Arquivo de Abril, 2008

Manuela Ferreira Leite

Abril 21, 2008

Segundo os media, a ex-ministra vai candidatar-se à liderança do PSD

Na minha opinião, trata-se da melhor hipótese. Há vários argumentos válidos, mas o principal é o facto
de se tratar do único putativo candidato que reune duas condições:

1. Qualidade

2. Nada a perder nas próximas eleições.

Manda o pragmatismo que se reconheça que muito dificilmente o PSD vencerá as próximas eleições, pelo que a liderança nestas condições será pouco atractiva para alguns. Qualquer político sairia “queimado” no fim, mesmo obtendo um (relativamente) bom resultado.  Aliás, até do ponto de vista do próprio partido, é nefasto “perder” um activo nestas condições.

Por conseguinte, Manuela Ferreira Leite, tanto pelo capital de idoneidade e competência adquirido, como pelo facto de estar no fim da sua carreira política, é, a meu ver, a melhor hipótese para candidato ás próximas eleições.

O erro recorrente

Abril 21, 2008

É uma das mais curiosas idiossincrasias da política portuguesa. Quase como uma  pura relação de causa efeito, sempre que um dos grandes partidos está em crise escolhe agarrar-se, com todos os esforços, ao mais mediático e vazio fait diver que encontra. Isto num clamoroso exercício de clara irracionalidade política.

Todos se lembrarão do caso do PIB, com António Guterres (”é fazer as contas”). É paradigmática a reacção do “maior partido da oposição”.

Agora é a vez de o PSD não deixar escapar o caso de Fernanda Câncio. Declarações em catadupa e descoordenadas - reservadas ao princípio (sem dizer o que estava claramente implícito) e exageradas no fim. Tudo culmina no consenso. Contudo, ao contrário do desejado por Menezes (e companhia), este reúne- se na condenação deste aproveitamento.

O que se poderá esperar de um país em que o maior argumento da oposição passa por uma - no mínimo incerta - nomeação propositada de uma  suposta namorada do primeiro ministro para um programa inócuo?

“A cavalo dado não se olha o dente”. É um provérbio com alguma lógica, mas em política revela-se, quase sempre, pouco eficaz!

Argumento brilhante

Abril 18, 2008

O argumento brilhante de que falo no título foi proferido por Ribau Esteves, ainda secretário-geral da direcção do PSD de Luís Filipe Menezes e que, na realidade, se considera o ser mais iluminado deste planeta.

Basicamente, ele diz que um dos motivos para as directas terem sido marcadas para 24 de Maio, daqui a pouco mais de um mês (e não com 3 ou 4 meses de antecedência, como aconteceu nas directas anteriores e que, mesmo assim, mereceu rasgadas críticas de Menezes, que considerou uma estratégia para diminuir a sua candidatura) foi o facto de, e passo a citar: “Em Junho queremos estar todos a apoiar solidariamente a selecção nacional de futebol no Campeonato da Europa”

Argumento brilhante. Na realidade a vida interna do PSD é um assunto muitíssimo menos importante que a participação da selecção do sr. Scolari no Euro 2008. Não me canso de dizer: BRILHANTE.

Curtas

Abril 17, 2008

Após um advogado de defesa ter suscitado, nos EUA, a dúvida sobre a constitucionalidade da injecção letal que é normalmente ministrada aos condenados à pena de morte, renasce o debate sobre a constitucionalidade de uma pena que ataca o direito fundamental que deveria estar plasmado em todas as constituições, de todos os ordenamentos: o direito à vida. Pelos vistos, nos EUA, continua-se a procurar uma maneira constitucional de matar, e a decisão do Supreme Court parece apenas vir apoiá-la.

O PSD continua empenhado no seu processo de auto-flagelação: desta vez com uma inacreditável postura em relação a um assunto tão banal como a contratação de uma jornalista para conduzir um programa temático sobre o qual tem trabalho feito. A devassidão com que se ataca a vida do PM e a inoquidade do discurso denunciam o estado em que se econtra o principal partido da oposição neste país.

Alberto João Jardim continua em grande forma. Desta vez não permitiu a Cavaco Silva ser recebido na Assembleia Regional, somando a essa democrática e saudável decisão um carinhoso insulto à oposição parlamentar: “um bando de malucos”.

