Apesar de 21 gramas ser um filme de 2003, só agora tive o grande prazer de o poder ver. Trata-se de uma obra realizada por Alejandro Gonzalez Iñarritu (responsável pelo também fabuloso Babel e por Amor Cão, que ainda não vi) e que conta, nos principais papéis, com a interpretação brilhante de Sean Penn (para mim, um dos mais extraordinários actores de Hollywood), Benicio del Toro e Naomi Watts.
Trata-se de mais um filme mosaico, em que os destinos de 3 personagens (1 professor à beira da morte, uma jovem mãe com um passado de toxicodependência e 1 ex-condenado reabilitado) se encontram em resultado de um brutal acidente. Longe de seguir uma sequência temporal perfeita, a acção progride recorrendo a flashback’s constantes, como um puzzle em que de forma dispersa se vão colocando as peças, permitindo que haja um maior envolvimento da nossa parte com as personagens e com o seu profundo drama humano
Quanto pesa a vida? É esta a dúvida existencialista que percorre todo o filme e que nos mostra de forma chocante como pode ser tenúe a linha entre a vida e a morte. Por outro lado, Iñarritu explora muito, através da personagem Jack Jordan (interpretada por Benicio del Toro) , a temática da religião, mostrando as suas fraquezas e a sua falência na resposta às trágicas adversidades da vida humana. No entanto, apesar de ser um filme bastante duro e pesado, há também lugar para um certo espírito positivo, nomeadamente através da expressão do amor, da fraternidade, do perdão ou da redenção por parte das personagens.
No fundo, 21 gramas é um filme que é tão denso e perturbador, como magnífico e fascinante. Daqueles que nos emocionam fortemente e nos fazem ficar dias a pensar na sua impressionante mensagem. Uma obra-prima.
P.S. A acompanhar o filme está, tal como em Babel, a extraordinária e muito envolvente banda-sonora de Gustavo Santaolalla, um dos grandes compositores cinematográficos da actualidade
Etiquetas Cinema

Julho 12, 2008 às 2:32 pm
“No fundo, 21 gramas é um filme que é tão denso e perturbador, como magnífico e fascinante”
Concordo plenamente…embora um pouco confuso o filme é magnífico…
Julho 14, 2008 às 7:55 pm
Ainda bem que viste o 21 Gramas. Foi um dos melhores filmes que eu já vi nos ultimos anos.
Em relação aos outros que mencionas do mesmo realizador, o Amor Cão é sem dúvida um filme também a ver. o Babel, nem por isso…
Julho 14, 2008 às 8:15 pm
André, eu também adorei o Babel. Por isso…
Entretanto vi também o Amor Cão. Sou capaz de achar o pior da trilogia (falta uma ligação mais forte entre o destino das personagens e acho que o filme se arrasta um pouco em demasia), mas em todo o caso continuo a achá-lo óptimo.
Julho 15, 2008 às 7:30 pm
por mim não ha confusão alguma: três excelentes filmes que melhoram do primeiro para o ultimo(o assombroso BABEL)
Julho 15, 2008 às 8:04 pm
Mais importante que o filme, só mesmo o que restará dele em nós..qual dos mosaicos se encaixa melhor naquilo somos..Sem dúvida um filme brilhante, assim como os restantes da triologia.
Beijo
Anelar
Julho 16, 2008 às 1:14 am
“Mais importante que o filme, só mesmo o que restará dele em nós..qual dos mosaicos se encaixa melhor naquilo somos.”
Concordo completamente contigo Rita (Anelar). É daqueles filmes que nos marcam e que, como disseste, ficam a pairar dentro de nós por muito tempo, proporcionando um forte envolvimento com o destino destas personagens (tal como referiste, nuns casos mais do que noutros, consoante a personalidade de cada um)
Concluindo, uma grande trilogia de um dos grandes senhores do cinema dos últimos anos: Alejandro Gonzalez Iñarritu.
Julho 25, 2008 às 7:21 pm
21 gramas
O Filme é sensacional, benicio del toro esta perto da perfeição, longe de seguir padrões hollywoodianos. Filme perfeito, que nos leva a uma reflexão perturbadora…