Arquivo de Maio, 2008

Recaída

Maio 31, 2008

“Vou mostrar logo à noite como sou diferente dessa canalha que me fez a vida negra, que não tem carácter (…) pessoas como aquele senhor de barbas que participa na Quadratura do Círculo”,

“Tristes, infelizes e barbaramente obcecados” (…) não pertenço a essa laia”.

Luís Filipe Menezes dixit

P.S. O título poderia perfeitamente referir-se a Amy Winehouse e ao “fabuloso” concerto que deu ontem.

Novamente os combustíveis - um texto para suscitar reflexão

Maio 30, 2008

“Por que não nacionalizar a Galp?”

Jornal de Notícias - 26 de Maio de 2008

Texto de Mário Crespo

Se o mercado não consegue disciplinar os preços, os lucros nem o selvático prendar dos recursos empresariais com os vencimentos multimilionários dos executivos, então por que não nacionalizar os petróleos e tentar outros modelos? Quem proferiu este revolucionário comentário foi Maxine Waters, Democrata da Califórnia, durante o inquérito conduzido pelo Congresso, em Washington, às cinco maiores petrolíferas americanas Face à escalada socialmente suicidária dos preços dos combustíveis, o órgão legislativo americano convocou os presidentes para saber que lucros tinham tido e que rendimentos é que pessoalmente cada um deles auferia. Os números revelados deixaram os senadores da Comissão de Energia e Comércio boquiabertos. Desde os 40 mil milhões de dólares de lucro da Exxon no ano passado, ao milhão de euros mensais do ordenado base do chefe Executivo da Conoco-Phillips, às cifras igualmente astronómicas da Chevron, da Shell e da BP América. Esta constatação do falhanço calamitoso do mecanismo comercial, quando encarada no caso português, ainda é mais gritante. Digam o que disserem, o que se está a passar aqui nada tem a ver com as leis de oferta e procura e tem tudo a ver com a ausência de mercado onde esses princípios pudessem funcionar.

Se na América há cinco grandes empresas que ainda forçam o mercado a ter preços diferentes, em Portugal há uma única que compra, refina, distribui e vende. É altura de fazer a pergunta de Maxine Waters, traduzindo-a para português corrente

- Se o país nada ganhou com a privatização da Galp e se estamos a ser destruídos como nação pela desalmada política de preços que a única refinadora nacional pratica, porquê insistir neste modelo? Enunciemos a mesma pergunta noutros termos

- Quem é que tem vindo sistematicamente a ganhar nestes nove anos de privatização da Galp, que alienaram um bem que já foi exclusivamente público? Os espanhóis da Iberdrola, os italianos da ENI e os parceiros da Amorim Energia certamente que sim. O consumidor português garantidamente que não. Perdeu ontem, perde hoje e vai perder mais amanhã. Mas levemos a questão mais longe houve algum ganho de eficiência ou produtividade real que se reflectisse no bem-estar nacional com esta alienação da petrolífera? A resposta é angustiantemente negativa. A dívida pública ainda lá está, maior do que nunca, e o preço dos combustíveis em Portugal é, de facto, o pior da Europa. Nesta fase já não interessa questionar se o que estamos a pagar em excesso na bomba se deve ao que os executivos da Galp ganham, ou se compram mal o petróleo que refinam ou se estão a distribuir dividendos a prestamistas que exigem aos executivos o seu constante “quinhão de carne” à custa do que já falta em casa de muitos portugueses. Nesta fase, é um desígnio nacional exigir ao Governo que as centenas de milhões de lucros declarados pela Galp Energia entrem na formação de preços ao consumidor. Se o modelo falhou, por que não nacionalizar como sugeriu a congressista Waters? Aqui nacionalizar não seria uma atitude ideológica.

