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	<title>Comentários em: Lá Fora Sobre Cá Dentro</title>
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	<description>Blog Generalista Mantido Por Gente Jovem</description>
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		<title>Por: António Pedro</title>
		<link>http://amesadecafe.wordpress.com/2008/03/31/la-fora-sobre-ca-dentro/#comment-140</link>
		<dc:creator>António Pedro</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2008 16:22:33 +0000</pubDate>
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		<description>Gil:

A Canção de Coimbra, para mim, é o &quot;Vira de Coimbra&quot;, ou o “Caiu a Laranja”, na mesma medida em que o &quot;S. Gonçalo de Amarante&quot; (dos Açores, já que há dois) é a Canção dos Açores e o Vira Minhoto é a canção do... Minho (não sei de que cidades são, por isso falo da região). No entanto, entendo que as pessoas se refiram ao Fado de Coimbra como &quot;Canção de Coimbra&quot;, já que é um género obviamente regional e indissociável do &lt;i&gt;geist&lt;/i&gt; da própria cidade. Acho apenas um preciosismo bacoco insistir nesta designação como &lt;i&gt;conceito&lt;/i&gt;, já que apenas empobrece (a meu ver) o género. Confesso que também me lembra as entrevistas em que os &lt;i&gt;experts&lt;/i&gt; começam cada frase por um “não”, seguindo-se a correcção obsessiva de tudo o que o entrevistador diga sobre o assunto. 

Para mim (e repito: para mim) existem dois géneros de Fado (sendo que, na verdade, existe apenas um, já que o outro é apenas uma invariável sucessão de quadras sobre putas e vinho verde): o de Coimbra e o de Lisboa. Com origens e evolução diferentes, é certo, mas com traços comuns. Ambos são Fado. A causa da estagnação do Fado de Coimbra é, entre outras (e, uma vez mais, a meu ver) esta: é pouco vendável. Pela solenidade que exige, pela complexidade. Não é um Fado para se ouvir no meio de copos de vinho tinto, em qualquer jantarada. A forma de evitar “que tudo se torne o mesmo” é insistir na desginação de… Fado de Coimbra. 

Outra coisa que considero inadmissível é o que se passa com as casas de Fado em Coimbra: numa, praticam-se preços exorbitantes; noutra, praticam-se preços exorbitantes e corremos o sério risco de assistir a solos de Rui Veloso feitos com os dentes. Conheço pouco da realidade lisboeta, mas penso que é diferente, havendo casas de fado para todas as carteiras e gostos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gil:</p>
<p>A Canção de Coimbra, para mim, é o &#8220;Vira de Coimbra&#8221;, ou o “Caiu a Laranja”, na mesma medida em que o &#8220;S. Gonçalo de Amarante&#8221; (dos Açores, já que há dois) é a Canção dos Açores e o Vira Minhoto é a canção do&#8230; Minho (não sei de que cidades são, por isso falo da região). No entanto, entendo que as pessoas se refiram ao Fado de Coimbra como &#8220;Canção de Coimbra&#8221;, já que é um género obviamente regional e indissociável do <i>geist</i> da própria cidade. Acho apenas um preciosismo bacoco insistir nesta designação como <i>conceito</i>, já que apenas empobrece (a meu ver) o género. Confesso que também me lembra as entrevistas em que os <i>experts</i> começam cada frase por um “não”, seguindo-se a correcção obsessiva de tudo o que o entrevistador diga sobre o assunto. </p>
<p>Para mim (e repito: para mim) existem dois géneros de Fado (sendo que, na verdade, existe apenas um, já que o outro é apenas uma invariável sucessão de quadras sobre putas e vinho verde): o de Coimbra e o de Lisboa. Com origens e evolução diferentes, é certo, mas com traços comuns. Ambos são Fado. A causa da estagnação do Fado de Coimbra é, entre outras (e, uma vez mais, a meu ver) esta: é pouco vendável. Pela solenidade que exige, pela complexidade. Não é um Fado para se ouvir no meio de copos de vinho tinto, em qualquer jantarada. A forma de evitar “que tudo se torne o mesmo” é insistir na desginação de… Fado de Coimbra. </p>
<p>Outra coisa que considero inadmissível é o que se passa com as casas de Fado em Coimbra: numa, praticam-se preços exorbitantes; noutra, praticam-se preços exorbitantes e corremos o sério risco de assistir a solos de Rui Veloso feitos com os dentes. Conheço pouco da realidade lisboeta, mas penso que é diferente, havendo casas de fado para todas as carteiras e gostos.</p>
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		<title>Por: Joao Gil</title>
		<link>http://amesadecafe.wordpress.com/2008/03/31/la-fora-sobre-ca-dentro/#comment-139</link>
		<dc:creator>Joao Gil</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Apr 2008 19:05:57 +0000</pubDate>
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		<description>Óptimo artigo. Como foste descobrir?

De qualquer maneira deixa-me discordar um pouquinho na crítica aos puristas da &quot;Canção de Coimbra&quot;. A distinção faz mais sentido do que enfiar Coimbra e Lisboa no mesmo saco. Em boa verdade são estilos com origens independentes, conceitos completamente diferentes, evolução histórica separada e obras concretas com pouco mais de semelhante do que o &quot;solista e as guitarras&quot;. De certeza que sabes isso incomparavelmente melhor que eu.
É importante tentar perceber até que ponto não é a generalização do &quot;Fado&quot; uma das causa da decadência da canção coimbrã; suposta decadência com a qual eu não concordo de forma alguma. A hegemoneidade de Lisboa é incontornável e a colagem ao &quot;Fado&quot; pode levar ao apagamento das especificidades do fado de Coimbra. Para o bem e para o mal, para a esmagadora maioria de Portugal, Fado é taberna e mulheres de xaile, histórias de putas e carpinteiros acompanhadas de iscas de fígado e vinho a martelo. Tudo isso está a um mundo de distância daquilo que verdadeiramente é o Fado de Coimbra. Que outra forma há de evitar que tudo se torne o mesmo sem ser insistir na ladainha da &quot;Canção de Coimbra&quot;?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Óptimo artigo. Como foste descobrir?</p>
<p>De qualquer maneira deixa-me discordar um pouquinho na crítica aos puristas da &#8220;Canção de Coimbra&#8221;. A distinção faz mais sentido do que enfiar Coimbra e Lisboa no mesmo saco. Em boa verdade são estilos com origens independentes, conceitos completamente diferentes, evolução histórica separada e obras concretas com pouco mais de semelhante do que o &#8220;solista e as guitarras&#8221;. De certeza que sabes isso incomparavelmente melhor que eu.<br />
É importante tentar perceber até que ponto não é a generalização do &#8220;Fado&#8221; uma das causa da decadência da canção coimbrã; suposta decadência com a qual eu não concordo de forma alguma. A hegemoneidade de Lisboa é incontornável e a colagem ao &#8220;Fado&#8221; pode levar ao apagamento das especificidades do fado de Coimbra. Para o bem e para o mal, para a esmagadora maioria de Portugal, Fado é taberna e mulheres de xaile, histórias de putas e carpinteiros acompanhadas de iscas de fígado e vinho a martelo. Tudo isso está a um mundo de distância daquilo que verdadeiramente é o Fado de Coimbra. Que outra forma há de evitar que tudo se torne o mesmo sem ser insistir na ladainha da &#8220;Canção de Coimbra&#8221;?</p>
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