Se dúvidas havia sobre quão longe (o quão perto, se o paradigma for a URSS) iria a política de Putin para devolver à Rússia o poder perdido no princípio dos anos 90, os acontecimentos dos últimos anos parecem dissipá-las.
De facto, o governo russo não tem poupado esforços para incrementar a dependência europeia face à sua energia. A sua acção tem-se centrado em diversos aspectos, uns mais diplomáticos que outros.
Uma das principais linhas de acção tem sido a tentativa desenfreada de tomar o poder - de facto ou por interposta pessoa - nos países vizinhos, vias fundamentais para o abastecimento de energia ao velho continente. Em todos os países de leste (Ucrânia, Sérvia, etc…) é comum observar eleições em que a grande disputa se faz entre dois candidatos: um pró-ocidental e um pró-russo.
Contudo, se nestes casos há alguma discrição, o mesmo não se pode dizer de outros. A Geórgia é desses um exemplo paradigmático. A Rússia tem exercido sobre a Abcásia - território separatista georgiano - uma enorme persuasão no sentido de a anexar às suas fronteiras. O sucesso deste empreendimento seria bastante útil ao gigante de leste. Dada a crescente importância da área no abastecimento energético à Europa, a garantia da segurança no transporte é particularmente cara à Rússia. Com este fim, Putin (deverei dizer, agora, Medvedev?) detém, facto agora confirmado por um relatório da ONU, tropas no território, com as quais parece mais que disposto a atear uma guerra contra a Geórgia.
Procurando apoios, o pequeno país de leste tem levado a cabo, nos últimos meses, vincados esforços no sentido de aderir - ou obter o apoio - da NATO.
Convém, no entanto, referir que a situação política na Geórgia está longe de ser clara, com as eleições a serem fortemente contestadas pela oposição (apoiada pela Russia, arriscaria especular).
Posto isto, uma possível intervenção do Ocidente/NATO afigura-se bastante delicada.