Arquivo de Julho, 2008

Marinho, The Special One

Julho 28, 2008

Uma sondagem do Diário “As Beiras” (procuro sempre rodear-me de jornais de referência) diz que 80% das pessoas que responderam ao inquérito concordam com as declarações de Marinho Pinto. Eu subscrevo. Até porque vou sabendo de algumas histórias sobre magistrados que confirmam as teses do bastonário.

O problema de Marinho Pinto não são as declarações que profere. É que caem um bocado fora do seu círculo de competências como bastonário da Ordem dos Advogados. A classe profissional que representa tem todo o direito de achar que está a ser mal representada e de se indignar com a verborreia do seu bastonário…

Curioso Acerca da Coreia do Norte?

Julho 22, 2008

Admitamos, é impossível não estar. Ninguém faz ideia do que se passa no interior da Coreia do Norte. Ninguém à excepção, talvez, de alguns jornalistas que se infiltram, esporadicamente, no país. Neste caso nem sequer vão como jornalistas, mas apenas como turistas (supostamente proibidos de filmar o que quer que seja). The Vice Guide to North Korea arrisca-se a ser o documentário mais interessante que vi nestes últimos tempos (disponibilizado online, gratuitamente). O que parece uma viagem à Rússia dos anos 50 é a Coreia do Norte em 2008. Obrigatório ver, aqui.

Novamente, o Porto a brilhar…musicalmente

Julho 21, 2008

 

Pé Na Terra - Pé Na Terra

 

Depois dos conterrâneos Mu e Mandrágora, chegou a vez dos também portuenses Pé na Terra lançarem um óptimo album em 2008. Curiosamente, três albuns bem diferentes: enquanto os Mandrágora levam a tradição até ao jazz e ao rock progressivo e os Mu misturam culturas espalhadas um pouco por todo o Mundo, os Pé na Terra são quem mais próximos estão da música tradicional portuguesa, embora com um cunho muito pessoal.

Falemos já um pouco da sequência mais forte deste registo homónimo de estreia: ao 4º tema do disco surge, com “A Balada do Sino”, a primeira de duas versões de Zeca Afonso (a outra é “Maria Faia” que, apesar de ser um tema tradicional, foi claramente celebrizada pelo Zeca). Depois de um início extremamente lento e bonito, esta versão da “Balada do Sino” ganha nervo sensivelmente a meio, algo que se vai intensificando até ao seu final, terminando da melhor maneira com um excerto de um inflamado discurso do próprio Zeca Afonso de apelo à insurreição (que falta fazem, no mundo globalizado actual, as suas palavras de ordem, o seu sonho e a sua utopia). Essas palavras dão o mote para aquele que é um dos grandes temas que escutei nos últimos tempos: “Sentir”. “Sentir, ser diferente, mudar o som, crescer, explodir, voar, livre sem pensar”. São estas as palavras que percorrem de forma hipnótica todo o tema, acompanhadas por uma lindíssima melodia, onde se destaca esse instrumento para mim tão maravilhoso: a gaita-de-foles. Este tema mostra bem a importância dada pelos Pé na Terra às letras, à palavra, a uma certa estrutura poética que se espalha ao longo de todo o disco. Como tal, não é de estranhar que o album feche precisamente com o poema “Sete”, declamado por dois convidados dos Pé na Terra: Patrícia Miranda e Tiago Meireles (ele próprio autor do poema).

No entanto, nem só de faixas com voz vive este disco. Quase metade do album é instrumental, contendo temas bastante distintos uns dos outros, como se pode verificar escutando, por exemplo, “Valsa Verde”, “Salpicos” e “Passodoble de Vizela”. Esta diversidade só demonstra, em definitivo, que este primeiro longa duração dos Pé na Terra é um trabalho bastante eclético, recheado de ideias diferentes.

Enfim, através deste grande disco, a cidade invicta volta novamente a marcar pontos no panorama musical português de 2008.