Seria, antes, um recurso de sobrevivência, porque é um absurdo viver nesta ilusão de que temos um mercado aberto com um único fornecedor. Se o Governo de Sócrates insiste agora num purismo incongruente para o Serviço Nacional Saúde, correndo com os existentes players privados e bloqueando a entrada de novos agentes, por que é que mantém este anacronismo bizarro na distribuição de um bem que é tão essencial como o pão ou a água? Como alguém já disse, o melhor negócio do Mundo é uma petrolífera bem gerida, o segundo melhor é uma petrolífera mal gerida. Na verdade, o negócio dos petróleos em Portugal, pelas cotações, continua a ser bom. Só que o país está exangue. Há fome em Portugal e vai haver mais. O negócio, esse, vai de vento em popa para o Conselho de Administração da Galp, para os accionistas, para Hugo Chávez e José Eduardo dos Santos. Mas para mais ninguém. A maioria de nós vive demasiado longe da fronteira espanhola para se poder ir lá abastecer

Um Rasgo de Lucidez

Maio 30, 2008

“Neste momento este tema é uma preocupação quase generalizada dos países europeus, como disse o Presidente da Alemanha, porque as grandes desproporções entre rendimentos dos gestores e dos seus trabalhadores põem em causa a paz e a coesão social”, declarou. “Este problema não diz apenas respeito ao mercado como alguns pretenderam aqui insistir no nosso país”, afirmou [Cavaco Silva]…” 

in Público

O Que Ficou do Debate Sobre a Pobreza

Maio 30, 2008

“Mentiroso”

“Fernanda Câncio”

“Não, você é que é mentiroso”

“Wrestling”

Premios de Consolação

Maio 30, 2008

Adquiri uns cupões que me dão um desconto de 5cent. por litro na Galp. Não consigo esconder o meu entusiasmo por poder voltar aos preços… da semana passada. Para além disso, e caso abasteça mais do que 20 litros, ainda tenho direito a um cupão de desconto de 1€ (1€!) para usar no “Modelo” ou no “Continente”. Acho que há motivos para abrir um “Dom Perignon”, ainda mais porque no próprio posto recebi um cupão que me dá direito a uma bola de futebol com o logotipo da Galp. Se lhe desenhar uns olhos e uma boca (a la “Náufrago”, com Tom Hanks) poderá servir para conversar quando tiver que vir a pé de casa para a faculdade, por já não poder pagar a gasolina (evitem o: “já podias vir”, já que moro a uns meros 10km, nos arredores). Até já tenho nome: Bolinhas!

Vai um copo?

Maio 30, 2008

Barca Velha, um vinho em que nunca hei-de molhar o “beiço”, lança a 16ª edição desde 1952. Vai ser vendido, no mínimo, por 100 euros, para o consumidor (e é esta a razão para a minha abstinência, no caso de haver dúvidas). A colheita é do ano 2000 e é lançada depois da “necessária” maturação. Curiosamente, é o segundo ano consecutivo (como se vê na imagem) - e 16º na história - em que o vinho é considerado excepcional e, por isso, lançado com este rótulo.

Anyway, gostava de provar. Pergunto-me sempre como saberá um vinho para ser tão caro…? Divido-me entre a ingenuidade e o cepticismo.

P.S. Se alguém estiver com ganas de abrir os cordões à bolsa, sugiro o “ida e volta” onde já vi esta “pinga” à venda. Só pedia que, caso tal se verifique, me avisem!

Assembleia da República = Circo

Maio 29, 2008

  

 

 

Hoje tive o “prazer” de ouvir, no debate quinzenal da assembleia com a presença do primeiro-ministro, o diálogo entre José Sócrates e Pedro Santana Lopes. O tema do diálogo foi a pobreza, a propósito dos números recentemente divulgados que indicavam o facto de haver quase 1 milhão de portugueses a viver com menos do que 10 euros por dia. Pensam vocês (quem não assistiu ao debate) que o diálogo revelou um consenso na preocupação pelos números e que houve uma discussão sobre as medidas concretas propostas por ambas as partes para inverter esta situação?? Enganam-se literalmente.