É curioso reparar na tolerância que existe para com os dislates de Jardim. Se o homem não conseguiu a independência formal, a material parece ter conseguido (naquilo que lhe interessa, obviamente), já que o PR nem sequer se importa com as facadas que este dá na Constituição quase que semanalmente. O nosso Kadafi chegou a um ponto tal de impunidade que não há nada que o tire do lugar que ocupa…

Análise pessoal a mais dois albuns portugueses

Abril 13, 2008
 
 
Ronda dos Quatro Caminhos - Sulitânia
 

Já lá vão cerca de 25 anos desde que a Ronda dos Quatro Caminhos iniciou funções. Mais ou menos desde 1984, altura em que lançaram o seu homónimo album de estreia, que este projecto se dedica, de forma persistente, à divulgação e revitalização da cultura tradicional portuguesa e das especificidades musicais das diversas regiões do país. Apesar da longa carreira deste projecto (que já teve diversas formações, restando apenas António Prata da constituição inicial do grupo), a Ronda dos Quatro Caminhos continua actualmente a procurar novos projectos e novos horizontes na sua música, pelo que faz todo o sentido que tenha surgido na segunda metade de 2007 o album Sulitânia.  

Quatro anos depois de Terra de Abrigo, o registo discográfico anterior, que contava na altura com convidados diversificados como a fadista Katia Guerreiro, a orquestra sinfónica de Córdoba ou alguns coros alentejanos, Sulitânia surge inicialmente apenas como um projecto para uma digressão ao vivo. Assim, a convite das autarquias de Évora, Mértola e Idanha-a-Nova, a ideia inicial era a realização de um conjunto de concertos ao vivo que juntasse a Ronda a alguns colectivos tradicionais desses concelhos, nomeadamente o Coro Polifónico Eborae Musica, o Coral Guadiana de Mértola e as Adufeiras de Monsanto. No entanto, depois dessa pequena digressão, ficou clara a importância de que a profunda cumplicidade verificada entre os músicos nesses espctáculos fosse transposta para estúdio, chegando assim a um público mais vasto. O resultado está aí: Sulitânia é um album bastante interessante, que nos dá a conhecer um pouco mais da música tradicional das regiões da Beira Baixa e do Alentejo, combinando-a com alguns elementos de natureza mais erudita, e que tem, entre outros méritos, o facto de manter uma coerência assinalável e uma comunhão importante com o ouvinte ao longo de todo o album, o que não é fácil a partir do momento em que conta com um elevado lote de convidados, o que poderia contribuir, como acontece em muitos casos, para alguma desagregação do album no seu todo. Nota máxima para “Cravo Roxo”, tema resgatado ao album de estreia, e que aqui, nesta nova versão, conta com a colaboração, entre outros, dos principais colectivos intervenientes neste projecto, terminando da melhor maneira o disco.

 

 Tucanas - Maria Café 


 Embora as Tucanas já existam desde 2001, só agora (em 2007, por distribuição paralela, ou em 2008, nas lojas) chega até nós o seu album de estreia Maria Café.

Trata-se de um projecto exclusivamente feminino que, salvo algumas excepções, onde se inclui a presença fundamental do acordeão de Marina Henriques, é constituído quase por inteiro por voz e percussão. Variando entre temas instrumentais, temas cantados em português e outros em tucanês, o dialecto criado especificamente pela banda, é por demais evidente a incursão sonora não só pelos terrenos da tradição portuguesa, mas também na cultura brasileira e, de forma mais acentuada, nos ritmos africanos, onde vão beber uma boa parte da sua inspiração musical. Assim sendo, é natural que os seus concertos ao vivo sejam bastante dinâmicos, havendo uma aposta forte na componente cénica dos espectáculos, e que se crie facilmente uma forte interacção com o público. Destaque, neste disco, para a presença de alguns ilustres convidados como Rui Júnior (toca talking drum em “Mãos de Calor”), Amélia Muge (a contribuir com a sua voz em “Molhar o Pé”) ou o frenético grupo Kumpania Algazarra (que invade o tema “Peruano” com os seus instrumentos de sopro, num dos melhores momentos do disco). Nos momentos em que se aproximam de uma abordagem mais pop não andam, de facto, tal como foi escrito por alguns críticos musicais, muito distantes das Xaile, que lançaram em 2007 o seu album homónimo de estreia, mas a presença forte da percussão e uma maior sensibilidade ligada à música tradicional nas Tucanas colocam, na minha perspectiva, as autoras de Maria Café uns bons furos acima.