 

P.S. Os Pé na Terra venceram a eliminatória nacional do Eurofolk 2008, que se realizou em Coimbra dia 7 de Julho. Como tal, vão representar Portugal na sua edição internacional, a realizar em Málaga no final do mês de Agosto

(publiquei esta crítica inicialmente em http://artesanatosonororuc.blogspot.com/)

Não resisti :)

Julho 18, 2008

E o que é incrível é que é verdade…

Julho 18, 2008

“Nem quero imaginar o que se escreveria sobre o anterior líder se ele, em escassas seis semanas, não tivesse divulgado uma proposta, estivesse em hibernação enquanto os camiões bloqueavam o país e culminasse com a pomposa declaração de que o casamento era um magistério virado em exclusivo para a procriação!”.

Luís Filipe Menezes, ex-presidente do PSD, “Diário de Notícias”, 18-07-2008

Acha o iPhone a 500€ caro? E que tal a 610€?

Julho 17, 2008
$199 ou 610€

iPhone 3G: $199 ou 610€?

Não vale a pena alongar-me muito neste artigo, pelo menos antes de dizer que o novo iPhone 3G é um bom telefone. Isso é inquestionável. Vejamos: um telefone com touch screen, Wifi, 3G, 8 ou 16Gb de memória, GPS, tudo condensado numa caixa de poucos milímetros de espessura… é impossível afirmar que se trata de um mau aparelho (é aqui que acaba a discussão com os Apple haters, que são casos patológicos ainda mais interessantes, a meu ver, que os Apple fan boys). Caso fosse oferecido (e nem era preciso tanto, como vou explicar à frente) seria neste momento o meu telefone. Mas não é, e tão cedo não vai ser. Porquê?

Não é novidade nenhuma que a Apple vive de uma máquina de marketing que lhe permite criar uma hype anómala em torno dos seus produtos (quando isso não é possível, as empresas com quem contrata encarregam-se de o gerar, como o fez a Vodafone, que à falta de habitantes à porta das lojas decidiu organizar um evento para os oferecer). As keynotes esgotam os bilhetes semanas antes, as pessoas avolumam-se à porta das lojas à meia noite, e os sites da especialidade dedicam dezenas de rumores e especulações aos produtos da marca. No entanto, há uma coisa que costuma acontecer com estes produtos que não acontece com este. O que se vê na apresentação é o que se obtém na realidade. Anunciam-se computadores ao preço x, downloads de música ou software ao preço y e sabemos que quando chegar às prateleiras (virtuais, já em bastantes produtos) obteremos aquilo que foi anunciado ao preço anunciado. Ora, o iPhone falha neste aspecto.

Quando foi anunciado há semanas atrás, o slogan era este: ”twice as fast, half the price“. Twice as fast por causa da substituição do obsoleto EDGE pelas redes 3G, half the price porque desceria para 250€. Para quem já estivesse interessado no artigo, nada melhor do que ouvir isto. Principalmente porque ninguém falou naquilo que afasta as pessoas do iPhone como o diabo da cruz: em contratos. Que fazem com que o iPhone não só não esteja a metade do preço, como se apresente ainda mais limitado pelas operadoras.

Não consigo encontrar o nº de pré-registos recebidos pelas operadoras que comercializam o produto em Portugal (a Optimus e a Vodafone: a TMN encontra-se em negociações), mas o nº já me passou à frente e sei que pelo menos no caso da primeira ultrapassou os 5000 pré-registos. Mas a verdade é que (como me pôde confirmar o vendedor) nem 1/10 das pessoas veio buscar o telefone. Os preços lançados tornam-no um produto incomportável para o bolso português e caro demais para aquilo que é oferecido (voltaremos a este ponto). Mas nenhuma das empresas referidas é estúpida, e sabe perfeitamente que mesmo a este preço haverá quem compre o telefone: sobretudo quem procura o hype, e não o melhor pelo menor preço.