O que se passou foi um mútuo “sacudir a água do capote”, em que se discutiu essencialmente qual o ano a que diz respeito este estudo, com as responsabilidades a serem sucessivamente atribuídas de uns para os outros. Tudo isto com bocas, gozos, risos e tricas à mistura. Uma verdadeira palhaçada. É triste ver a “seriedade” com que os nossos representantes eleitos encaram temáticas desta importância.

Se não soubesse, diria que, em vez de estar a assistir a um debate no Parlamento sobre uma questão tão séria como a pobreza, estava a observar uma convera de café sobre o jogo de futebol de ontem à noite. E vai daí talvez não. Parece-me que qualquer um dos frequentadores deste blog é bem capaz de ter uma conversa sobre a bola com bastante mais nível e ética.

O paradoxo da crise do petróleo e a sua resolução

Maio 28, 2008

É bastante curioso como os desenvolvimentos nos mercados das chamadas commodities provocam reacções diametralmente opostas às dos restantes mercados.

Senão vejamos:

- Quando há um boom no mercado das commodities (petróleo, por exemplo), e este valoriza, fala-se de crise, e a moral desce.

- Quando há um crash  neste mercado (rebentar da bolha especulativa), e este desvaloriza, fala-se de recuperação e a moral sobe.

Nos restantes mercados passa-se o oposto. Quando as acções da PT, por exemplo, valorizam, as reacções são positivas e a moral sobe.

Tudo isto é bastante óbvio, mas serve para chamar a atenção sobre aquela que poderá ser a solução desta crise dos produtos petrolíferos e alimentares

Na verdade, de duas hipóteses, uma concretizar-se-á:

- O dólar valoriza e os invesitidores são “desviados” destes mercados, que se tornam menos atractivos. Consequentemente, os preços destes bens diminuem, mas paulatinamente,

ou

- A bolha especulativa rebenta - quando, não se sabe, e esse é o problema, claro - e os preços “vêm por aí abaixo”.

O regresso do imperialismo russo

Maio 28, 2008

Se dúvidas havia sobre quão longe (o quão perto, se o paradigma for a URSS) iria a política de Putin para devolver à Rússia o poder perdido no princípio dos anos 90, os acontecimentos dos últimos anos parecem dissipá-las.

De facto, o governo russo não tem poupado esforços para incrementar a dependência europeia face à sua energia. A sua acção tem-se centrado em diversos aspectos, uns mais diplomáticos que outros.

Uma das principais linhas de acção tem sido a tentativa desenfreada de tomar o poder - de facto ou por interposta pessoa - nos países vizinhos, vias fundamentais para o abastecimento de energia ao velho continente. Em todos os países de leste (Ucrânia, Sérvia, etc…) é comum observar eleições em que a grande disputa se faz entre dois candidatos: um pró-ocidental e um pró-russo.

Contudo, se nestes casos há alguma discrição, o mesmo não se pode dizer de outros. A Geórgia é desses um exemplo paradigmático.  A Rússia tem exercido sobre a Abcásia - território separatista georgiano - uma enorme persuasão no sentido de a anexar às suas fronteiras. O sucesso deste empreendimento seria bastante útil ao gigante de leste. Dada a crescente importância da área no abastecimento energético à Europa, a garantia da segurança no transporte é particularmente cara à Rússia.  Com este fim, Putin (deverei dizer, agora, Medvedev?) detém, facto agora confirmado por um relatório da ONU, tropas no território, com as quais parece mais que disposto a atear uma guerra contra a Geórgia.

Procurando apoios, o pequeno país de leste tem levado a cabo, nos últimos meses, vincados esforços no sentido de aderir - ou obter o apoio - da NATO.

Convém, no entanto, referir que a situação política na Geórgia está longe de ser clara, com as eleições a serem fortemente contestadas pela oposição (apoiada pela Russia, arriscaria especular).

Posto isto, uma possível intervenção do Ocidente/NATO afigura-se bastante delicada.

Marte à vista!

Maio 26, 2008