até a faringe, fazendo-se acompanhar de eructação com acidez e aumento da salivação. A pirose pode ser sintoma de algumas doenças como refluxo gastroesofágico, ou indicativo de processos irratativos ou inflamação ocorrente no esôfago. O ardor é provocado pela acção do ácido gástrico (e por vezes também de bílis), fora do ambiente estomacal.”

 

Tem-se que ‘7% da população mundial tem pirose diariamente, 15% semanalmente e nalgumas sondagens 50% da população tem pirose mensalmente’“, in Wikipedia.

O apego ao poder

Julho 15, 2008

Ehud Olmert, presidente israelita (ou israelense, “à brasuca”), anda deseperado. Com o poder por um fio, consequência duma acusação de recebimento de fundos ilegais para uma campanha que pende sobre si, tenta por todos os meios agarrar-se ao poder.

O homem está, porém, longe de ser parvo, e engendrou uma estratégia inteligente: desatou a encetar vias diplomáticas com vista a acordos nas áreas mais importantes da política externa de Israel. Primeiro, aproximou-se de Bush e, com a ajuda deste, deu alguns passos de aproximação a Abbas (até chegou a terminar os ataques na Faixa de Gaza). Posteriormente, deu permissão à Turquia para mediar as negociações com a Síria, com vista a um acordo que ponha fim ao diferendo que opõe os dois países há décadas. Recentemente, por ocasião do fórum da União para o Mediterrâneo, em Paris, não perdeu tempo e tratou de fazer progressos. Reuniu com Abbas e com o primeiro-ministro turco. Na noite da cimeira, “dizem as más línguas”, chegou a ensaiar uma troca de olhares com o presidente sírio que, infelizmente para o enamorado Olmert, não foi correspondida.

União Para o Mediterrâneo – Parabéns Sarkozy

Julho 15, 2008

(e não União Mediterrânea, segundo a diplomacia francesa, para não criar “confusões” com a UE)

Sarkozy, o hiperactivo presidente francês, joga mais uma cartada na sua (já aqui referida) estratégia de afirmação pessoal e da UE (por esta ordem) como potência mundial num mundo, agora, cada vez mais tripartido (EUA, China, UE).

Porém, mais que a estratégia francesa, interessa analisar o projecto em relação à UE. E este é tão bom quanto difícil. Juntar na mesma sala líderes europeus, muçulmanos e judeus (e digo-o assim porque, mais que o continente, é, ainda, este o seu factor distintivo) é uma tarefa hercúlea e, certamente, de resultados incertos e demorados.

Acontece que os benefícios são muitos e apetecíveis. Desde os politicamente correctos ligados à interligação de culturas aos mais pragmáticos, são exemplos:

1. As migrações inter-europeias são – paradoxalmente – mais relevantes que as intra-europeias. E destas as provenientes do norte de África (rumo, principalmente, a França, pasme-se!) são talvez as mais importantes.

2. Numa altura em que se pode dizer que se os recursos fósseis não estão a escassear… disfarçam muito bem, a cooperação energética com esta zona do mundo torna-se particularmente benéfica, protagonizando mais uma desesperada tentativa europeia de escapar à dependência russa.  (curiosamente, é a Alemanha, grande parceira dos russos – para desespero da UE – que mais desmotivada se mostra em relação a este projecto)

3. Por fim, o verdadeiro motivo (e que, no fundo, resume os anteriores): O objectivo europeu de, qual cachorro, “marcar território”. No mundo globalizado de hoje, as três potências do futuro jogam todas as cartas e cada país/zona pode tornar-se um alvo apetecível. A bacia mediterrânica, pela proximidade geográfica e pelos recursos de que dispõe, é um alvo em relação ao qual a Europa pode crer ter melhor pontaria que os adversários. Resta ver se o braço não treme.

(4). Importa ainda dizer que este projecto pode (e, se calhar, nem os líderes europeus têm a certeza) ser a semente para futuros países aderirem à UE. Desde já, a Turquia, a cuja adesão Sarkozy sempre se opôs. Um teste positivo nestes termos poderá fazer milagres na visão europeia deste país. Os turcos parecem desgostar da ideia de um “caçar com gato”, mas é melhor que nada.

As potências mediáticas

Julho 14, 2008

Um dos fenómenos mais curiosos da Geopolítica – e cujo crescimento é, em grande parte, fruto das novas tecnologias – é a a entrada de um novo factor na equação de definição de Potência. Se no passado o debate se colocava entre o poder económico e politico (ou até social), hoje qualquer pessoa identifica, inconscientemente, os países mais poderosos com aqueles que mais frequentemente vê no telejornal ou nos jornais.

O primeiro e mais duradouro exemplo deste efeito – ainda em escala reduzida – foi Cuba, cujo mediatismo, qual número de magia, fazia esquecer os inúmeros problemas económico-sociais da ilha.