O iPhone é comercializado a 500€ ou a 600€, conforme se opte pelo modelo de 8Gb ou pelo de 16Gb. Com a primeira versão do telefone era possível comprá-lo a estes preços desbloqueado; agora nem essa possibilidade é oferecida, sendo obrigatória a vinculação às operadoras por 24 meses. Caso não se esteja interessado em pagar este valor, há a possibilidade de subscrever um dos planos (limito-me a falar dos da Vodafone, os únicos que conheço em detalhe). O mais barato torna, à primeira vista, o iPhone em half the price (249€), sendo obrigatória uma mensalidade de 15€ convertíveis em minutos de chamadas, mensagens e, finalmente, 250mb de dados para usar, em locais não cobertos por WiFi, as funcionalidades do iPhone que dependam de uma ligação de dados.

Não parece, de todo, caro. 250€ é um preço razoável por um telefone que não dispõe de um sistema de gestão de ficheiros, de partilha Bluetooth (as funcionalidades bluetooth limitam-se ao auricular), de MMS e videochamada, e que apenas inclui uma câmera de 2MP (perfeitamente banal, tendo em conta as câmeras que rivais como a Nokia já disponibilizam em todos os telemóveis deste preço), mas que dispõe de todas as funcionalidades que o iPhone dispõe, que são, objectivamente, muitas.

Mas acontece que não nos querem vender o telefone a 250€. Independentemente do plano escolhido, uma taxa misteriosa de 15€ é sempre acrescentada, independentemente do plano escolhido (o mínimo começa, portanto, nos 30€), e estamos obrigados a pagá-la durante 24 meses. O telefone que sairia a 250€ sai agora a pelo menos 610€. É como se estivéssemos a pagar o telefone não só ao preço original (lá se vai o half the price) como ainda com juros. Como se de um crédito se tratasse. Mesmo os planos de dados não são muito vantajosos: para um telefone que vive da Internet, 250mb esgotam-se com bastante facilidade (muitas operadoras europeias oferecem, a este preço, tráfego ilimitado).

bottom line é esta: este produto não vale o preço que é cobrado por ele. Os telefones que estão ao mesmo preço pecam em design, mas oferecem tudo o que o iPhone oferece (mais o que não oferece).

Já circulam pela Internet petições para baixar o preço deste produto. Nada mais absurdo. A única petição que resulta contra empresas desta dimensão é deixar o produto a ganhar pó nas estantes. Quando a hype terminar, não haverá quem compre este produto a este preço. Ficamos à espera. 

Nota: não devia, sequer, ter de dizer isto, mas não sou um Apple hater. Pelo contrário. Utilizo o Mac OS X há 3 anos (e recomendo) e já tive vários iPods (todos eles valeram cada cêntimo). Tentei fazer uma análise o mais objectiva possível. Comentários a este post que não contribuam para o debate serão apagados. Obrigado.

Bom negócio II

Julho 16, 2008

Leio no “Diário As Beiras” de hoje que os cinemas do Girassolum vão ser adquiridos pela Igreja Universal do Reino de Deus.

O poder de Deus é infinito…

Bom negócio

Julho 16, 2008

O apego ao poder II

Julho 15, 2008

A falácia

Julho 15, 2008

A FPF tinha duas linhas de raciocínio alternativas a seguir:

- Encarar Portugal como uma selecção média, e, por conseguinte, seguir a regra pré-Scolari, contratando um treinador português, com algum curriculum mas barato

ou

- Encarar Portugal como uma selecção de topo e, consequentemente, seguir a regra Scolari, contratando um treinador top (que, tendo em conta a indisponibilidade de Mourinho, seria inevitávelmente estrangeiro), com um créditos firmados e, deste modo, caro.

Ora, Carlos Queiroz não se encaixa em nenhuma destas linhas de raciocínio, colhendo, precisamente, os lados menos bons de cada alternativa: não é um treinador de top e é caro (vai auferir o mesmo que Lippi).

Com tanto treinador competente disponível e, principalmente, com provas dadas, porque é que a FPF optou por Queiroz? Eu considero o homem bom treinador e tenho esperanças que faça um bom trabalho, mas está longe de ser uma solução de baixo risco e, acima de tudo, barata.