O fantasma do Euro

Pego num tema típico das chamadas “Conversas de Café”, pelo que penso que se adequa na perfeição a este espaço.

Trata-se do “suposto” aumento radical dos preços com a passagem do escudo para o Euro, em 2001.

Sempre defendi - contra a ira geral, diga-se - que tal não se tinha verificado. Embora admita que os “arredondamentos” foram, logicamente, quase sempre feitos para cima (”chamem-lhes estúpidos”), não me parece que isso possa ter feito os preços aumentar drasticamente (os 100 escudos passaram a ser o Euro, como se costuma dizer).

Se compararmos os preços de agora (por exemplo, do café), e pensarmos no que nos ficou na memória do escudo, somos levados a pensar que este bem “fundamental” custava antes 50 escudos, custando agora 50 centimos. Na verdade, se puxarmos pela memória, é fácil perceber que não só o café já não custava 50 escudos em 2001 como não passou logo a 50 centimos com a passagem para o Euro. E este aumento deveu-se, entre outras coisas, principalmente à inflação (maior neste produto.

Um exemplo mais óbvio é o dos gelados. Se a minha memória não me trai, já com o escudo me queixava que os 200 e tal escudos que um magnum custava eram exorbitantes. Et voila, hoje continuo a queixar-me do mesmo…

Para terminar, deixo “a prova”. Um artigo, que vale o que vale, que encontrei por aí (leia-se, na Internet).

Chamo a atenção para o facto de o aumento da inflação entre Dezembro e Janeiro se ter cingido aos 0.27% (bem menos que os 50% da crença comum, convenhamos), motivado pelos ditos arredondamentos.

Finalmente, é de notar que este artigo é de 2002, pelo que qualquer argumento baseado no desfasamento temporal é inválido.

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