Actualmente, os dois exemplos paradigmáticos são o Irão e a Venezuela. O primeiro – um país cuja riqueza advém unicamente dos recursos naturais abundantes – apresenta uma das sociedades mais primárias do mundo e é liderado por uma personagem indescritível (gozada pelos próprios conterrâneos, o que, estando em causa o Irão, é dizer muito). Já a Venezuela, tem como ícone (é na verdade o que ele é, em sentido lato) um presidente que dispara em todas as direcções, numa desesperada tentativa de se agigantar em relação aos vizinhos sul-americanos e, pasme-se, aos EUA (que, não fora o petróleo e o gás, não lhe ligava “peva”). Um dos países com que Chavez se travou de razões recentemente foi a Colômbia. Evidentemente que a “birra” não durou muito, pois estes senhores têm um dos maiores exércitos da América do Sul e Chavez é pespineta mas está longe de ser parvo. A estucada final foi a recente libertação de Ingrid Betancourt, para a qual o sempre tão solícito presidente venezuelano contribuiu zero, ficando – em bom português – a ver navios.

Prioridades…

Julho 13, 2008

Os EUA “pincham” de júbilo, impulsionados pelo súbito “amansamento” da Coreia do Norte. Tudo óptimo, já não são ameaça! E o facto de continuarem a ser um dos regimes mais totalitários e repressivos do Mundo, interessa? Não, é irrelevante, é difícil de contrariar e, em ultimo caso, “é lá com eles”. O que interessa é que não nos chateiem.

A grande prioridade é, agora, o Irão. Um povo liderado por uma grande “persa”, que se diverte a preparar ameaças a americanos e israelitas, temperadas com fotografias modificadas no Photoshop, para no fim, qual criançola inconsequente, dizer que as experiências nucleares não têm propósitos bélicos.

Ou muito me engano ou esta estratégia iraniana terá pouco futuro. É mais um espasmo final do que um grito do Ipiranga. Para além disso, os apoios na região escasseiam e são pouco poderosos. Os próprios muçulmanos – de maioria sunita – não vêm com grandes olhos apoiar os chiitas iranianos.

“21 Gramas” – brilhante filme

Julho 11, 2008

Apesar de 21 gramas ser um filme de 2003, só agora tive o grande prazer de o poder ver. Trata-se de uma obra realizada por Alejandro Gonzalez Iñarritu (responsável pelo também fabuloso Babel e por Amor Cão, que ainda não vi) e que conta, nos principais papéis, com a interpretação brilhante de Sean Penn (para mim, um dos mais extraordinários actores de Hollywood), Benicio del Toro e Naomi Watts.

Trata-se de mais um filme mosaico, em que os destinos de 3 personagens  (1 professor à beira da morte, uma jovem mãe com um passado de toxicodependência e 1 ex-condenado reabilitado) se encontram em resultado de um brutal acidente. Longe de seguir uma sequência temporal perfeita, a acção progride recorrendo a flashback’s constantes, como um puzzle em que de forma dispersa se vão colocando as peças, permitindo que haja um maior envolvimento da nossa parte com as personagens e com o seu profundo drama humano

Quanto pesa a vida? É esta a dúvida existencialista que percorre todo o filme e que nos mostra de forma chocante como pode ser tenúe a linha entre a vida e a morte. Por outro lado, Iñarritu explora muito, através da personagem Jack Jordan (interpretada por Benicio del Toro) , a temática da religião, mostrando as suas fraquezas e a sua falência na resposta às trágicas adversidades da vida humana. No entanto, apesar de ser um filme bastante duro e pesado, há também lugar para um certo espírito positivo, nomeadamente através da expressão do amor, da fraternidade, do perdão ou da redenção por parte das personagens.

No fundo, 21 gramas é um filme que é tão denso e perturbador, como magnífico e fascinante. Daqueles que nos emocionam fortemente e nos fazem ficar dias a pensar na sua impressionante mensagem. Uma obra-prima.

P.S. A acompanhar o filme está, tal como em Babel, a extraordinária e muito envolvente banda-sonora de Gustavo Santaolalla, um dos grandes compositores cinematográficos da actualidade

Que excitação! II

Julho 11, 2008

“Ladies and Gentleman, I give you… The iPhone!”

Que excitação!

Julho 11, 2008

… “it’s also a hard to use cellphone”!

Pura Magia

Julho 7, 2008

Caso prático retirado de uma frequência da cadeira de Direito Romano, leccionada na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra:

“III. Considere a seguinte hipótese:

No dia 9 de Fevereiro de 80 a. C., Titius, paterfamilias romano, vendeu a Sempronius, também paterfamilias, o escravo Bada.

Apesar de estar muito satisfeto com os serviços do escravo, foi com espanto que Sempronius se viu privado dele. De facto, outro paterfamilias, Marcus, conseguira opor-lhe no seguimento da competente acção, uma sentença pela qual foi reconhecida a sua propriedade sobre Bada.

a) Uma vez que, no âmbito da referida acção, Titius até admitira que não tinha qualquer direito sobre o escravo, Sempronius pretende responsabilizá-lo. Como poderá fazê-lo e com que fundamentos?

b) Suponha agora que, para se vingar de Titius, Sempronius matou à paulada as galinhas que aquele tinha numa capoeira. Como poderá Titius reagir e com que fundamentos?”

Final de loucos!

Julho 6, 2008

P.S. Congratulo o nosso “espanhol oficial”, João Torgal (dos Torgais da Andaluzia. Ou será da catalunha?)