Lá Fora Sobre Cá Dentro
Março 31, 2008
Parece-me incrível que o fado de Coimbra seja hoje mais valorizado por turistas e pela imprensa internacional do que pela própria população e comunicação social portuguesas. De facto, parece que só o fado de Lisboa (no meu entender, e correndo o risco de apedrejamento, incomparavelmente mais pobre e brejeiro) é que está na moda. Hoje é bem gostar de fado, mas obviamente que só do que é mainstream (sem querer retirar-lhes mérito, falo de Marizas, Camanés e afins). Assim, ano após ano, o fado de Coimbra fica cada vez mais esquecido, mais marginalizado. Fora de Coimbra não se arranjam, praticamente, bons CD’s de fado de Coimbra.
Dizem os experts do assunto que o fado de Coimbra não é fado. Perdem-se em concepetualizações ocas (“não é fado, mas sim canção de Coimbra“), não entendendo que quanto mais o tentam separar do fado mais contribuem para que este adquira o relevo de um cantar regional encapsulado, que à semelhança dos congéneres não produz nada de novo. Pergunto: de que serve insistir nesse preciosismo? Não se tratam de grupos constituídos à semelhança do que se faz em Lisboa, por solista, guitarra clássica e guitarra de fado (ou guitarra portuguesa)? É pela afinação de Coimbra, meio-tom abaixo e pela lágrima no braço da guitarra?
Este texto surge a propósito de uma notícia publicada hoje no “The Wall Street Journal”, que ao contrario do que costuma acontecer com as nossas, não me parece pecar por parcialidade, nem por bairrismo. Parece-me bastante completa, mesmo em termos informativos, explicando as raízes e as alterações que este fado tem vindo a sofrer ao longo dos anos.
Ficam algumas passagens; a minha preferida é aquela em que o jornalista diz não haver, para o povo português, “(…) greater taler than that of Dom Pedro and his lover Inês de Castro…”. A explanação da tragédia em inglês adquire contornos hilariantes, mas penso que quer esta, quer as restantes expressões traduzidas, estão bastante bem. A conferir por quem se interesse.