Finalizando, embora não se trate de um album que me tenha enchido as medidas, é um disco que, sem sombra de dúvida, vale a pena ouvir, tem alguns temas particularmente interessantes (como “Peruano”, em qualquer uma das versões, mas especialmente com a Kumpania Algazarra, “Molhar o Pé”, “Domingão Niará” ou “Dacanas”) e suscita a curiosidade de as ouvir ao vivo e de perceber de que forma é que a sua música é potenciada nesse formato.

 

(publiquei esta crítica inicialmente em http://artesanatosonororuc.blogspot.com/)

 

Mia Rose

Abril 11, 2008

Maria Antónia Sampaio Rosa é um dos fenómenos da internet. À semelhança dos Arctic Monkeys, que se lançaram usando o mail, “Mia” tem como arma o Youtube, pelo que aposto que se tornará em breve uma espécie de Nelly Furtado (com concertos em Cantanhede quiçá, ou até uma Queima!).
É a primeira Maria Antónia de que ouço falar que é uma “almost-famous” internacional e, por isso, merece um video n’a mesa.
Já agora, no Youtube, a Maria é a  #10 - Most Subscribed (All Time) e #41 - Most Viewed (All Time).

“Responda: Sim ou Não”

Abril 10, 2008

Uma característica tão curiosa como irritante dos inquéritos do “Público” é que pressupõem que toda a gente esteja suficientemente informada sobre os assuntos. Assim, nunca se encontra uma 3ª alínea do género “não estou suficientemente informado”. Caso isso aconteça - não estarmos suficientemente informados - podemos apenas limitar-nos a não responder ou a responder com fundamento naquilo que achamos que sabemos. É óbvio que costumo optar pela 1ª opção, mas irrita-me a falta de uma 3ª. Parece um julgamento.

Isto a propósito do inquérito sobre o novo acordo ortográfico: “concorda (…)? Sim ou não”. Pergunto-me: quantas pessoas conhecem com detalhe suficiente o novo acordo para sobre ele se poderem pronunciar? Mas o que é certo é que uns bons milhares já devem ter respondido. O que me leva a concluir que: ou temos um país de gente imensamente informada; ou temos um país de gente imensamente… estúpida.

Sátira ao Subprime

Abril 10, 2008

Os conhecidos comediantes britânicos John Fortune & John Bird (conhecidos, lá “nas inglaterras”…) conceberam um sketch notável de sátira à Crise do Subprime. Vale a pena ver!

3 Parágrafos Sobre Jorge Coelho

Abril 5, 2008

Jorge Coelho, o mesmo que todas as semanas se apresenta sorridente na “Quadratura do Círculo” a cumprir o seu papel de sabujo do Governo, acaba de se tornar presidente da Mota Engil, empresa com a qual negociou, enquanto ministro, concessões de valor superior a um milhar de milhão de euros.

Jorge Coelho, o mesmo que diariamente se prostitui da forma mais descarada e assumida possível - sempre sorridente - não tem problema nenhum em ser considerado a criatura mais facciosa existente ao cimo da terra, já que pelos vistos lhe compensa.

Jorge Coelho, o exemplo acabado do que é a escola partidária neste país - que se fez à custa de sorrisos e palmadas nas costas - acredita piamente que o resto do país que efectivamente estuda, trabalha e paga prestações de casas com cada vez mais dificuldade não lhe topa a chico-espertice e a esperteza saloia que pensa possuir. Jorge Coelho sorriria - como faz sempre - se lesse estes parágrafos sobre a sua pessoa. Porque eu e a minha geração havemos de mendigar para arranjar emprego e o Jorge Coelho é presidente da Mota Engil. Já que as nossas leis (feitas em muitos casos, note-se, por pessoas como o Jorge Coelho) não traram dele, valha-nos… o karma?

Lá Isso É Verdade

Abril 3, 2008

«Finalmente uma boa notícia para o futebol português. A introdução de handicaps. A equipa que ganha quase sempre começará o campeonato com alguns pontos de atraso (por exemplo, seis). O campeonato ficará mais equilibrado. Ao contrário do que é habitual, poderá ser disputado até ao fim.», in Blasfémias